ESBOÇOS DA FÉ - QUE TIPO DE UVAS VOCÊ PRODUZ? - ISAÍAS 5:1-7


Comentário Literário:

I.                 Esta passagem se encontra numa seção composta dos capítulos 1 a 12 de Isaías.
II.               Esta passagem está no primeiro de três painéis os quais dividem a seção de Isaías 1 a 12.
III.             Isaías 5:1-7 situa-se entre os oráculos de julgamento e esperança (capítulos 1 a 5), a chamada de Isaías  (capítulo 6:1-13) e a promessas sobre a vinda de Emanuel (capítulo 7), a ruína da Síria, de Israel e Judá (Capítulo 8), sobre a vinda de um Rei Justo (11:1-5) e do reino justo (11:6-12:6).
IV.            Isaías 5:1-7 ilustra a casa de Israel como uma vinha que não dá frutos bons e, por isso, será considerada inútil.


Contexto histórico:

I.                 A Assíria ameaçava os estados da palestina;
II.               Israel e Síria fazem aliança contra a Assíria.
III.             Isaías já havia sido chamado para profetizar.


Esboço Exegético

I.                A parábola da vinha. – (1, 2)
A.    Uma noiva canta a seu amado que é identificado como tendo uma vinha numa coluna fértil.
B.    O amado prepara a terra corretamente, planta excelentes vinhas, mas colhe uvas bravas, em vez de boas.

II.             A aplicação da parábola da vinha para seus ouvintes. (3-7)
A.    Isaías chama atenção dos habitantes de Jerusalém para julgar entre ele e a vinha. (3)
B.    Isaías questiona o que mais ele poderia ter feito pela vinha e questiona por que ela não deu bons frutos? (4)
C.    Isaías decide o que fazer com a vinha: (5, 6)
1.     Torná-la uma pastagem. (5b)
2.     Transformá-la num local para ser pisado. (5c)
3.     Fazer dela um deserto. (6a)
4.     Não será podada para que nela cresçam sarças e espinheiros. (6b)
5.     Não será molhada, mediante ordem para que as nuvens não a águe.
D.    Isaías identifica a vinha. (7)
   1. Trata-se da casa de Israel. (7a)
   2. Os homens de Judá, como sua plantação predileta. (7b)
   3. Os frutos bons que Deus esperava eram a justiça e a retidão, mas 
       houve sangue e clamor por socorro. (7c)

Mensagem Teológica:

Deus toma todas as atitudes possíveis para que seu povo produza bons frutos, mas quando este não corresponde aos seus desejos, então o próprio Deus pune seu povo com sofrimento.

Aplicação Moderna:

I.                Deus prepara todo o terreno para que possamos dar bons frutos. (1, 2)

A.    A colina fértil e a terra preparada podem ser empregadas como termos que ilustram que Deus prepara o nosso coração e nossa mente, e nos dá condições externas também, para crescermos na fé como igreja e darmos bons frutos.[1] (1, 2a)
B.    A torre[2] que Deus constrói no meio da vinha pode muito bem ser utilizada como um símbolo de que Deus observa tudo o que ocorre no corpo de Cristo. (2b)
C.    O lagar também construído pode ilustrar que Deus já espera bons resultados, ou frutos, de cada membro do corpo de Cristo durante sua vida cristã. (2c)[3]
D.    O fato de em vez de uvas boas obterem-se uvas bravas indica que membros do corpo de Cristo podem não corresponder ao que Deus espera. 

II.             Quando não produzimos bons frutos, quais membros da Igreja de Jesus Cristo, nossa situação pode se tornar pior.

A.    O povo fiel que produz bons frutos lamenta quando produzimos maus frutos. (3, 4)[4]
B.    Diante dos maus frutos, podemos nos tornar inativos na fé, e nossa vida espiritual virar um caos. (5, 6)[5]
C.    Deus espera bons frutos de nós, não maus. (7)[6]



[1] No Sermão do Monte, Jesus mostrou em Mateus 7:16, 17 que dos espinheiros não se colhem uvas, que reconhecemos as pessoas como de Deus ou não pelos seus frutos, e que a árvore boa produz bons frutos. Segundo D. A. Carson, bons frutos aqui “é uma metáfora que indica comportamentos que genuinamente agradam a Deus.” (Comentário Bíblico Vida Nova, página 1373) O mesmo D. A. Carson afirma em O Comentário do Livro de Mateus, páginas 231, 232, que em Mateus 7:15-20, Jesus refere-se aos falsos profetas daquela época, os quais “não são profetas genuínos, e que a verdade pode ser violada, e que os inimigos do evangelho, em geral, escondem sua hostilidade e tentam passar-se de companheiros cristãos. [...] Por isso, é de vital importância saber distinguir as ovelhas dos lobos.” Assim como nos dias de Isaías, como nos de Jesus, podemos agir como falsos “profetas”  por nos desviarmos de produzir bons frutos. Ou seja, se entendermos que Israel não viveu à altura da voz profética de Deus, e que nos dias de Jesus alguns agiram como maus portadores da voz de Deus, hoje podemos fazer o mesmo: agir contrariamente à voz profética da Igreja.
[2] Segundo R. N. Champlin, “uma torre de vigia era construída para adicionar certa medida de proteção contra predadores animais ou humanos.” (O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, página 2803, São Paulo: Hagnos, 2001) Da mesma forma que em Isaías 5:2 isso simbolizava a proteção que Deus propôs dar a Israel caso andasse em seus caminhos, da mesma forma Deus é a torre forte que protege cada filho dEle, em Cristo Jesus, e sua igreja como um todo, quando produzimos bons frutos. Nada pode nos abalar espiritualmente. Deus também nos protege através de bons conselheiros na Igreja, como os pastores e líderes de ministérios, e irmãos maduros, que nos admoestam a produzirmos bons frutos. Será que somos gratos por esse arranjo de Deus em tomar todos os passos possíveis para que nossos frutos sejam bons?
[3] É interessante que se aqui o lagar que o vinhateiro construiu indica os resultados bons que ele esperava, em outras situações o lagar foi empregado como “figura de terrível matança” (Dicionário Bíblico Wycliff, página 1128, São Paulo: CPAD, 2010) reservada para os que não fazem a vontade de Deus. (Lamnetações 1:15; Apocalipse 14:19, 20; 19:15) Então, os nossos bons frutos estão para o lagar que simboliza o que Deus espera de bom da nossa parte e os maus frutos dos falsos cristãos, sem arrependimento até a sua morte, estão para o lagar da ira de Deus. Portanto, por amor e gratidão a Deus, esforcemo-nos a, mesmo que salvos, não imitar em nada os maus frutos daqueles que partirão para o lagar da ira de Deus.
[4] De quem é a culpa quando não produzimos bons frutos: De Deus, ou de nós, que nos corrompemos? Evidentemente que nós somos os culpados. E na linguagem bíblica, por exemplo, pela nossa boca podemos ser julgados como maus servos. (Lucas 19:22) Então, será que nossas palavras dão bons frutos ou maus frutos? Interessante notar que no hebraico, frutos bravos significam fedorentos. Como um cristão verdadeiro reage quando ouve nossas palavras: Como se sentisse um bom cheiro ou um mau cheiro? O mesmo podemos dizer daquilo que ouvimos e vemos. Podemos nos corromper e produzir maus frutos pelo linguajar ruim de nossas más amizades ou pelos programas imorais que assistimos. Pelo que Jesus fez por nós, tanto em sua morte sacrificial, como pela provisão de sua Igreja, certamente ele deseja que demos bons frutos.
[5] É impressionante como que os que persistem em dar maus frutos se afastam naturalmente de tudo aquilo que os torna fortes na fé. Se no caso de Judá e Israel, Deus, através do exílio em Babilônia, tirou-lhes a Lei, ou pelo menos o fácil acesso a ela, o templo, o culto e os sacrifícios de animais ((O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, página 2804, São Paulo: Hagnos, 2001), da mesma forma quando somos como figueira imprestável, afastamo-nos mais ainda da lei de Deus, a Bíblia, da assistência aos cultos, e até o que Cristo fez por nós na cruz pode tornar-se uma mera história do passado, até que nos submetamos, individualmente ou como Igreja às suas normas.
[6] A Igreja de Deus é vencedora. (Mateus 16:18) Mas existem “igrejas” com membros problemáticos. Uns realmente estão entre nós, mas não são dos nossos. Por isso, um dia acabam saindo. (1 João 2:19) Eles jamais retornam. (Hebreus 6:4-6) Mas há entre nós cristãos, filhos de Deus, que se desviam, para um dia retornar a produzir bons frutos. Mas enquanto isso não ocorre, Deus os disciplina na Igreja quando nos os vê sendo justos e retos diante de Deus. Talvez levem uma vida dupla. Quando lemos em Isaías 5:7 o Senhor YAWEH declarar que a vinha dEle é Israel e Judá, e que ele não obteve dela o que esperava, lembramos que se Deus não observar bons frutos de justiça e retidão em nossa vida e na práxis de nossos igrejas (comunidades), então poderemos ser exilados para longe da Igreja, ou seja, sermos repreendidos, e até excluídos da Igreja momentaneamente (e no caso dos falsos cristãos, para sempre). Viver fora da Igreja, ou do corpo de Cristo, é como ser exilado no mundo, numa Babilônia de erros. Portanto, evitemos viver uma vida de maus frutos, para sermos vinha que honre ao nosso Deus através de boas obras, o que é característico de quem é salvo pela graça de Deus, por meio da fé. – Efésios 2:8-10. 


Fernando Galli

Comentários

  1. A paz do senhor;é um trabalho bastante produtivo.Gostei

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  2. A paz do senhor;é um trabalho bastante produtivo.Gostei

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