JESUS RECEBEU REVELAÇÃO DE DEUS ? (Apocalipse 1:1) — LUBE, Brício



     A introdução à revelação de Jesus Cristo (vv 1-11) parece expressar características fenomenológicas da parte do apóstolo. Isso significa que sua apresentação inicial está estritamente ligada a experiência sensorial que teve com o Senhor no início do Seu ministério mediatário "nos dias de sua carne" (cf. Hebreus 5:7).
Entende-se que na encarnação, a mente consciente de Jesus de Nazaré era concebida como um subsistema de uma mente mais ampla, que é a mente do Verbo — de onde se obtém todo conhecimento transcendental, ou “todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2:3) —, de modo que sua consciência ativa "crescia em sabedoria... diante de Deus e dos homens" (Lucas 2:52), no entanto, a menção ao "recebimento de revelação" aqui expresso por João, apenas alude a tarefa de fazer a revelação divina conhecida a Seu povo (gr.,ἀποκάλυψις), como já era sabido e vivenciado por todos os discípulos (ver, João 12:49; 14:27; 17:8). 
O verbo "dar" nessa sentença não significa meramente a entrega de um "dom" ao Cristo em um evento posterior a sua ressurreição (como querem os socinianos e neo-arianos), más faz referência ao que outrora obteve como profeta messiânico quando “conhecido em figura humana” (Deuteronômio 18:18; João 5:46; Filipenses 2:7), e no momento oportuno descoberto ao seu anjo, "para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer" (ver, Mateus 11:27).
É fato que Jesus, mesmo após sua ressurreição, ainda é subordinado a seu Pai, como seu Deus, visto que o "fim", (“quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder"), ainda não aconteceu (leia o Salmo 89:26; 1Coríntios 15:24; Hebreus 2:8), contudo, não podemos inferir que Deus deu ao Jesus ressurreto uma revelação a partir desse texto implicitamente o designando para uma atribuição, visto que seu estado exaltado o revela divinamente possuidor de "todos os tesouros do conhecimento" (Cl 2:3), bem como toda autoridade no céu e na terra (ver, João 17:2; Mateus 28:18). Ora, a expressão "todos" não compreende "partes", significa totalidade mesmo. Nessa nova etapa, Jesus Cristo como “Filho do homem”, Reina (cf. Daniel 7:14), e João recebe a tarefa de mostrar Sua revelação na forma de uma demonstração pictórica. 
O livro propriamente dito é um eloquente testemunho de que essa exibição é dada por meio de sinais, símbolos, nomes, números, cores e criaturas. No início deste livro, suas características pictóricas já se tornam visíveis no verbo mostrar. Ele sugere ao leitor como o livro deve ser lido e entendido. Portanto, em hipótese alguma deva significar falta de conhecimento divino da parte do Verbo — Deus (João 1:1; 20:28; Atos 20:28..etc). 


Brício Lube.

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