sábado, 5 de janeiro de 2019

BREVE DIÁLOGO COM UMA TESTEMUNHA DE JEOVÁ SOBRE NATUREZA DIVINA.


Esse diálogo ocorreu em uma das páginas de minhas redes sociais com uma "testemunha de Jeová" de nome Daniel. Tratamos sobre a questão da divindade de Cristo, onde tentei explicá-la verdades atinentes ao assunto. Devo ressaltar que 'as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo' (2Co 10: 3-5).

INÍCIO DA DISCUSSÃO

TJ: 
"Vcs atacam um espantalho. TJs não negam que Jesus seja de mesma natureza que o Pai. Elas negam que isso implique em co-igualdade no resto."
Brício Lube

"Olá Daniel. Devo considerar que foi muito interessante sua afirmação: "Tjs não negam que Jesus seja da MESMA natureza que o Pai. Elas negam que isso implique em co-igualdade no resto". O que você quer dizer com "MESMA natureza"? Pode explicar melhor ?"

TJ: 
Natureza divina. "Deus é espírito" (João 4:24).
Brício Lube:

"Acho que entendi seu raciocínio, porém, percebo que ele é debilitado em virtude do texto que você utiliza para tentar sustentá-lo. Por favor, permita-me explicar-lhe a expressão que aparece no texto que você utilizou (Jo 4:24). Nota-se que ao dizer 'Deus é espírito', Jesus não está sugerindo que Deus é um espírito entre muitos outros, nem simplesmente que ele é incorpóreo no sentido “estóico”, nem que ‘espírito’ defina completamente suas propriedades metafísicas. Não. Talvez isso seja o que você pensa quando lê esse texto. Nesse contexto, ‘espírito’ caracteriza como Deus é, da mesma forma que carne, localização e corporeidade caracterizam como são os seres humanos e seu mundo. ‘Deus é espírito’ significa que Deus é invisível, desconhecido para os seres humanos a menos que ele decida se revelar (leia 1.18). Como ‘Deus é luz’ e ‘Deus é amor’ (1Jo 1.5; 4.8), assim também ‘Deus é espírito’: esses são elementos na forma em que Deus se apresenta aos seres humanos, em sua bondosa auto-revelação em seu Filho. Portanto, essa expressão 'Deus é Espírito' não sugere (em última instância) que todo ser "espiritual" possua a mesma natureza de Deus pelo simples fato de ele ser um "espírito" (como aparentemente você insinua em seu argumento). Não pretendo aqui começar uma discussão inútil, porém, devo informá-lo que a "natureza de Deus" é justamente o que O distingue de suas criaturas. Diferente da criação, Deus possui uma natureza composta de propriedades inerentes a Seu Ser, tais como: Eternidade, onipotência, asseidade, onisciência, necessidade etc., que sendo perfeita e indivisível certamente O define como sendo Quem Ele É. Ora, se Jesus possui a MESMA natureza que o Pai e a natureza de Deus o define, segue-se que Cristo é tão Deus quanto seu Pai é Deus (Jo 1:1)."

TJ:
"Agradeço pelo comentário educado, mas não darei valia a ele por carecer de elementos bíblicos suficientes pra comprova-lo. A forma mais fácil de entender o que é a natureza divina é fazendo um contraste com a natureza humana. O que é a natureza humana? Ter natureza humana significa ter um corpo humano comum a toda a humanidade. Esse corpo humano é feito de carne e osso, basicamente falando. A natureza divina é o contrário disso. Ter natureza divina (divindade) significa ter um corpo divino comum a todos os seres celestiais. Que tipo de corpo eles têm? A Bíblia diz que os seres (pessoas) espirituais possuem ‘corpos espirituais’.  1 Coríntios 15:44 diz: “Se há corpo físico, há também um espiritual.” A cristandade rejeita essa afirmação de que Jesus tenha um corpo em forma de espírito. Segundo eles, ao ser ressuscitado, Jesus passou a ter um corpo carnal glorificado e ainda possui este corpo nos céus. Mas essa afirmação dos trinitários, de que Jesus tem um corpo carnal glorificado, entra em choque com a própria doutrina da Trindade, que afirma que as 3 pessoas são coiguais. Ora, se Jesus tem um corpo carnal glorificado e o Pai e a suposta pessoa do espírito santo têm um corpo em espírito, já não há mais igualdade aí. Jesus teria algo que as outras ‘duas pessoas’ não têm. Portanto, vocês falam que Jesus tem a mesma natureza que o Pai da boca pra fora, porque na prática não crêem nisso. Então, quando a Bíblia fala em Filipenses 2 que Jesus assumiu a "forma de servo", ela quer dizer que ele largou seu corpo espiritual (“forma de Deus”) e passou a ter um corpo carnal humano, sendo totalmente humano. Agora, ter natureza divina implica coigualdade com o Pai? A resposta é NÃO. Além disso, em 1 Coríntios 15:50-54 e em 1 João 3:16, é dito que os humanos que irão para o céu vão ter a mesma natureza que Jesus e serão semelhantes à ele. Em Colossenses 2:9, é mencionado que, em Jesus, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (natureza divina). Mas vejamos a continuação no verso 10: “E, por estarem nele, que é o Cabeça de todo poder e autoridade, vocês RECEBERAM TODA A PLENITUDE.” – Colossenses 2:10, NVI. Percebam que a plenitude da natureza divina de Jesus é dada aos servos fiéis. ISSO É MUITO RELEVANTE! É a Bíblia que diz isso, não as TJs. Com isso concordam as palavras de 2 Pedro 1:4: “Por intermédio destas ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas VOCÊS SE TORNASSEM PARTICIPANTES DA NATUREZA DIVINA.” Veja que o texto é claro…os servos que vão pro céu vão PARTICIPAR da mesma natureza que eles tem…não é uma natureza divina diferente, senão não seria participação….
CONCLUSÃO: Então Jesus, anjos e os salvos que vão para o céu podem ter divindade (corpo espiritual) e não ser coiguais ao Pai (o único Deus Todo Poderoso). A alegação de que o fato de Jesus ter natureza divina o torna igual ao Pai é apenas mais um dos equívocos propagados erroneamente ao longo do tempo. Portanto, o fato de Jesus Cristo possuir “toda a plenitude da divindade” (Ave Maria, ACF) não significa que ele seja coigual ao seu Deus e Pai, Jeová. Também não pretendo aqui alongar um debate. Mas agradeço pelo espaço."
Brício Lube:

Disponha sempre. Ótimo tê-lo aqui conosco.

Quanto ao meu comentário acerca de João 4:24, perdoe-me, mas deve-se considerar que expus o verso em questão dentro do seu devido contexto, explicando-o e utilizando de demais passagens que elucidam a questão, logo, não se pode alegar que não haja "elementos bíblicos suficientes" para comprovação do mesmo. Perceba que o contraste sugerido por você está implícito no texto, o que não deixou de ser averbado em minha exposição, eu disse:
"Nesse contexto 'espirito' caracteriza como Deus é, da mesma forma que carne, localização e corporeidade caracterizam como são os seres humanos em seu mundo".
Postulo então que a expressão "Deus é espírito" é apenas um elemento na forma em que Deus se apresenta aos seres humanos, assim como nos é dito que ‘Deus é luz’ e ‘Deus é amor’ (1Jo 1.5; 4.8). É óbvio que João não está aqui definindo a "natureza" de Deus em toda sua especificidade ontológica. A expressão aqui é mais uma questão de descrever a liberdade soberana que Deus tem em contraste com os homens, fechados num mundo material, do que uma definição da sua natureza. Por isso, os homens precisam adorá-lo em espírito, pois somente por meio dele podem ter comunhão com Deus. Perceba o paralelismo de Isaías 31.3: “Mas os egípcios são homens, e não Deus; seus cavalos são carne, e não espírito”. Geralmente, o ‘espírito’ no Antigo Testamento é renovador, criativo, doador de vida, corretamente, chama atenção para Jo 3:8, em que o que é ‘espírito’ não pode em si mesmo ser completamente apreendido, mas seu efeito não pode ser negado. Ele é conhecido por intermédio de seu ‘som’ ("phone" - veja 1.23; 5.25, 28, 37,38; 10.3-5, 16, 27; 11.43; 12.28, 30; 18.37). Da mesma forma, nesse contexto, ‘Deus é espírito’ significa que Deus é intátil em oposição ao tangível.
Nota-se que há uma tentativa de associar "ser espírito" com "ser divino" ou possuir "natureza divina", como se fossem sinônimos ou consequência. Sabemos que essa compreensão diverge do que as Escrituras ensinam, visto que não se pode dizer que todos os demônios são "divinos" em função de serem "espíritos", isso seria um absurdo — além de minar com o monoteísmo Cristão abraçando um politeísmo macabro. Entretanto, com respeito a antropologia, não podemos negar o fato de que a "natureza humana" também é constituída de um corpo palpável de "carne e ossos" como você observou, porém, sua comparação é inadequada, considerando 1) a Bíblia não ensina que “toda plenitude da  divindade” se define por possuir um "corpo espiritual"; 2) ter um "corpo espiritual" (na linguagem de Paulo em 1Co 15) não significa ser um espírito, muito menos ser divino, e 3) lembre-se que animais possuem carne e ossos e nem por isso são "meio-humanos", nenhuma dessas propriedades animais são sequer humanas.
Ora, o fato dos humanos possuírem "corpos materiais" em sua humanidade não significa necessariamente que Deus deva também possuir um "corpão divino" devido o mesmo manter um relacionamento adorador-adorado para conosco espiritualmente, ou "em espírito" (isso é um disparate!). A Bíblia também diz que Deus é "luz” mas isso não significa que toda radiação eletromagnética que se situa entre a radiação infravermelha e a radiação ultravioleta sejam alguma espécie de "fração divina" — o que entraria em contradição com o Salmo 139:12 (ver l Jo 1:5; 2Co 11:14). É óbvio que isso apenas demonstra tropologicamente como Deus aprouve se manifestar. Ora, quando aprendemos que “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” entendemos, figuradamente, que Deus é totalmente bom, sem nenhum sinal do mal. Sua deidade é essencial e necessária, ao contrário da criação contingente. Por outro lado, em conformidade com o que João escreveu, Deus ser "espírito" implica em o Mesmo ser invisível e intangível, assim como ser “amor” implica em Ele ser compassivo, benevolente, acessível etc.. (l Jo 4:8), não significando que toda forma de amor é Deus, muito menos que Deus - por ser amor - é um sentimento impessoal. Considere então que Deus é amor, mas o amor não é Deus, os dois termos não são intercambiáveis, assim como ‘espírito’ e ‘divino’ também não são. Deus é espírito, mas ser um espírito não significa ter a mesma natureza que Deus, ao passo que ser "divino" não requer um "corpo substancialmente espiritual", senão as propriedades inerentes à Deidade, como: eternidade, onipotência, onisciência, necessidade, asseidade, etc.., (o que pode ser definido simplesmente como "toda plenitude da divindade") que sendo uma substância pura e indivisível certamente o especifica como sendo quem ele É — Deus. Portanto, não, Deus ontologicamente não tem um "corpo", Ele é uma substância incorpórea — a encarnação está fora de cogitação.(infelizmente, suponho que esteja havendo uma certa confusão da sua parte com relação as expressões utilizadas por Paulo em 1Co.15:44, falarei algo sobre mais adiante).

SOBRE SER DIVINO

Sabemos pois que "divino" refere-se àquilo que qualitativamente compreende a natureza da divindade (i.é. asseidade). Em uma concepção padrão e tradicional de divindade, Deus é onipotente, onisciente, incorpóreo, impecável e necessariamente existente, entre outras coisas. Na definição de "Deus" por natureza, tais propriedades como estas são, por assim dizer, constitutivas da divindade - é impossível que qualquer indivíduo seja divino, ou exemplifique a divindade, sem ter essas propriedades. Reivindicar algum indivíduo como sendo divino sem ser onipotente, digamos, ou necessariamente existente, seria tão incoerente quanto supor que algum indivíduo seja solteiro e casado ao mesmo tempo. Em vista disso, o grande desafio para os neo-arianos a ser considerado é: 1) encarar o que está escrito acerca de Cristo, não duvidando que "nEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Cl 2:9) .
 Sugiro que não se pode pensar que só há "resquícios" onde se contém o todo, isso seria contraditório. Paulo afirma: "todo o pleroma da Divindade"... (Não dando margem para se interpretar tal expressão apenas como "aspecto"). "Divindade" nesse texto compreende ousia (essência) e não mero feitio. Se ele (Paulo) quisesse dizer algo parecido - como sugerem os jeovistas -, teria usado uma expressão mais conveniente, tal como: “todo pleroma do pneuma”... o que não se encontra nesse verso, senão theotetos (divindade) em toda sua plenitude (totalidade). Ademais, não podemos ceder ao anseio do demônio afirmando que o mesmo possui “toda plenitude da divindade” pelo simples fato de ser um ente espiritual. 
Logo, tido que não há deus como o nosso Deus (Sl 86:8), e aceitando toda escritura como sendo autoritativa, eles não podem se desviar do fato de que o próprio Deus através dos escritores do NT deixou subentendido que há uma espécie de pluralidade de respectivos centros de autoconsciência, intencionalidade e volição suficientes para pessoalidade na singularidade do Seu Ser único em unidade, entendido progressivamente a partir da revelação neotestamentária (Jo 1:1; 20:28; At 5:4, 5; 20:28); há, portanto, “distinção” entre as pessoas, porém, não é uma questão ontológica; 2) a sugestão de que ho Logos seja “um deus” menor procedente [ou gerado] de outro “Deus maior” além de ser uma tolice — tendo em vista que vai contra o que o próprio Deus afirma em Is 43:10 —, resulta em algo deliciosamente gnóstico, sem que haja escapatória. Entendemos por conseguinte que a pessoa do Filho não pode ter a mesma natureza divina que a de Seu Pai sendo um ser distinto ontologicamente do Mesmo (sobre a natureza do Espírito Santo cf. Jo 14:16, gr., Allos). O jeovista sempre irá argumentar (utilizando Cl 1:19), que o fato de Jesus "possuir divindade", em si não prova nada, pois como está escrito, foi do agrado de "Deus" (que entendem eles ser apenas o Pai) que Cristo possuísse Divindade." Ora, há um erro aparente nessa suposta “observação”. Note que o jeovista se esquece que o Verbo é anterior a tudo que veio a existência (ver, Jo 1:3), e que, obviamente, também deva ser anterior ao Jesus histórico (hominídeo nascido). Onde estou querendo chegar? O que acontece na “interpretação” jeovista pode ser concebido como um legítimo anacronismo. Considere que ali, nos versos 18 à 22, Paulo claramente muda o foco em sua narrativa sobre o Cristo, abordando verdades voltadas ao seu estado exaltado e ressurreto, diferente do que faz inicialmente, quando faz alusões acerca do seu estado pré-encarnado (leia os versos 15 à 17). Perceba que ele desenvolve seu discurso referindo-se não só ao estado anterior a encarnação do Logos como também posterior ao evento, doravante menciona seu propósito de realizar a reconciliação ("pelo seu corpo físico" v 22), encerrar a ruptura da harmonia e estabelecer a paz entre o homem pecador e Deus, por meio do sacrifício do Salvador na cruz, desde então, não se faz menção à qualquer período anterior ao evento encarnacional. Há, no entanto, uma referência à Sua condição assumida no contexto histórico. Com isso em mente, Paulo afirma que, Deus – não diz lit. “o Pai” - mas diz que “aprove habitar nEle toda plenitude”, isso é, Deus considerou próprio, agradável, e resolveu que sua própria plenitude residisse no Jesus histórico, na qualidade de Deus-homem. No mesmo, quando diz “habitar nEle”, no grego, temos o verbo “katoikeo”, que é posto em contraste com “paroikeo”. O primeiro significa “tomar residência permanente”, “firmar-se em”, com a intenção de ficar. A mesma palavra é usada acerca da habitação de Cristo nos remidos, por meio do seu Espírito, em Ef. 3:17. Para comprovação desse fato considere que o próprio Cristo tinha seu corpo gerado como um templo (Jo. 2:19, 21). Portanto, quando Paulo fala a respeito de "fazer habitar plenitude" há em sua mente aquele judeu da Galileia, nascido por volta do início do primeiro século, e que morreu entre os anos 30 e 36 d.C, e não o Verbo descrito no prólogo joanino. Considere então que o Verbo assume um corpo humano como seu; mas sem cessar de ser conhecedor e causalmente ativo em cada ponto do espaço. Lembremos também que o significado de “onipresença” não compreende que Deus está espalhado como um éter pelo espaço, mas que ele é causalmente ativo em todos os pontos do espaço. Isso ainda pode ser possuído pelo Verbo durante seu estado de humilhação. Só não era parte da vida consciente do Jesus histórico. As dificuldades que surgem com relação a isso está em pensar na encarnação como o Verbo de alguma forma se encolhendo para o tamanho de um corpo humano. Eis o erro, pensar na encarnação como algo que a natureza divina faz em vez de algo que a pessoa divina faz. Esta permanência da divindade em Cristo é o fundamento da reconciliação por Ele. [Bengel]. Daí o “e” (Cl.1:20) une como causa e efeito as duas coisas, a divindade em Cristo e a reconciliação por Cristo.
O que nada tem a ver com a interpretação jeovista.   
Por fim, 3) de acordo com a doutrina Trinitária, Cristo compõe os três conjuntos distintos de faculdades cognitivas do Deus único. Quando lemos que o Filho possui a mesma natureza que seu Pai, que é Divina, não há outra maneira de entender senão que Ele é essencialmente o mesmo SER que o Pai, como também o Espírito Santo, pois não existe mais do que um Ser PLENAMENTE DIVINO. Decerto que não devemos pensar nas Pessoas divinas como instâncias da natureza de Deus, para que não tenhamos uma “quaternidade”, em vez de uma Trindade. Há um só Ser apenas que é triúno. O Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham as mesmas propriedades essências que fazem com que sejam considerados divinos, como onipotência, onisciência, perfeição moral (o que “arcanjos” não têm, ver Jó 4:18; 15:15. Porém, sobre Jesus leia 2Co 5:21; 1Jo 3:5; Hb 4:15), necessidade, etc. O esqueleto e o DNA de um gato são total e genuinamente felinos, mesmo que eles próprios não sejam gatos, isto é, instâncias da natureza do gato. Da mesma forma, o Pai, o Filho e o Espírito são genuinamente divinos, embora cada um deles não seja uma Trindade, isto é, uma instância da natureza de Deus. Alguém pode ser chamado “deus”, mas isso não significa que esse ser possui “natureza divina” ou seja ‘espiritual' (ver Ex. 7:1 sobre Moisés), muito menos signifique como averbado acerca de Cristo em Cl.2:9. Anjos, por exemplo, são uma ordem sobrenatural de seres celestiais criados separadamente por e de Deus antes da criação do mundo (cf. Jó 38.6,7) e chamados de “espíritos” (Hb 1.4,14). Embora sem organismo corpóreo, foi-lhes permitido aparecer frequentemente na forma de homem (Gn 19.1,5,15; At 1.11) e em certas ocasiões chamados "deuses" (elohim), mas isso devido o poder e autoridade a eles outorgado, e não por serem "espíritos" (Sl 8:5; 2Co 4:4; Lc 4:6). Outro exemplo que temos é o dos juízes corruptos de Israel que também foram chamados “deuses” (elohim) porque a administração da justiça era uma prerrogativa divina delegada a alguns escolhidos (Êx 21.6; 22.8,9,28; Dt 1.17; 1Cr 29.23; 2Cr 29.6,7; cf. Sl 82.1-4). Porém, em nenhum lugar da Bíblia se é afirmado que anjos (bons ou maus) ou seres humanos possuem “natureza divina” ou tudo que concerne a “Divindade” (gr., theotes). Ainda que Deus os tenha criado como seres metafísicos (Cl 1:16), isso não os torna “divindades”, nem tão pouco denota “corporeidade espiritual”, mas apenas intangibilidade imperceptível aos olhos humanos (ver Lc 24:39). Cristo não é alguém semelhante à divindade, mas no sentido mais completo, possui a própria essência de Deus. A afirmação de Paulo de que há “supostos deuses” e, na verdade, “muitos deuses e muitos senhores” parece confirmar o AT, o qual reconhece que os deuses pagãos, embora não sejam realmente "deuses" naturalmente e de modo algum possam ser comparados ao Deus de Israel (por isso, são apenas “supostos deuses”), representam alguma realidade. Isso pode mostrar um eco de Deuteronômio 10.17, passagem em que, apenas uns poucos capítulos após o Shemá, é dito aos israelitas: “O Senhor vosso Deus (Elohim), é o Deus dos deuses (Elohim) e o Senhor dos senhores”. Esse é o único texto da Bíblia hebraica em que “deuses” e “senhores” aparecem na mesma frase, como em 1Coríntios 8.5. Nota-se curiosamente mediante esse texto (Dt 10:17) que a mera aplicação da palavra “elohim” para designação "deus" não garante que seus receptores tenham a mesma natureza Divina que o seu criador. Veja que ela aparece para com o Deus de Israel em contraste com deuses falsos (no mesmo versículo!) sendo assim impossível que o fato desses seres serem chamados "elohim"  signifique que os mesmos possuam a mesma natureza de Deus. Não conhecendo a Deus, comparam Cristo com chamados 'deuses' que, por natureza, não o são (homens, anjos bons e maus). Leia Gálatas 4:8.

SOBRE 1 CORÍNTIOS 15:44

Quanto ao que você disse sobre 1Corintios 15, devo lhe esclarecer que para Paulo, "natural" e "espiritual" (v 44) não são substâncias a partir das quais corpos são feitos, mas princípios dominantes pelos quais corpos são dirigidos. Praticamente todos os comentaristas modernos concordam neste ponto: Paulo não está falando de um corpo exclusivo feito de espírito ou éter; ele quer dizer um corpo sob o senhorio e direção do Espírito de Deus. O presente corpo é “natural” na medida em que a alma é seu princípio dominante (cf. “homem natural”, 1Coríntios 2.14). O corpo vindouro será “espiritual” não no sentido de uma substância espiritual, mas na medida em que o espírito será seu princípio dominante (veja, “homem espiritual”, 1 Coríntios 2.15). Não diferem enquanto o corpo; diferem, sim, enquanto orientação. O contraste não é entre corpo físico e corpo não-físico, mas entre corpo orientado naturalmente e corpo orientado espiritualmente. Alguém pode bradar dizendo: “mas no verso 50 Paulo diz que carne e sangue não podem herdar o reino dos céus”. A estes gostaria de informar que os comentaristas concordam que “carne e sangue” é apenas uma expressão semítica típica para denotar a frágil natureza humana. Enfatiza nossa débil mortalidade em relação a Deus. O fato de que o verbo esteja no singular talvez também sugira que Paulo não esteja falando de aspectos físicos do corpo, mas de uma unidade conceitual: “carne e sangue não pode herdar...”. Em outros lugares, Paulo também emprega a expressão “carne e sangue” para significar simplesmente “pessoas” ou “criaturas mortais” (cf. Gálatas 1.16; Efésios 6.12).
Portanto, Paulo não está falando aqui de anatomia; antes, ele quer dizer que seres humanos mortais não podem entrar no reino eterno de Deus: por isso, devem se tornar imperecíveis (cf. v. 53). Esta imperecibilidade não conota imaterialidade ou inestendibilidade; pelo contrário, a doutrina paulina do mundo vindouro é que nossos corpos de ressurreição serão parte de, por assim dizer, uma criação ressurreta (cf. Romanos 8.18-23), [da qual o Cristo ressurreto é o "primogênito", ou, "princípio". Ver Colossenses 1:18; Apocalipse 3:14]. O universo será libertado do pecado e corrupção, e não da materialidade, e nossos corpos serão parte de tal universo.
SOBRE 1 PEDRO 3:18, 19

Você poderá insistir utilizando 1Pe 3:18 para dizer que Jesus ressuscitou “COMO UM espírito”, na tentativa de invalidar a ressurreição corporal, todavia, este mal-entendido é excluído por, pelo menos, três razões.

Primeiro, o restante do Novo Testamento insiste que a morte e a ressurreição de Cristo eram físicas. Seu corpo foi morto, e o mesmo corpo foi erguido, embora de forma aprimorada (Jo 2:19-22). E segundo, o espírito de Cristo nunca foi morto antes da crucificação, e nunca foi morto em nenhum sentido que exigisse sua ressurreição. Em outras palavras, se a ressurreição não fosse física, então, a princípio, ele não precisaria de "ressurreição". Então, em terceiro lugar, temos “no espírito”, antitético com “na carne”, ambos sem artigo. Deve-se entender “Morto” quanto ao anterior modo de vida, e “vivificado” no novo. Enquanto que tinha vivido segundo a maneira do homem mortal na carne, Ele começou a viver uma vida espiritual de “ressurreição” (v. 21), pelo qual tem poder para levar-nos a Deus.

Isso, por sua vez, influencia a nossa compreensão do versículo 19. Dado o que entendemos sobre o versículo 18, em vez de começar o versículo 19 com a tradução "através de quem" (NVI), talvez, seja melhor dizer "em que", isto é, no reino do espírito. O significado é "nesta esfera" ou mesmo "sob essa influência". O que não anula a ressurreição corporal.

Entendo que seu discurso parte de uma interpretação errônea de 1Co.15:40,41 onde se menciona "corpos terrestres" e "corpos  celestiais". Provavelmente você não leu meu artigo sobre esse texto, isso é perfeitamente compreensível. Percebe-se pela maneira reduzida que você expõe a questão. Nele explico atinente tais versos que não pode haver dúvidas a partir do v.41 que Paulo se refira a corpos astronômicos, e não a Deus, ou anjos. Esse texto não prova "corporeidade espiritual", algo que em si mesmo já soa contraditório.

A CO-IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS E A ENCARNAÇÃO

Concernente a doutrina da Trindade, cremos que as Pessoas, que são distintas uma das outras, também têm propriedades contingentes que não são compartilhadas por todas as três Pessoas. Por exemplo, somente o Filho tem a propriedade de possuir uma natureza humana e uma divina. Isso compreende a Trindade em seu aspecto econômico, enquanto que a "co-igualdade" diz respeito Seu aspecto ontológico. Sua pergunta é: “Como o Filho pode assumir uma natureza humana sem que a natureza das outras pessoas seja afetada ?” O pressuposto errôneo por trás da sua pergunta é que seja a natureza que se torna encarnada e não a Pessoa do Filho. Não é isso que a doutrina ensina. A doutrina da encarnação não ensina que a natureza divina do Filho de alguma forma assumiu uma natureza humana. Ao contrário, sua alegação é que a segunda Pessoa da Trindade, que tem uma natureza divina, acrescentou à essa natureza uma natureza humana também. Portanto, você não deveria pensar na encarnação como duas naturezas que se mesclam; de fato, a formulação clássica é que as naturezas permanecem sem mudança e distintas na encarnação. Elas são unidas somente no sentido de que há uma Pessoa que veio a ter duas naturezas. Então, é um erro dizer por exemplo que "uma natureza divina única [...] agora parece incluir a natureza humana de Cristo". Pelo contrário, as naturezas permanecem distintas até mesmo para o Filho. Isso fica evidente no fato de o Filho ter uma natureza humana ser um fato contingente a respeito dele; nos mundos possíveis em que Deus se abstiver da criação em geral, a Segunda Pessoa da Trindade não terá nenhuma natureza humana. Assim, sua humanidade não pode fazer parte de sua natureza divina.

TEOLOGIA KENÓTICA À VISTA

(Uau!) Nota-se que seu entendimento do texto supracitado é precisamente kenótico (um conceito teológico já superado a muito). "Sabemos que embora Cristo não seja um membro típico do tipo natural “homem”, ele é um membro típico da “deidade” e, portanto, não pode deixar de ser Deus sem deixar de existir. Decerto que "forma” em Fp. 2 dá a entender adorno exterior, a fala e a aparência. Contudo, o fato do Verbo ter assumido "forma de servo" não implica em ele ter deixado sua asseidade. O Verbo não se tornou um novo ser, mas acresceu a Sua Pessoa uma humanidade, despojando sim, das características externas, a majestade e beleza da deidade. A antítese não é entre o "estar Ele igual com Deus" e o “aniquilar-se a Si”, porque nunca se despojou da plenitude de Sua divindade nem de Seu “ser igual a Deus”; mas sim entre Seu ser “na FORMA (quer dizer, em Sua gloriosa “automanifestação” externa) de Deus”, e Seu “tomar a forma de servo”. Ele se desfez em grande medida de Sua precedente “forma”, ou de sua externa glória “automanifestante” como Deus, não tendo “em vista o que é propriamente seu” (v. 4), mas estando em forma de Deus, não se apegou a isso de maneira egoísta, antes, se “esvaziou”. Paulo descreveu o auto-esvaziamento de Jesus como "tomando a forma de um servo." "Tomar" (Gr. labon ) não implica uma troca, mas acrescentar algo. Como disse Lightfoot: Ele "esvaziou insígnias de majestade", humilhando-Se. Esse foi o ato de humildade. Lembre-se que nenhum indivíduo pode desistir temporariamente de uma propriedade que ele tem essencialmente. A encarnação não é um caso de subtração, senão de adição. Sua humilhação (Fp. 2:7) consistia em tornar-se vulnerável às dores, sofrimentos, agravos e agonias que se tornaram Dele como um homem, mas que, em sua forma exclusivamente divina de existência, não poderiam tê-lo tocado dessa maneira. Não é em virtude do que Ele desistiu, mas em virtude do que Ele assumiu, que Ele Se humilhou. Este tipo de kenosis divina era uma característica da Encarnação, mas assim entendida, é uma realidade que está logicamente com fortes afirmações sobre a modalidade e imutabilidade dos atributos distintivos, e tradicionalmente considerados constitutivos da divindade. É preciso entender que ter a mesma natureza de Deus é ser tão Deus quanto se pode ser, e Jesus possui essa natureza. Quando Ele se tornou um homem, Deus o Filho não desistiu de qualquer divindade, Ele simplesmente assumiu a natureza e condição da humanidade. Podemos compreender bem a afirmação do Novo Testamento de que na Encarnação, Deus o Filho Se humilhou, sem seguir a cristologia kenótica ao sustentar que Ele abandonou quaisquer atributos metafísicos distintivos da divindade.
       É preciso entender que ter a mesma natureza de Deus é ser tão Deus quanto se pode ser. O meu lamento é que você não compreendeu. Ainda que os textos que você mencionou (1Co.15:50-54 e 1Jo.3:16) não afirmem o que VOCÊ garante, não há erro em dizer que os cristãos terão uma natureza humana semelhante a natureza do Cristo ressuscitado guiados pelo Espírito Santo (Fp. 3:20,21). Esse é um dos propósitos da encarnação.
SOBRE COLOSSENSES 2:10 E 2 PEDRO 1:4

        Quanto ao que o senhor copiou do site do "Queruvim"...   Ora, você sabe que nada no texto de Colossenses 2:10 garante que teremos tudo atinente essência da divindade - como afirmado acerca de Cristo -, não seja medíocre. A partir de uma leitura natural do texto, entendemos que já que toda a plenitude da essência intrínseca do próprio Deus está completamente concentrada em Cristo corporalmente — possivelmente aludindo ao evento encarnacional e ressurreição corpórea (v.9) — não existe nenhuma necessidade de justificativas ou procurar ajuda em outros lugares, salvação ou perfeição espiritual senão em Cristo. A Bíblia não diz que “os fiéis terão toda a plenitude da natureza divina”, isso é simplesmente mentira (leia Jo. 8:44). Os fiéis são "enchidos completamente” sim, de tudo o que vos faz falta (leia João 1:16). Como escreveu aos Efésios no capítulo 3, a partir do verso 17: "oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus" [NVI].
 Ele não está pedindo que a vida dos leitores seja divinizada; eles não serão cheios da plenitude da qual Deus está cheio como Ser infinito. 
O desejo do apóstolo é que eles desfrutem a plenitude da graça que Deus comunica aos homens por seu Filho. Os crentes recebem da unção divina que desce de Sua divina Cabeça e Sumo sacerdote (Sl 133:2). Ele está cheio (pleno) da própria “plenitude”; nós somos enchidos a partir dEle de graça sobre graça (Jo 1:16), mas isso não quer dizer que "habitará em nós corporalmente toda a plenitude da Divindade" (gr.,theotetos). Afirmar que possuiremos tudo o que em Cristo reside como averbado pelo apóstolo é, sem dúvidas, ir além do que está escrito (1Co 4:6).

Já nos ensina a regra: "texto sem contexto é pretexto para heresia".

        Em 2 Pedro 1:4, o apóstolo não afirmou que somos ou seremos "deuses”, como pensavam os gregos, é certo que nos tornamos “co-participantes da natureza divina”  1) quanto as virtudes (ou dons) provenientes de Deus (Tg 1:17). Sua santidade, por exemplo v 3; o oposto a “corrupção”, e “concupiscência”. Nesse sentido, o próprio contexto de 2Pe.1 pode nos fornecer o necessário para entendermos o que "co-participante da natureza divina"  significa, sem precisarmos deificar o homem (uma proposta do diabo, ver Gn 3:5). Veja o verso 5 logo depois. Perceba que todas as virtudes mencionadas nos são “comunicadas” através do Espírito Santo, como Paulo escreveu aos Gálatas 5:22,23. Portanto, é correto dizer que experimentar e vivenciar os dons do Espírito significa ser "coparticipante da natureza divina", de acordo com o contexto da própria passagem. O “poder divino” nos faz participantes da “natureza divina”. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da "Divindade" [que compreende ontologia, i.é, seu Ser], quanto aos crentes, não mais do que experimentar os “charismas” da parte de Deus (Rm 6:23).  Assim somos levados a entender que é nesse sentido que Pedro diz que seremos participantes da “natureza divina”, porém, de forma mais ampla. Não significa que teremos um "corpo divino" feito da substância da divindade, nada no contexto da passagem indica algo do tipo, nem quer dizer que seja isso que está sendo dito acerca de Cristo em Cl 2:9. Veja comigo o verso 8 agora: "Porque, se essas qualidades existirem e estiverem crescendo em suas vidas, elas impedirão que vocês, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam inoperantes e improdutivos."[nvi]. Quando cremos em Cristo, o Espírito Santo vem habitar dentro de nós; e isso significa que somos "co-participantes da natureza divina". A Lei jamais teria poder de dar a alguém a natureza de Deus vivendo em seu ser interior. A Lei só poderia revelar à pessoa sua necessidade premente da natureza de Deus. Assim, quando o cristão volta à Lei, nega a própria natureza divina dentro de si e dá espaço para a velha natureza (a carne) agir. Por fim, não sou apaixonado pela doutrina da theosis , a ideia de que, de alguma forma, participaremos da natureza divina. A natureza divina são as propriedades essenciais de Deus. Nunca seremos onipotentes, oniscientes, eternos, necessários metafisicamente, perfeitamente morais, etc. Uma criatura sempre continua uma coisa criada. Os Pais da Igreja, que adotaram essa doutrina não quiseram dizer que literalmente nos tornaríamos divindades, mas que seremos glorificados e acabaremos com a nossa mortalidade e corrupção. Essa verdade não será apagada pelo discurso da divinação.

Grato por expressar sua opinião Daniel, mas lhe aconselho a estudar a Bíblia em uma denominação séria e não em qualquer organização que se diz detentora da "verdade" absoluta.

Abraço...

Brício Lube

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ - ZOMBANDO DE ANALOGIAS SOBRE A TRINDADE!

Extraído de um Site de um apologista TJ Vagabundo virtual e anônimo.

Um certo vagabundo virtual TJ publicou no site dele uma matéria zombando de analogias ou comprações que nossos irmãos zelosos fazem para tentar "explicar" a doutrina da Trindade. Desde a foto no topo até a argumentação do apologista TJ, até que ponto esse embusteiro vendedor de bambu luminoso e metido a teólogo tem razão em nos criticar?

Em primeiro lugar, a foto no topo mostra uma tríade. No mundo pagão, as nações representavam seus deuses falsos, em muitos casos, na forma de três deuses distintos em uma só imagem. Todavia, essa crençã nada tem a ver com a verdade bíblica de que há um Deus que coexiste e subsiste em Três Pessoas distintas. A fé cristã não apregoa três deuses. Nenhuma confissão de fé nossa ensina tal absurdo. Assim como Satanás apregoou a existência de deuses, deturpando o Ser do Verdadeiro Deus, assim também deturpou a doutrina da Trindade, apregoando tríades, já que nada se compara com esta verdade sobre Deus. Assim, quando esses arianos modernos nos acusam de crem em deuses de três cabeças estão nada mais nada menos do que zombando da fé cristã e ensinando pessoas através de mentiras, prática típica de filhos de Satanás, o pai da mentira. - João 8:44.

Em segundo lugar, é verdade que muitos de nossos irmãos zelosos buscam uma explicação sobre a Trindade e fazem comparações com elementos da natureza. Uns comparam a Trindade com os estados da água, outros com o trevo de três folhas, entre outros. Embora bem intencionados, tais irmãos acabam sendo imprecisos, pois nada na natureza se assemelha à Trindade. E é sobre isso que os hereges zombam de nós. Em vez de buscarem questionar nossa opinião oficial, atacam as opiniões de leigos, e acabam combatendo uma caricatura da Trindade. Veja, por exemplo, um trecho da matéria do supracitado malfeitor e zombador:


Deixando de lado, então, a patifaria de gente que se esconde atrás do anonimato, vamos ver o que nossa literatura cristã oficial afirma sobre tais analogias. Sobre elas, um de nossos teólogos renomados, Wayne Gruden, afirma:

Wayne Gruden, Manual de Teologia, p. 111. 

Enquanto os filhos das trevas combatem opiniões populares e imprecisas sobre a doutrina da Trindade, para ficar mais fácil para eles a refutação, nossa literatura oficial já ensina há muito tempo que as analogias "trinitarianas" não são corretas.

Enquanto os hereges afirmam que cremos em Três Deuses, e nos tacham de ser triteístas, veja o que oficialmente nossa literatura teológica afirma:

  1. "Trindade. Termo que designa um só Deus em três Pessoas." - Enciclopédia Histórico-|Teológica da Igreja Cristã : em um volume, página 576, Volume 3. São Paulo: Vida Nova, 2009.
  2. "Trindade. [...] Mas esta doutrina está implícita no testemunho dado pelas Escrituras quanto à verdadeira e completa divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mantendo uma distinção de pessoas; em outras palavras, há três pessoas em um único Deus." - Dicionário Bíblico Wycliffe, páginas 1967, 1968. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
  3. "TRINDADE. Termo que designa os três membros do Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo.  [...] Em toda a Bíblia, Deus é apresentado como o Pai, o Filho e o Espírito Santo - não três "deuses", mas três pessoas em um único Deus. (v.  Mt 28:19; 1Co 16:23, 24; 2Co 13:13)."- Dicionário Bíblico Tyndale, página 1806. Santo André: Geográfica Editora, 2015.
  4. "Trindade. A Igreja define a Trindade de Deus como a crença que em Deus existem três pessoas, que subsistem numa única natureza." - MACKENZIEJohn L. Dicionário Bíblico, página 866. São Paulo : Paulus, 1983.
  5. "Uma das melhores definições de Trindade que eu conheço é a de Warfield: "Existe apenas um Deus único e verdadeiro, mas na unidade da divindade existem três pessoas co-eternas e co-iguais, da mesma substância, mas de subsistência distinta"." - RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao Alcance de Todos, página 61, 62. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
  6. "Historicamente, a Igreja formulou a doutrina da Trindade em razão do grande debate a respeito do relacionamento entre Jesus de Nazaré e o Pai. Três Pessoas distintas - o Pai, o Filho e o Espírito Santo são manifestadas como Deus, ao passo que a própria Bíblia sustenta com tenacidade o Shema judaico: "Ouve, ó Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR". (Dt 6:4)". - Horton, Stanley M. Teologia Sistemática - Uma Perspectiva Pentecostal, página 158. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
  7. "O Pai não é o Filho, [...] O Filho não é o Espírito Santo. [...] O Espírito Santo não é o Pai. [...] O Pai é o Deus único. O Filho é o Deus único. O Espírito Santo é o Deus único." - FERREIRA, Franklin & MYATT, Allan. Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, páginas 183, 184. São Paulo: Vida Nova, 2007.
  8. "O único ser divino subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito. Esta proposição nada acrescenta aos fatos em si, pois os fatos são: (1) Que há um Ser Divino; (2) O Pai, o Filho e o Espírito são divinos. (3) O Pai, o Filho e o Espírito são pessoas distintas." - HODGE, Charles. Teologias Sistemática, páginas 334, 335. São Paulo: Hagnos, 2001.
  9. "Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - e cada pessoa é plenamente Deus, e existe um só Deus[...] Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreender parte de sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em três declarações: 1. Deus é três pessoas. 2. Cada pessoa é plenamente Deus. 3. Há um só Deus." GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática : Atual e Exaustiva, páginas 165, 169. São Paulo : Vida Nova, 1999.
  10. "Pode-se discutir melhor, e resumidamente, a doutrina da Trindade em conexão com várias proposições que constituem um epítome da fé professada pela Igreja sobre esses pontos. a. Há no Ser Divino apenas uma essência indivisível. Deus é um em seu ser essencial, ou seja, em sua natureza constitucional. [...] b. Neste único Ser divino há três Pessoas ou subsistências individuais, o Pai, o Filho e o Espírito Santo." - BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, página 83. 3a. Edição. São Paulo : Cultura Cristã, 2009.
  11. "Ponto de partida: Cultuamos Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem nunca confundir as pessoas nem separar as substâncias." [...] Embora exista um só Deus, ele existe em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo." - STURZ, Richard J. Teologia Sistemática, páginas 172, 176. São Paulo : Vida Nova, 2012.
  12. "Há três tipos distintos, porém, inter-relacionados, de evidência: a evidência a favor da unicidade de Deus - Deus é um; a evidência de que há três pessoas que são Deus; finalmente, as indicações ou, ao menos, aos sugestões da "triunidade" [...] 2. A divindade de cada uma das três pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo - deve ser assegurada. Cada um é qualitativamente igual. O Filho é Divino da mesma forma e na mesma medida que o Pai, e isso também se aplica ao Espírito Santo. [...] 4. A trindade é eterna. Sempre houve três - Pai, Filho e Espírito Santo - e todos eles foram divinos." - ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática, página 317.
  13. "A doutrina da Trindade pode expressar-se  nas seguintes seis afirmações: 1. Há na Escritura três que são reconhecidos como Deus. 2. Estes três são descritos de tal modo que somos compelidos a concebê-los como pessoas distintas. 3. Essa tripessoalidade de natureza divina não é simplesmente econômica e temporal, mas imanente e eterna. 4. Essa tripessoalidade não é triteísmo; pois enquanto haja três pessoas, há apenas uma essência. 5. As três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo são iguais. 6. Inescrutável, embora nao autocontraditória, essa doutrina fornece a chave de todas outras doutrinas." - STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática, página 452, Volume 1. São Paulo : Hagnos, 2003.
Portanto, quem nos acusa de ser tristeístas não passa de impostor e caluniador, e não devemos perder nosso tempo com imitadores de Satanás. - Pr. Fernando Galli.

ADVENTISTA

IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA – PARTE DE SEUS PIONEIROS NÃO CRIAM NA TRINDADE! Todos sabemos que a Igreja Adventista do Sétimo Dia se con...