QUAIS SÃO "TODAS AS COISAS" QUE CRISTO SABE ? RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES. (ATUALIZADO)



"Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo." 


1 - Quais são todas as coisas que Cristo sabe?

"Ao mesmo tempo que em João 21:17 diz-se que Jesus "sabe todas as coisas", outras passagens deixam claro que existem coisas que ele não sabe. — Mateus 24:36; Marcos 13:32; Atos 1:7."

RESPOSTA.

As coisas que Jesus sabe [Divinamente] são de fato todas, sem exceção. Nota-se isso por passagens como Colossenses 2:3, onde está escrito: “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. Não se pode pensar que não haja totalidade onde se contém o todo, isso seria ilógico. Em João 21:17 nos é apresentado um exemplo demasiadamente concludente, onde se é ratificado que o "saber" de Cristo não é apenas uma questão de intuição divina, de conhecimento absoluto (eidō) sobre o homem (Ex 3:7; Pv 15:11; Ap 2:23); o conhecimento de Jesus também se basea no relacionamento pessoal (ginosko) vivido com ele (1Jo 3:20), no caso, Pedro. Algo que só compete a Deus (1Rs 8:39).

Entretanto (retorquindo ao argumento utilizando Mateus 24:36 e Marcos 13:32), é oportuno considerarmos que na encarnação — pelo menos durante seu estado de humilhação —, o Verbo permitiu que fizessem parte da consciência ativa de Cristo apenas as facetas de sua pessoa compatíveis com a experiência humana típica, enquanto a parte principal de seu conhecimento e outras perfeições cognitivas, permaneceram submersos em seu subconsciente. Sugerimos que o que William James chamou “eu subliminar” é o lócus primário dos elementos supra-humanos na consciência do Verbo encarnado. Essa compreensão da experiência pessoal de Cristo leva ao entendimento de uma psicologia profunda de existir muito mais em uma pessoa do que uma consciência ativa. Todo o projeto da psicanálise está baseado na convicção de que alguns de nossos comportamentos possuem fontes profundas de ação das quais somos apenas parcialmente conscientes. Distúrbios de múltiplas personalidades fornecem um exemplo particularmente surpreendente da erupção das facetas subliminares da mente de uma única pessoa em diferentes personalidades conscientes. Em alguns casos, existe até mesmo uma personalidade dominante consciente de todas as outras e que sabe o que cada uma delas sabe, mas permanece desconhecida por aquelas. Cientificamente há uma grande quantidade de intrigantes analogias nas quais existem relações assimétricas de acessos entre um subsistema e um sistema abrangente tal que o sistema de maior hierarquia pode acessar informações adquiridas por meio dos subsistemas, mas não o contrário.

Possivelmente a mente consciente de Jesus de Nazaré seja concebida como um subsistema de uma mente mais ampla, que é a mente do Verbo. Tal compreensão da consciência do Verbo está presente na tradição de teólogos reformados como Zuínglio, que afirmava que o Verbo
continuava a funcionar fora do corpo de Jesus de Nazaré.

Idem, os aspectos divinos da personalidade de Jesus foram amplamente subliminares durante seu estado de humilhação. Desse modo, Jesus possuiu uma experiência de consciência humana normal, mas sua consciência humana foi apoiada por uma sobreconsciência Divina. É provável que podemos (normalmente!) trazer à consciência o que sabemos, se assim o desejarmos. Se Cristo é maximamente excelente no cognitivo, então ele também deve ter a capacidade de trazer à consciência o que ele sabe, mesmo que durante a sua jornada terrena ele voluntariamente se absteve de acessar o subliminar divino. Cristo pôde ter retirado de seu conhecimento subliminar, se ele tivesse escolhido fazê-lo, mas ele se absteve de fazê-lo, para assim ter uma consciência humana autêntica, ocasionalmente se expressando como homem, humilhando-se a si mesmo, obedecendo o que o Pai ordenara resignado ao propósito redentivo (ver Jo 3:11; 12:49). Elucida-se isso mais expressamente em função do Verbo ter-se feito "servo" (Fp 2:7), afirmando certa feita que "o servo não sabe o que faz o seu senhor" (Jo 15:15; Mt 20:28; Luc 22:27).

Após a glorificação de Sua humanidade foi manifesta mais explicitamente tamanha Divindade, de tal maneira que lemos declarações como a de Pedro, que possivelmente faz alusão a Seu conhecimento concernente foro íntimo de todos os homens (Jo.2:24,25). "O conhecimento que Jesus tinha dos homens era absoluto e solidário em virtude da encarnação. Ele conhecia os homens, de fato, com o conhecimento de Deus. Presumivelmente ele viu as imperfeições da fé que eles professavam” (F. F. Bruce - comentário NVI).

Não como antes de sua ressurreição (conferir João 16:30) onde tendo alcançado um vislumbre de tal onisciência os discípulos entusiasmados expressavam sua satisfação, como se estivessem contentes de entender algo de Suas palavras. Quão pateticamente manifesta isto tanto a simplicidade de seus corações como o caráter infantil de sua fé, não tendo compreendido ainda que estavam diante não apenas do “Filho de Deus”, o Nazareno, más do próprio Deus deles (como reconhecido mais adiante., cf. Jo. 20:28), O qual “os comprou com Seu próprio sangue” [mediante encarnação] (Atos 20:28).

Doravante, quanto ao entendimento dos apóstolos — pós ressurreição messiânica — no tocante a onisciência de Cristo, nos é recomendado como paradigma a passagem de Atos 1:24,25, onde o Dr. Lucas nos trás um episódio axiomático sobre o assunto:

"E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar."

Inspiradamente Lucas escreve em outro lugar: “Deus, que conhece o coração” (15:8). Claramente o contexto de Atos 1 demonstra que Pedro se refere ao Senhor Jesus (v. 21). Além disso, o verbo "elegeste" (v.24) aparece no v. 2 onde Jesus é o sujeito. Os apóstolos formulam e aplicam as qualificações para os dois homens, mas o Senhor conhece o coração deles e elege o sucessor para assumir o ministério apostólico no lugar de Judas Iscariotes (Lc. 6:13).

Jesus é aqui referido como Senhor. De fato, e isso não é contrário ao uso neotestamentário, conforme se vê, por exemplo, em Atos 2:21; 7:59, 60; 9:14; 22:16 e Apo. 22:20. O historiador romano Plínio, ao relatar o que sabia acerca da adoração dos cristãos, revela-nos que eles oravam a Cristo como a Deus. (Epist. x.97).

Destarte, sabemos que a palavra “Senhor”, quando se usa independentemente no Novo Testamento, quase sem exceções, significa O FILHO; e as palavras “revela-nos qual destes dois tens escolhido” são DECISIVAS (Veja também João 15:16 e 13:11). Os apóstolos são justamente mensageiros de Cristo: é Ele quem os envia e dEle dão testemunho (At 1:8). Aqui, portanto, temos o primeiro exemplo de uma oração oferecida ao Redentor exaltado, proporcionando assim, indiretamente, umas das provas mais fortes de Sua Divindade (ainda que os eleitos tenham sido um presente do Pai para com o Filho (Jo.17:6) isso não anula o fato de ter sido o Filho Quem os escolheu, como firma em Jo.6:70).

2 - Atos 1:6, 7 prova que Jesus não sabe o dia de sua volta ?

RESPOSTA:

Quanto a Atos 1: 6 e 7 é preciso ser lido com mais calma, sinceramente não entendemos a razão de alguém citá-los a fim de negar a onisciência do Cristo ressurreto. Perceba:

“Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? "Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade."

Note bem:

Jesus não se inclui no grupo dos que não tinham o direito de saber (discípulos), Ele diz: “não VOS compete conhecer”.. ele não diz de si mesmo, más fala PARA os discípulos. Jesus os repreende por sua limitada compreensão da extensão do reino de Deus, ensinando que devem evitar investigações sobre os tempos desconhecidos e as épocas futuras (ainda assim, havendo severas admoestações, religiões falsas tentaram ao longo do tempo, contudo, sem êxito).

Nessa oportunidade -  ainda conformado ao programa de salvação - O Verbo, como Filho, aponta para Seu Pai, verbalizando — de acordo tudo concernente o que outrora pré-estabelecido no conselho intratrinitário — Sua autoridade exclusiva quanto à tempos e datas, isso de maneira patentemente funcional (assim como também está escrito que o Verbo Eterno tem "um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo" em Ap.19:12, um nome que se entenderá em todo seu significado glorioso só quando a união dos santos com Ele e o conjunto, triunfo e reino dEle e deles, sejam perfeitamente manifestados na final consumação — não significando que as demais pessoas Divinas não tenham acesso a essa informação). A excepcionalidade da Primeira Pessoa na Divindade atinente "eventos futuros" — manifesta a nós como o Pai do Messias e por conseguinte de seus irmãos (Sl. 89:26,27; Hb.1:5; Rm.8:29) — compreende o programa de redenção outrora predeterminado pela Eterna Divindade Tri-pessoal em Sua economia, a fim de cumprir Seus desígnios incomensuráveis.

A harmonia é deslumbrante. Contudo, é preciso reconhecer que quanto a personalidade trina de Deus, ninguém realmente pode almejar ter "acesso total", visto que nenhum de nós o instruiu (1Co.2:16; Dt. 29:29).

3 - Na verdade, Jesus sabe sim de muitas coisas, afinal ele foi feito por Deus "Sabedoria" (1 Coríntios 1:24, 30).

RESPOSTA:

É curiosa essa afirmação, aparentemente parte do pressuposto de que Jesus é literalmente uma espécie de “qualidade subjetiva”, sendo esta a razão pela qual se pode inferir que o mesmo sabe “muitas coisas”. A dificuldade está justamente em tentar sustentar essa assertiva a partir da correspondência apresentada. Leiamos o texto de 1Co 1:24:

“Para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.”

Entende-se claramente, mediante contexto, que Paulo ao fazer menção de Cristo como a “sabedoria de Deus”, nessa oportunidade, não o descreve como um atributo que certifica por si mesmo conhecimento intrínseco, mas apenas alude a mensagem da cruz, como resposta de Deus aos homens, os quais consideravam-na loucura (v.17,18). Assim também, como o fato do mesmo ser mencionado como “o poder de Deus” não o torna uma coisa impessoal, pois sabemos que no caso daqueles que são chamados, o evangelho é “o poder de Deus”, porquanto gira em torno de Cristo, que é o tema central do evangelho. Isso Paulo já havia salientado, no décimo oitavo versículo deste capítulo. (Leia Rom. 1:16, sobre “o poder de Deus”). Na cruz, Jesus Cristo se tornou tanto o “poder” como a “sabedoria” de Deus, conforme lemos nos versículos vigésimo primeiro e vigésimo terceiro deste capítulo. O intuito de Paulo é evidente: Os judeus desejavam “sinais prodigiosos”, demonstração de poder espiritual. Os gregos desejavam elevadas manifestações de “sabedoria”. Ora, Cristo é ambas as coisas. Cristo, crucificado, é a solução que Deus apresentou tanto para os judeus que buscavam poder como para os gregos, que buscavam sabedoria. Isso porque os elevadíssimos propósitos de Deus se cumprem na cruz de Cristo, à maneira de Deus, e não conforme pensavam os gregos ou os judeus. O verso 30 segue na mesma direção. Segue-se portanto que, biblicamente falando, essa “interpretação” está equivocada.

4 - Assim, "todas as coisas" que Jesus sabe é algo relativo e não absoluto. Algo similar ocorre em 1 Coríntios 15:27 onde se diz que "todas as coisas" foram sujeitas a Jesus, mas ao mesmo tempo Paulo esclarece que "todas as coisas" não devem ser encaradas literalmente pois havia uma exceção óbvia, Deus, o Pai. Essa exceção encontra-se implícita na declaração de Pedro em João 21:17. — João 12:49, 50.

RESPOSTA:

A Bíblia nos apresenta o conhecimento de Jesus como um atributo peculiar de Deus, portanto, é absoluto, pois o atributo cognitivo de Deus é absoluto e exclusivo (1Rs 8:39; Ap.2:23; Rm.11:33,34; Sl.147:5; Hb.4:13). Isso posto, a tentativa de apontar similaridade entre essas passagens (1Co.15:27 e Jo.21:17) a fim de haurir qualquer silogismo consequentemente contrário à onisciência de Cristo é puramente tendenciosa e espúria. Possivelmente nesse argumento lamentavelmente é acometido a falácia da “falsa equivalência”, ou “inconsistência extrema”, que é o resultado comum quando uma similaridade anedótica é apontada como obtendo sentido igual, mas a reivindicação de equivalência não se sustenta pois a similaridade é baseada na ignorância dos fatos e seus sentidos como um todo. Veja:

“Se em 1Co.15:27 aparece "todas as coisas" como sendo subordinadas ao Filho com exceção de Deus, o Pai, logo, em Jo.21:17 não pode significar que Jesus sabe "todas as coisas" em absoluto.”

Tal "argumento" não é razoável lógica e exegeticamente, sendo um legítimo paralogismo. Demonstra-se facilmente sua fragilidade mediante análise da proposição considerando os textos sugeridos dentro do seu devido contexto.

Primeiramente, nota-se em 1Co.15:27 que quando se é feita referência a “todas as coisas sujeitas a Cristo” Paulo relata fatos quanto à gerência governamental de Deus Pai para com Seu Filho atinente a criação — o que de fato foi subordinada a Jesus como Rei. Logo, por conseguinte se conclui que deve haver a exceção do Pai, pois Deus não é criatura –  isenção essa certificada pelo apóstolo no texto. De tal maneira que deixa claro o que lhe fora revelado: “todas as coisas estão sujeitas ao Filho, exceto aquele que tudo lhe subordinou..etc”. Porém, em Jo.21:17 (1) não encontramos qualquer ambiente textual onde averbado exceção do Pai em relação ao Filho no que diz respeito o cognitivo - como incontestavelmente em 1Co.15:27, (2) em nenhum momento Deus, o Pai, é citado em todo capítulo (21) por nenhum dos personagens presentes, senão na narrativa (v.19) acerca da indicação de como seria a morte de Pedro, (3) nesse evangelho é feita descrição do episódio que nos remonta ao que Pedro acredita quanto ao saber de Cristo, o que não tem absolutamente nada a ver com o que Paulo escreveu aos coríntios, portanto, a suposta "similaridade" simplesmente não existe (é apenas fruto da imaginação do argumentador). Para mais, quando se afirma que Jesus “conhece todas as coisas” não quer dizer que “ninguém conhece tanto quanto sua pessoa”, más que tal conhecimento é maximamente Divino, em todos os aspectos, logo, não é possível outra conclusão senão a que o mesmo é Deus — cognitivamente semelhante ao Pai e ao Espírito Santo. Alguém a quem todas as criaturas no céu e na terra prestarão “louvor, honra, glória, e domínio pelos séculos dos séculos” (Ap. 5:13).

5 - A Bíblia também apresenta outros exemplos onde "saber todas as coisas" é algo que precisa ser harmonizado com o contexto e entendido de maneira relativa, como em Jó 12:2, onde Jó fala a seus amigos (v. 1)  que neles "reside todo o saber" (KJA), que eles são "os que sabem tudo" (TNM 2015). Obviamente tais pessoas não eram omnisciêntes como Jeová. Em 1 Jo:2:20 se diz que os cristãos que tem a unção do espírito santo 'sabem tudo' (ARC). Certamente ninguém concluiria que tais pessoas eram omnisciêntes por isso.

RESPOSTA:

De fato, “texto sem contexto é pretexto”, por isso deve-se considerar todo ambiente textual em que a passagem se encontra para se chegar a devida conclusão, contudo, isso foi exatamente o que não foi feito nessa oportunidade. A máxima hermenêutica não nos permite aderir a falácia da "falsa analogia”.

O que é isso?

A "falsa analogia" consiste em apoiar uma conclusão com base em uma analogia que parece óbvia. Dois fatos são comparados, destacando as semelhanças entre eles. No entanto, diferenças importantes são ignoradas, ocultando o fato de que essa comparação está incorreta do ponto de vista lógico. É o que acontece nesse “silogismo”.

Esse argumento ignora o fato de que em nenhuma parte das escrituras – AT e NT - se é afirmado que nos amigos de Jó e cristãos receptores da unção do Espírito “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”, como é averbado acerca de Cristo (Cl.2:3). Também não é considerado que os termos usados no Livro de Jó 12:2 não correspondem à João 21:17, nem tão pouco é avaliado o sentido aparente ao lermos 1João 2:20 de acordo contexto. Nessa oração observamos, em primeiro lugar, um problema de tradução. Os melhores manuscritos trazem o texto “todos vocês sabem”, enquanto outros manuscritos dizem “vocês sabem todas as coisas”. Essa última tradução deixa a impressão de que, por causa do dom do Espírito Santo, os cristãos podem saber "todas as coisas". Essa não pode ser a intenção de João, pois no versículo seguinte (v. 21) ele escreve: “Porque conhecem a verdade”. Assim, com base no contexto, concluímos que o objeto do saber não é “todas as coisas”, mas “a verdade”.
Em seguida, observamos que o verbo grego “oida” (saber) neste versículo e no próximo não está relacionado ao conhecimento adquirido, mas a um conhecimento inato. João deseja indicar que não está ensinando aos leitores novas verdades, mas lembrando-os daquilo que eles já sabem. “Não escrevo para vocês porque não conhecem a verdade”. Os leitores estão completamente a par da verdade em Jesus Cristo, de modo que João não precisa lhes falar do evangelho. Esse texto (1Jo.2:20) não tem absolutamente nada a ver com uma descrição de um atributo inerente aos cristãos. Logo, fica evidente que tal discurso é tendenciosamente falacioso.

Portanto, fica provado biblicamente que Jesus é Deus onisciente.

Nota do autor:
Particularmente, não creio em 3 "deuses", logo, não sou "triteísta". Não se trata da doutrina de que existem “três seres separados que possuem essa natureza [divina]”. Isso seria politeísmo. Os cristãos creem que existe um Deus tripessoal.

Ora, deve-se reconhecer que isso é alucinante, mas não equipare algo que seja assim com algo que seja improvável. A mecânica quântica é alucinante, mas isso não implica que ela é improvável enquanto explicação do mundo físico. Vivemos num universo tão alucinante que praticamente fica além da compreensão!

Acredito em Um Só Deus que possui três conjuntos distintos de faculdades cognitivas, cada um suficiente para a autoconsciência, intencionalidade e volição, e, portanto, para a pessoalidade (diferente do unitarismo) — Pai, Filho e Espírito Santo —, que na economia Divina  possui Sua própria funcionalidade (diferente do unicismo), que coexistem desde a eternidade (diferente do modalismo), são unas em essência e propósito (diferente do politeísmo), reais e ativas no mundo desde sua fundação (diferente do ateísmo) e defendida pelas Escrituras. Considerando isso, o Novo Testamento está repleto de claras e significantes evidências que apontam para a comprovação dessa sentença (cf. 1Co.8:6; At.5:3,4; 20:28; Jo.20:28..etc).
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CONSIDERAÇÃO QUANTO AO CONTEXTO HISTÓRICO:
É importante ressaltarmos que na cultura Judaica antiga, o casamento era quase sempre arranjado. Depois de o casamento ter sido arranjado, o noivo fazia os preparativos na casa de seu pai onde ele e sua esposa iriam viver. O costume dizia que o pai do noivo iria decidir quando os preparativos estavam terminados e a casa pronta para o jovem casal se mudar pra lá. O que significa que apenas o pai sabia quando seria o tempo do noivo se juntar a sua noiva. Mas isso não significa que o noivo não sabia o tempo certo. O casamento era um grande evento na época, bem maior do que atualmente, era um grande evento em comunidade. Isso significa que as pessoas tinham que se preparar antecipadamente para o evento, e reservar um tempo de seu trabalho diário. O dia tem que ser conhecido semanas antes, para que as pessoas pudessem ajustar seus horários para o casamento. Preparativos, como reserva de comida, também tinha que ser preparado com antecedência, já que não havia refrigeração ou supermercado. Todos sabiam quando o casamento estava chegando, no entanto, era costume em respeito ao pai e ao noivo dizer que apenas o pai sabia quando o noivo ficaria com sua noiva (comp. Isaías 61:10; Efésios 5:25-27 e Apocalipse 21:9).


Brício Lube


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