OS "CORPOS CELESTES" DESCRITOS NA PASSAGEM DE 1 CORÍNTIOS 15:40,41 SÃO CORPOS DE ANJOS E/OU ENTIDADES DIVINAS ? É CORRETA ESSA DEDUÇÃO ?


       INTRODUÇÃO 
O conteúdo desse capítulo difere consideravelmente do dos capítulos anteriores. Ali Paulo escreveu sobre problemas morais, éticos, culturais e eclesiásticos que os coríntios enfrentavam. Aqui ele discute a questão doutrinária da ressurreição. Esta doutrina era um assunto de debate na igreja de Corinto.
A ressurreição de Jesus Cristo não se tornou uma doutrina articulada na época (cerca de 55 d.C.) em que Paulo escreveu sua primeira epístola aos coríntios. Longe disso. Quando Pedro se dirigiu à multidão de judeus devotos no dia de Pentecoste, presumivelmente em 30 d.C., ele já proclamou a ressurreição de Jesus (At 2.24-36).
No século I, os saduceus negavam a doutrina de uma ressurreição física (Marcos 12.18-23; Atos 23.8); no entanto, não podemos provar que eles influenciavam os judeus que viviam na dispersão. Lucas revela que em Jerusalém um grande número de sacerdotes havia se convertido à fé cristã (Atos 6.7) e não se relacionavam com o partido minoritário dos saduceus. Presumimos, portanto, que em Corinto não os judeus cristãos, mas alguns dos gentios cristãos negavam a ressurreição dos mortos (v. 12). Alguns crentes coríntios, influenciados pelos filósofos gregos, não conseguiam ver a importância de uma ressurreição corporal e estavam negando sua realidade (v. 12). Paulo sabia que ele tinha de opor-se à negação deles.
Suspeitamos que Paulo não havia recebido uma pergunta por carta (ver 7.1, 25; 8.1; 12.1), mas que provavelmente ouvira um relatório sobre as idéias coríntias sobre a ressurreição de Cristo. Do mais longo capítulo dessa epístola, inferimos que para Paulo e para a Igreja universal, a doutrina da ressurreição era e permanece básica. Paulo ensina a doutrina da ressurreição de Cristo a partir das Escrituras e de numerosos relatos de testemunhas oculares (vs. 1-11). Entre as testemunhas oculares ele menciona os doze apóstolos, junto com Tiago e ele próprio. Ele também observa que um grupo de quinhentos crentes viram Jesus ressurreto. O testemunho dessas pessoas fortalece a fé dos leitores em Cristo. Doravante, iremos explicar os versos em questão para você, respondendo a sua pergunta. Boa leitura.

Leiamos atentamente o texto de 1 Coríntios 15:40,41:

"Há corpos celestes e há também corpos terrestres; mas o esplendor dos corpos celestes é um, e o dos corpos terrestres é outro. Um é o esplendor do sol, outro o da lua, e outro o das estrelas; e as estrelas diferem em esplendor umas das outras. [ARA]"

RESPOSTA:

Note contextualmente que nesses versos Paulo discerne os luminares ["corpos"]  celestes, isso é, o sol, a lua e as estrelas. Ao comparar essas esferas celestes com as criaturas que habitam a terra, ele observa diferenças tremendas. A primeira sentença desse texto é factual e auto-evidente: “E há corpos celestes e corpos terrestres”. O contraste é entre a magnitude dos objetos celestes e a dimensão minúscula dos objetos terrestres. O contexto dos versículos 40 e 41 demonstra que Paulo está falando em esferas celestiais (estrelas), e não em "corpos angelicais", que são invisíveis ao olho humano. Logo, não é correta a interpretação que compreende os "corpos celestes" descritos pelo apóstolo nessa oportunidade como "corpos de anjos" e/ou "corpos de entidades divinas". Perceba que a questão nessa analogia não está na grandeza ou miudeza de certos objetos, e sim no esplendor que cada um revela. A frase seguinte do versículo 40 também é factual: “Mas a glória dos corpos celestes é uma e a glória dos corpos terrestres é outra”. O brilho dos luminares celestes inspira reverência, mas a majestade das montanhas e florestas não pode ser subestimada. Cada um tem uma grandiosidade própria. Semelhantemente, o esplendor intenso do sol não pode ser comparado à claridade suave da luz refletida da lua. Assim como um planeta ou uma estrela difere de outro em seu brilho e grandeza na abóbada celeste, nenhum é sem importância. Deus criou-os todos com graus vários de grandeza. Em conclusão, perguntamos: "Se Deus cercou os luminares celestes de glória indescritível, não será também capaz de vestir os seres humanos com um corpo transformado e glorificado?"

E a resposta a nossa pergunta é: SIM!

Destarte, prevalece uma das mais conhecidas regras da hermenêutica:

"Texto sem contexto é pretexto para heresia"..

Bricio Lube - IPB de Teixeira de Freitas BA.

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