POR QUE JESUS MESMO APÓS SUA RESSURREIÇÃO GLORIOSA AINDA SE REFERE A SEU PAI COMO "MEU DEUS" (APOCALIPSE 3:12)? JESUS TEM DEUS NO CÉU ? COMO ENTENDER ?


    BREVE INTRODUÇÃO
Das sete igrejas, Sardes estava entre as de fervor espiritual mais baixo. Sua acomodação ao seu ambiente religioso protegia a igreja da perseguição, pois dificilmente alguém a notava. Sua vida inofensiva produzia paz religiosa com o mundo, porém resultou na morte espiritual aos olhos de Deus. Afora uns poucos membros fiéis que conservaram ardente o fogo do evangelho, a igreja propriamente dita estava gradualmente morrendo, como um fogo que lhe falta combustível e ar. Não obstante, entre as cinzas sem chama jaziam uns poucos rescaldos ainda vivos.
Doravante, gostaríamos de responder a essa pergunta analisando todo verso do capítulo [3] supracitado para melhor entendimento do leitor.
Por gentileza, acompanhe a explicação.

"Farei do vencedor uma coluna no santuário do meu Deus, e dali ele jamais sairá. Escreverei nele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu da parte de Deus; e também escreverei nele o meu novo nome". (Ap.3:12 - NVI)

"Coluna no santuário" — Num sentido não haverá templo na cidade celestial, porque não haverá diferença entre coisas sagradas e seculares, porque todas as coisas e todas as pessoas serão santas ao Senhor. A cidade será toda um grande templo, em que os santos serão não meramente pedras, como no templo espiritual atual na terra, mas sim serão todos eminentes como colunas: inamovivelmente firmes (não como Filadélfia, cidade muitas vezes sacudida pelo terremoto, Estrabão, 12 e 13), como os colossais pilares do templo de Salomão, Boaz (isto é, “nele há força”) e Jaquim (“será estabelecido”); somente que aqueles pilares estavam fora e estes estarão dentro do templo.

"meu Deus" — As expressões do Cristo para com seu Pai referindo-se ao mesmo como "meu Deus" - pronome possessivo - (como em outro lugar João 20:17) apenas evidencia mais uma vez o aspecto funcional da encarnação do Verbo ainda vigente no céu — agora com a sua humanidade glorificada. O episódio nos remonta ao que foi profetizado acerca do Filho que seria gerado e o relacionamento ímpar que teria com seu Pai (Sl. 89:26). À luz deste fato, a distinção é claramente evidente, a saber, que ele não diz: “nosso Deus”, más, "meu Deus". Devemos lembrar que o Verbo após assumir uma humanidade, possui duas naturezas (Divina e humana., cf. Cl. 1:19). Assim se explica a razão pela qual o mesmo se dirije a Seu Pai nesses termos mesmo após sua ascensão, a continuidade da sua feição humana que perdura para o cumprimento do propósito Divino, que é de tornar nossos corpos semelhantes ao do primogênito, e esse glorioso (cf. Cl. 1:15; Fp. 3:20, 21; 1Jo. 3:2). Portanto, o fato de sua humanidade — após Ele mesmo ter participado da sua ressurreição (cf. Jo. 2:19-22) — estar ainda hoje unida a sua Divindade de forma gloriosa no céu (cf. Cl. 2:9; 1 Tm. 2:5), elucida a causa de suas expressões genuinamente humanas ali. No programa de redenção, O Verbo, na condição de Filho gerado ressurreto (cf. Rm. 1:4; At. 13:33), continuará "submisso" a Seu Pai até a entrega do Reino ao mesmo (1Coríntios 15:28).

"daí jamais sairá" — Como os anjos escolhidos estão fora da possibilidade de cair, estando agora (como dizem os escolásticos) sob “a bendita necessidade da bondade,” o mesmo estarão os santos. A porta será fechada uma vez para sempre, tanto para encerrar em segurança os santos para excluir os perdidos (Mateus 25:10; João 8:35, com Isaías 22:23, o tipo, Eliaquim). Serão sacerdotes para sempre para Deus (Apocalipse 1:6).

“Quem não desejaria aquela cidade de onde nenhum amigo se ausenta e aonde nenhum inimigo entra?” [Agostinho em Trench].

"Escreverei nele o nome do meu Deus" — como pertinência de Deus em sentido especial (Apocalipse 7:3; 9:4; 14:1, e em especial 22:4), e portanto em segurança. Como o nome de YHWH (“Santidade ao Senhor”) estava na lâmina de ouro que portava sobre a fronte o sumo sacerdote (Êxodo 28:36-38), assim os santos em seu sacerdócio real celestial portarão Seu nome abertamente, como consagrados a Ele. Comp. a caricatura disto na marca que levam sobre o rosto os seguidores da besta (Apocalipse 13:16-17), e sobre a meretriz (Apocalipsr 17:5; com  20:4).

"o nome da cidade do meu Deus" — como um dos cidadãos dela (Apocalipse 21:2, 3, 10, a que se alude brevemente aqui por antecipação). A descrição completa da cidade, propriamente forma o término do livro. A cidadania dos santos agora está escondida, mas então será manifestada: terão o direito a entrar pelas portas na cidade (Apocalipse 22:14). Esta é a cidade que Abraão esperava.

"nova" — Gr., kainós. Não a antiga Jerusalém, que uma vez foi chamada “a cidade santa,” e que perdeu o nome. O grego néos expressaria que recentemente teve existência, mas kainós, que era nova e diferente, substituindo a velha Jerusalém desfeita assim como a sua política. “João em seu Evangelho, aplica à antiga cidade o nome grego de Hierosolyma. Mas no Apocalipse, sempre, à cidade celestial o nome hebraico de Hierousalem. O nome hebraico é o original e o mais santo; o grego é o recente e mais secular e político.” [Bengel].

"meu novo nome" — atualmente incomunicável, e só conhecido por Deus, para ser revelado para além e feito próprio do crente em união com Deus em Cristo. O nome de Cristo escrito sobre o crente, denota que ele é totalmente de Cristo. Gibbon, o incrédulo (Decline and Fall, ch. 64), dá um testemunho, a contragosto, do cumprimento da profecia a respeito de Filadélfia sob um ponto de vista temporal. “Entre as colônias e igrejas gregas da Ásia, Filadélfia está ainda erguida — uma coluna numa cena de ruínas — um exemplo agradável de que os caminhos da honra e da segurança podem com frequência ser as mesmas.”

Brício Lube - IPB Teixeira de Freitas BA.

Leia também:

"HAVERÁ ETERNA SUBORDINAÇÃO ENTRE AS PESSOAS NA DIVINDADE ?"


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