HAVERÁ ETERNA SUBORDINAÇÃO ENTRE AS PESSOAS NA DIVINDADE (1 CORÍNTIOS 15:24-28)?


INTRODUÇÃO
Essa passagem nos apresenta a consumação de todas as coisas, o clímax da obra messiânica de Cristo conforme programa de salvação, este, manifestamente acessível a nós a partir do evento encarnacional. Faremos a exposição do versículo nessa oportunidade considerando-o de forma integral para melhor entendimento em resposta à questão apresentada.

Boa leitura.

Lemos em 1 Coríntios 15:24-28:

"E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." [ARA]

 “Quando ele entregar o reino ao Deus e Pai” — (cf. João 13:3). O que parece estar em contradição com Daniel 7:14 - “O seu domínio é um domínio eterno, que não passará.” Na realidade, o entregar Ele o reino ao Pai, — isso como mediador — cumprida já a finalidade para a qual foi estabelecido, está totalmente em harmonia com a continuação eterna do reino. A mudança que então se efetuará será na maneira da administração, não no próprio reino; o Pai — também descrito como sendo o Deus que o Messias teria (Salmo 89:26) — terá relação direta com a terra, em vez da mediação por meio do Cristo, quando o Salvador tenha tirado tudo o que separe o justo Deus de um mundo pecaminoso (cf. Colossenses 1:20).

Na economia da Divindade o Pai deu ao Filho uma tarefa para fazer, que consistia em derrotar o pecado, vencer a morte e libertar o homem. Chegará o dia em que essa tarefa se cumpriu total e finalmente, e então, pensando em termos gráficos, o Filho retornará ao Pai como um vencedor que retorna ao lar e o triunfo do Deus Triúno será completo. Não se trata de que o Filho esteja sujeito a seu Pai como o estão um escravo ou um servo a seu amo. É o caso de alguém que cumpriu o trabalho que lhe foi encarregado, e que retorna coroado com a glória da obediência completa. Assim como o Pai enviou seu Filho a redimir o mundo, assim ao chegar o fim o Mesmo receberá um mundo redimido, e não haverá nada no céu nem na Terra que esteja fora do amor e do poder de Deus.

A glória de Deus, o Pai, é a consumação final do ofício mediador de Cristo, o Filho (cf. Filipenses 2:10-11). Sua co-igualdade eterna com as demais Pessoas na Divindade é independente de Seu ofício de intercessor, e anterior a ele (cf. 1João 1:2; Hebreus 9:14), contudo, a humanidade glorificada do Cristo continuará eternamente, embora será, como agora, dependente dAquele — como já expresso por sua primogenitura assumida mediante geração messiânica (cf. Mt. 1:20) — como arquétipo precursor e intermediário para efeito de toda filiação espiritual e/ou sobrenatural pela ressurreição (cf. Sl.2:7; 89:27; Rm.8:17,29; Fp.3:20; 1Jo.3:2; Cl.3:4; Ef.1:11). O trono do Cordeiro (já não como mediador) e de Deus, estará na cidade celestial (cf. Ap 22:3; 1Co 3:21).

quando houver destruído todo principado — Isto se efetuará durante o reino milenial dEle e Seus santos (Sl 110:1; Sl 8:6; Sl 2:6-9), passagens às quais se refere Paulo, baseando seu argumento nas palavras “todo” e “quando” do salmista, sendo esta uma prova da inspiração verbal da Escritura (veja-se Apocalipse 2:26-27). Enquanto isso, “reina em meio de seus inimigos” (Sl 110:2). É intitulado “o Rei” quando assume Seu grande poder (Mt 25:34; Ap 11:15, Ap 11:17). O termo grego que se traduz “destruir” significa “desfazer,” ou “destruir.” “Tudo” deve estar sujeito a Ele, quer sejam potências abertamente hostis como Satanás e seus anjos, ou reis e principalidades angélicas (Ef 1:21).

convém que ele reine — porque as Escrituras o predizem.

até que haja posto — Já não haverá mais necessidade de Seu reino mediador, estando já realizada sua finalidade.

todos os inimigos debaixo dos pés — (confira Lc 19:27; Ef 1:22).

O último inimigo a ser destruído — (Ap 20:14; Ap 1:18). Isto se aplica especificamente aos crentes (vv. 55-57); mesmo no caso dos incrédulos a morte fica desfeita pela ressurreição geral. Satanás trouxe o pecado, e o pecado trouxe a morte! Os dois, pois, serão destruídos (feitos completamente impotentes) na mesma ordem (v. 56; Hb 2:14; Ap 19:20; Ap 20:10, Ap 20:14).

todas as coisas sujeitou — inclusive a morte (comp. Ef 1:22; Fp 3:21; Hb 2:8; 1Pe 3:22. Diz-se “sujeitou’;” porque o que Deus disse é o mesmo como se já tivesse acontecido, tanto é assim verdade que será feito. Paulo cita o Salmo 8 em prova do declarado anteriormente: “Porque (está escrito) todas as coisas sujeitou …”

debaixo dos pés — Quer dizer, como estrado de Seus pés (Sl 110:1). Em perfeita e eterna sujeição.

quando diz — Ou seja, Deus, quem por Seu Espírito inspirou o salmista. A unidade da Trindade, e a unidade da igreja, serão simultaneamente manifestadas na segunda vinda de Cristo. Portanto, é mister que o próprio "Filho" também se sujeite a seu Deus e Pai, pois isso compreende a concretização do plano Divino, mas isso não será como ocorrerá com as criaturas, e sim expressando sua submissão conformada ao programa de redenção como bom Filho subserviente, findando-se sua subordinação voluntária não mais necessária.

Para que Deus seja tudo em todos” —  Assim como "Cristo é tudo e está em todos" (cf. Colossenses 3:11-NVI). Nem mesmo os santos agora percebem completamente de que Deus é seu “tudo” (Sl 73:25), embora assim o desejam; então, todos e cada um sentirão que Deus é o tudo deles. Não que Ele não o seja já, mas sim será então reconhecido por todos unanimemente como sendo Único. Agora há “muitos deuses e muitos senhores.” Então somente YHWH será adorado. A manifestação da unidade da Divindade trina será também simultânea com a unidade da igreja. Os crentes já são um em espírito, assim como Deus é um (Efésios 4: 3-6). Mas externamente há tristes divisões. Só quando estas tenham desaparecido é que Deus revelará plenamente Sua unidade ao mundo (João 17:21, João 17:23). Então haverá “lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor e o sirvam de comum acordo” (Sofonias 3:9).

Brício Lube — IPB Teixeira de Freitas BA.

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