"MARIA É MAE DE DEUS".  ESSA AFIRMAÇÃO É BÍBLICA ?


A ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) afirma em um de seus sites:
“Maria é Mãe de Deus (Theotókos), porque, por obra do Espírito Santo, concebeu, no Seu seio virginal, e deu ao mundo Jesus Cristo, o Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Ele, ao nascer da Virgem Maria, “tornou-se verdadeiramente um de nós”, fez-se Homem. Desse modo, mediante o mistério de Jesus Cristo, resplandece plenamente, no horizonte da fé da Igreja, o mistério da Sua Mãe. Por sua vez, o dogma da maternidade divina de Maria foi para o Concílio de Éfeso (431), e continua sendo para a Igreja, como que um selo de autenticidade no dogma da Encarnação, na qual o Verbo assume realmente a natureza humana, sem a anular, na unidade da Sua Pessoa”.[1]
RESPOSTA:

Diante da argumentação apresentada pelos ministros da ICAR, consideramos ser mister darmos uma resposta sobre o assunto que julgamos ser de fundamental importância para fé cristã, esta, baseada nas Sagradas Escrituras e não em tradições humanas (cf. Colossenses 2:8).

De primeiro momento, é bom ressaltar que essa expressão - “Mãe de Deus” - não existe na Bíblia. A mesma parte de uma inferência pouco fundamentada nas Escrituras, o que será devidamente exposto e explicado nessa oportunidade. Consideremos então que "Jesus de Nazaré" —  hominídeo gerado — é, o primogênito de Maria (cf. Lucas 2:7, indicando claramente que o mesmo não foi o seu único, más o primeiro filho), sendo assim, tornou-se verdadeiramente homem, nas palavras do apóstolo Paulo: "nascido de mulher" (cf. Gálatas 4:4). Entretanto, isso —  mediante providencia de Deus — compreende o aspecto messiânico da encarnação do Logos (cf. Mateus 1:20; Lucas 1:35), não sendo de modo algum a condição para uma eventual existência Divina da parte dAquele que, sem o qual, nenhuma existência possível tornar-se-ia um fato (cf. João 1:3). Ora, quando se lê que Maria é "mãe de Jesus" claramente se faz alusão à vida na carne do Logos, e ou, descendência davídica messiânica outrora profetizada com respeito ao mesmo (cf. Romanos 1:3), em outras palavras, não há qualquer vínculo entre a maternidade mariana e a existência pré-humana do Cristo como Deus eterno (cf. João 1:1; 1João 1:2). Destarte, aclamar que Maria é "mãe de Deus" - sem nenhuma garantia escriturística - talvez insinuando haver divinamente qualquer "dependência substancial" dAquele para com a mesma (não se sabe se propositalmente) — inevitavelmente a partir de evidente carnal argumento deducionista — torna-se totalmente equivocado tal raciocínio. Ademais, o fato de Maria ter sido o meio pelo qual a humanidade do Logos veio a ser não a torna Sua progenitora Divina. Outrossim, se ater a idéia de que Maria é "mãe de Deus" (por sentimento seja esse qual for) claramente é ir além do que está escrito, ou melhor, desconsiderar o que nos foi prescrito concernente ao assunto dando ouvido à fábulas, infelizmente. Por fim, segundo as Escrituras, a afirmação "Maria é mãe de Deus" como defendido pela igreja católica romana não faz sentido algum e soa forçosamente tendenciosa. Doravante, se cremos como disse Isabel referindo-se a Maria como "mãe de meu Senhor" (“A mãe de meu Senhor”, mas não “Minha Senhora” (cf. Lucas 20:42; João 20:28). [Bengel]), entendamos então como a Biblia de fato nos apresenta essa realidade e não como anseia o "coração católico" em detrimento da mesma — seja lá qual for a intenção. Não há dúvidas de que a virgem seria mãe do Messias (cf. Isaías 7:14), e que pela Sua morte salvaria seu povo dos pecados deles (cf. Mateus 1:21), contudo, a afirmação expressa por Isabel deve ser entendida como profetizado no Salmo 110.1, onde Davi - novamente “no Espírito” (Mateus 22.43, 44; Marcos 12.36) - profeticamente usa o título (“meu Senhor”) para descrever o Messias vindouro. Nada que justifique a pretensão católica Romana (tbm cf. 1Coríntios 12.3). Sugerimos ser menos deletério teologicamente nos referirmos a Maria como sendo "Mãe do Filho do Homem" (Daniel 7:13; Marcos 14:62) — se é que há alguma necessidade de atribuição de títulos a mesma além dos quais as escrituras a fizeram conhecida — más jamais "mãe de Deus", dado as razões apresentadas. Não queremos com isso dividir as naturezas do Redentor — como se houvesse mais que uma pessoa em seu Ser —, más explicar onde de fato ouve a participação de Maria nesse evento intitulado encarnação. Assim, fica patente que tal silogismo não possui nenhuma garantia bíblica nem sustentabilidade teológica.

Brício Lube, IPB de Teixeira de Freitas BA.

Fonte de pesquisa:

1 - https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/dogma/virgem-maria-e-verdadeiramente-mae-de-deus-filho-altissimo/#sdfootnote2sym).


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