DETONANDO FRÁGIL ARGUMENTO TJ COM BASE NO TEXTO DE JOÃO 1:3 — LUBE, Brício

Leiamos o texto na TNM edição 2015: "Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nem mesmo uma só coisa veio a existir. O que veio a existir" - João 1:3.

"ARGUMENTO" JEOVISTA:
No afã de tentar provar que a frase "sem Jesus, nem mesmo uma só coisa veio a existir" prova que Jesus é uma criatura, o argumento jeovista diz:
"Imagine que você diga sobre sua esposa: “sem ela, nada nesta casa foi comprado”, ou ainda “sem ela, nada do que eu tenho na vida foi conquistado” Por que você diria “sem ela” se você sempre tivesse estado “com ela”?
Justamente, a expressão “sem ele” indica que Deus esteve sozinho – e que nada do que foi feito se fez enquanto Deus estava sozinho, isto é, ‘sem o Logos’."
RESPOSTA CRISTÃ - Permita-me confessar que, se fosse esse o caso (visto que não encontramos qualquer episódio onde há tal afirmação da parte do Pai para com o Filho mas sim o registro do Apóstolo em seu prólogo a fim de exaltar o Verbo) obviamente eu diria: "sem ela, nada nessa casa foi comprado" — com relação a minha esposa — admitindo minha DEPENDÊNCIA para com a mesma para adquirir as coisas na casa e/ou qualquer outra coisa na vida. Eu diria "sem ela" para destacá-la! Distingui-la de tudo que foi comprado ou adquirido por NÓS. E que isso não seria possível sem a mesma.

Mas será que Deus teria dependido de uma criatura para criar tudo? Não né? Logo, a analogia jeovista é uma falácia sustentada por uma FALSA comparação absurda, pois põe em pé de igualdade a relação entre marido e esposa com a relação entre Pai e Filho na criação de todas as coisas QUE VIERAM A EXISTIR.

Vê-se que a expressão "sem ele" (em João 1:3) ratifica o fato de que Esse estava com Deus (revelado a igreja como "o Pai") antes de tudo que veio a existir ter sido criado/feito. Nada foi de fato criado sem o Verbo.

É ululante a verdade de que o Verbo — como bem expresso nesse verso — não pode ter sido o intermediário da criação de si mesmo (v.3, quem ler entenda), considerando ser impossível alguém ser criado ou "nascido" sem vir a existência (leia atentamente o verso 3 na TNM - 2015).

Sugerir — como insistem as testemunhas da Torre de vigia  — um suposto "nascimento" ou "criação" do Verbo no princípio (ver Jo.1:1), alegando ser um evento anterior à criação de "todas as coisas que vieram a existir" (v. 3), devido o mesmo, ser chamado  "primogênito de toda criação", é um absurdo lógico violentamente anacrônico, haja vista que toda idéia de LITERALIDADE com respeito a "primogenitura" do Verbo, compreende o evento encarnacional e ressurreição messiânica. Nesse sentido, é possível afirmarmos que é dúplice a primogenitura de Cristo: 1) Em seu nascimento terreno através do Espírito - assim também o primogênito de Sua mãe (Mt 1:20, 25; Lc.2:7); 2) Como a Cabeça da igreja, misticamente gerado do Pai, no dia de sua ressurreição (Cl 1:18; Hb 1:5; Rm 8:29; Ap 1:5). A filiação e a ressurreição são relacionadas da mesma maneira, ver Lc 20:36; Rm 1:4; Rm 8:23; 1Jo 3:2. Cristo por ressuscitar dentre os mortos é a causa eficiente e exemplar, por ser o modelo (Mq 2:13; 1Co 15:22; Rm 6:5; Fp 3:21) de nossa ressurreição, pois a ressurreição da “Cabeça” consequentemente inclui a dos membros. Isso posto, podemos também entender que o Messias “é o primeiro gerado diretamente do Espírito [Deus], assim como os seus irmãos são também gerados do Espírito (Mt.1:20; Jo 3:5; 1 Jo 5:18), sendo assim primogênito, isso é, o primeiro dentre muitos irmãos (Rm 8:14; Gl 3:26; 1 Jo 3:1,2) e o principal herdeiro dentre eles” (Rm 8:17; Gl 4:7). Assim, o termo traduzido como “primogênito” (em Cl 1:15) NÃO É LITERAL, mas denota que Jesus tem status especial associado a um primogênito — o que fora manifesto na plenitude dos TEMPOS. A intenção de Paulo por trás de sua descrição de Jesus como "o Primogênito de toda a criação" é um universo distante da interpretação ariana das testemunhas da Torre, que insistem que a palavra mostra que o Filho foi o "primeiro" de todas as outras coisas criadas; todo o contexto exige que o termo seja entendido no sentido hebraico como uma atribuição de prioridade de classificação ao filho primogênito que goza de um lugar especial no amor do pai — mas o diabo não deixa essa gente ver isso, lembra ? "o diabo cegou o entendimento dos incrédulos" (2Co 4:4). Embora alguns considerem este gen. como partitivo (primogênito que é parte da criação), tanto devido ao campo léxico de "primogênito" incluindo "preeminência sobre" (e não simplesmente uma ordem cronológica literal do nascimento) quanto a oração adverbial causal ("porque [ou] nele todas as coisas foram criadas") - fazem pouco sentido se mera ordem cronológica está em mente, é muito mais provável que esteja expressando subordinação. Além disso, embora muitos exemplos de subordinação envolvam substantivo principal verbal, nem todos são assim (note 2 Co 4:4, bem como At 13:17). O significado resultante parece ser uma confissão primitiva do senhorio de Cristo e, por conseguinte, sua divindade. Ele é o “princípio” (Ap 3:14; Cl 1:18)  — quer dizer, da nova criação. Não a primeira das criaturas como os arianos e unitários fazem agora, mas a fonte original da criação através do qual Deus trabalha. O Messias é o princípio da igreja dos primogênitos (Hb 12:23), como sendo Ele mesmo o “primogênito dentre os mortos” (At 26:23; 1Co 15:20,23). A Bíblia revela expressamente que Ele é a base ideal de toda subsistência, a fonte original e esfera de atividade como elemento condicional da vida de tudo que é criação (Colossenses 1:15-17). Aliás, propor a hipótese de um Deus maior gerando outro deus menor, seja lá onde for, soa forçosa e "deliciosamente GNÓSTICO" — Tjs não sabem o que isso significa. Aqueles que se utilizam desta via, além de se auto-proclamarem henoteístas (o que a Bíblia condena veementemente, visto que a fé cristã e monoteísta) demonstram total desespero em defesa de sua doutrina débil, outrossim, uma profunda ignorância com respeito a revelação Bíblica concernente a questão.

Decerto que negar a eternidade do Verbo - alegando ser Ele uma "criatura" - é ignorar o fato de todas as coisas criadas terem tido origem mediante atuação ativa do mesmo, sendo isso claro em todo NT (cf. Colossenses 1:16; Hebreus 1:2). Em João 1:3 o apóstolo afirma categoricamente que o Verbo é ETERNO. Vejamos:

Primeiro, é importante entendermos que quando termos como "todo", "tudo" ou "todas as coisas", aparecem sem a devida explicação aparente em um determinado texto, é evidente que devemos discernir relativamente seu alvo ou significado, trabalhando a partir do contexto e demais passagens que tratam do mesmo assunto de uma forma mais ampla para chegar a um denominador comum ou sentido que a expressão deva significar, bem como a expansão do seu sentido, por exemplo:
"O mundo todo jaz no maligno" (1 Jo 5:19)
Que mundo é esse ? Em que sentido "o mundo todo" está expresso? Não se diz (!), daí utilizamos o recurso. Todavia, considere o verso 3 e 4 do prólogo joanino, onde há no mesmo verso a devida explicação da expressão que aparece na oração, definindo ao que o apóstolo se refere utilizando o termo "todas as coisas", veja:
"Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele, nem mesmo uma só coisa veio a existir. O que veio a existir por meio dele foi a vida" - TNM 2015.
Quais são "todas as coisas" que aparece no verso ?
"as que vieram a existir"..., ou, "as que foram feitas".
Ou seja, quando se fala acerca da vida (ζωή/dzōē/existência) — que no texto compreende as coisas que vieram a existir ou foram feitas —, se faz referência a tudo quanto o Verbo divino foi instrumentalmente responsável pela sua origem, pois ele é antes de "todas as coisas", quais ?

“as que vieram a existir”, ou "foram feitas".
Perceba que esse fato o exclui definitivamente de tudo aquilo que “veio a existência”, ou "que foi feito", e não apenas daquilo que veio a existir “depois dele”, sendo uma prova incontestável de sua eternidade — lembre-se que somente o Todo-Poderoso é eterno. 
É óbvio que nenhum escritor bíblico ensinou que o Verbo participou da criação de tudo que veio a existência “depois dele”, ou que exista a possibilidade dele ter sido criado sem ter vindo a existência. Isso é coisa de intérpretes de poleiro.
Para mais, se o apóstolo quisesse ensinar que ele foi criado antes de “todas as coisas” nesse texto, ele teria escrito da seguinte forma: "depois dele” (gr. μετ αυτον), nem mesmo uma só coisa veio a existir"... Mas sabemos que não foi isso que ele escreveu. Portanto, não é isso que esse verso ensina, e não há ninguém que possa mudar isso. Assim chegamos a uma conclusão sólida acerca do significado de uma expressão ou termo em um determinado contexto.
Definitivamente, não há como negar a coigualdade ontológica entre as pessoas na Divindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

Assim, respondendo a pergunta jeovista de forma mais simples - Por que você diria “sem ela” se você sempre tivesse estado “com ela?" - teríamos: PELO SIMPLES FATO DE QUE O LOGOS SEMPRE ESTEVE COM DEUS E NUM CERTO PONTO DESSE RELACIONAMENTO DEUS DECIDIU CRIAR, e nada do que Ele criou, o fez SEM O LOGOS.

Brício Lube, IPB de Teixeira de Freitas BA.
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* Lembrando que marido e mulher são da mesma natureza. Ambos são humanos e, portanto, criaturas. A comparação jeovista é tão medíocre que compara a relação interdependente de duas criaturas, em que uma depende da outra para adquirir algo, com a relação entre o Criador e uma suposta criatura, onde o Criador não dependeria em nada de sua criatura. Se essa comparação não se preta nem para ajudar o próprio argumento jeovista, quão mais terrível seria para apoiar o argumento cristão. Outro erro gritante da comparação é que põe um relacionamento eterno ao lado de um que não é eterno. homem precisou casar para se tornar o marido, e a mulher também para se tornar esposa. Mas nada na Bíblia ensina que Deus se tornou Pai com o criação do Logos. 

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