EXISTEM APÓSTOLOS HOJE EM DIA?


De uns anos para cá, surgiu uma grande novidade entre aqueles que semeiam ventos de doutrina no seio da Igreja de Jesus Cristo: Os apóstolos. Do ano 100 até o século XX, a Igreja de Cristo DESCONHECEU homens com a função ou títulos de apóstolos. Então, com que base bíblica alguns têm se autodenominado, ou até buscado à custa de amizades, a sigla AP antes do nome?

As aberrações começam com a definição da palavra apóstolo. No afã de legitimar sua ordenação ao apostolado, afirmam: Apóstolo é uma pessoa enviada para executar uma função na Igreja de Cristo. Mas isso é ridículo! Qual dicionário do Novo Testamento Grego diz isso? Se assim fosse, todos os que têm a função numa igreja seriam apóstolos.

Outros também comentam: Se a Igreja é apostólica, ela tem que ter apóstolos hoje. O problema é que tem: Aqueles que nos deixaram doutrinas na Bíblia. A Igreja é apostólica porque persevera no ensino dos apóstolos escolhidos por Jesus até hoje (Atos 1:2; 2:42), aqueles mesmos que davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus (Atos 4:33), através dos quais o Espírito Santo era concedido pela imposição das mãos (Atos 8:18), aqueles que tomavam decisões por toda a igreja (Atos 16:4), aqueles que eram considerados como condenados à morte para serem espetáculo para o mundo (1 Coríntios 4:9), que eram considerados acima dos profetas e mestres por sua autoridade universal sobre a Igreja de Cristo (1 Coríntios 12:28), aqueles a quem Jesus apareceu (1 Coríntios 15:7), aqueles sobre os quais, com seus ensinos, somos edificados (Efésios 2:20), àqueles a quem o Espírito Santo revelou mistérios de Deus (Efésios 3:5), aqueles que receberam o mandamento do Senhor e Salvador (2 Pedro 3:2), aqueles cujos nomes estão escritos na Nova Jerusalém. (Apocalipse 21:14) Portanto, somos uma igreja apostólica por isso. 

Alguns raciocinam o seguinte: Se a Bíblia afirma que Deus deu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, e ainda outros como pastores e mestres (Efésios 4:11), então a Igreja precisa hoje também ter esses cinco pilares, incluindo apóstolos. Mas essa é uma interpretação ridícula! Por quê? Porque os apóstolos mencionados aqui são os doze e Paulo, os quais foram testemunhas da ressurreição de Cristo, e possuem autoridade UNIVERSAL. Ou seja, toda a Igreja de Cristo está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. (Efésios 2:20) Então, no contexto da Carta aos Efésios, Paulo está falando desses apóstolos, sobre os quais toda a Igreja de Cristo está edificada. Portanto, não podemos usar um texto que fala dos apóstolos com autoridade universal para justificar a existência de apóstolos com autoridade local, ou apenas numa denominação.

Outro argumento que se usa é o caso de Matias. Com a exclusão de Judas Iscariotes dos Doze, Matias foi escolhido por sorteio para ocupar o lugar do Traidor. Então, raciocinam: O grupo dos apóstolos não é fechado, mas todo aquele que é escolhido pela igreja para ocupar a função ou título de apóstolo não está em confronto com as Escrituras. Mas esse argumento é um perfeito exemplo de imbecilidade e imprudência bíblica, pois remove do texto bíblico o requisito imposto pelos próprios onze apóstolos até então, que foi: Assim, é necessário que dentre os homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós ele foi elevado ao céu, um deles se torne conosco testemunha da sua ressurreição. (Atos 1:21, 22) Isto significa que Matias foi considerado apóstolo, entre os doze, por ter convivido com os onze e sido testemunha da ressurreição de Cristo. Por isso, essa narrativa não pode ser usada para justificar apóstolos entre nós, já que eles não conviveram com aqueles onze, muito menos foram testemunhas da ressurreição de Cristo.

Outro texto que se valem para que haja apóstolos entre nós é o de Atos 14:14. Lemos ali:  Quando os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isso, rasgaram suas roupas e puseram-se no meio da multidão, gritando. (Atos 14:14) Então, raciocinam: Barnabé não fazia parte dos doze, logo, há outro tipo de apóstolo, aceito pela igreja, para cumprir-se uma missão. Assim também, hoje há apóstolos entre nós para cumprirem uma missão. Mas esta interpretação é também ridícula! Por quê? Porque o contexto mostra que foi o Espírito Santo que, através da Igreja de Antioquia, escolheu Saulo e Barnabé para a missão de pregar o evangelho aos gentios. E Paulo, genuinamente apóstolo, estava com Barnabé. O mesmo caso diz respeito a Andrônico e Júnias, sobre os quais a Bíblia diz: Os quais se destacam entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim. (Romanos 16:7) Ou seja, Andrônico e Júnias se destacavam entre os apóstolos, portanto, viveram no contexto em que havia apóstolos de Cristo. Sendo assim, porque usar Atos 14:14 e Romanos 16:7 para apoiar a existência de apóstolos hoje, se esses apóstolos não vivem entre os apóstolos de Jesus, os Doze e Paulo? E note que no caso de Andrônico e Júnias se diz que eles já estavam na fé antes de Paulo. Isto indicaria que provavelmente eles poderiam ter sido testemunhas da ressurreição de Cristo também.

Ainda sobre Atos 14:14, outros ainda vão dizer que os apóstolos de hoje são aqueles enviados pela igreja para realizarem missões. Mas o texto de Atos 13:1-3, onde explica porque Atos 14:14 chama Paulo e Barnabé de apóstolos, menciona que foi o Espírito Santo quem disse à Igreja para Barnabé e Saulo (Paulo) realizarem uma missão como apóstolos. Lemos que o Espírito Santo disse: o Espírito Santo disse: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra para a qual os tenho chamado. Então, depois de jejuar, oraram e lhes impuseram as mãos; e deixaram que partissem. (Atos 13:2, 3) Isto significa que, se não foram constituídos apóstolos pelo próprio Jesus, esses apóstolos, em missão especial, foram designados como tais porque a igreja OUVIU a vós do Espírito Santo, e não apenas isso, mas os profetas e mestres (Atos 13:1), evidentemente líderes naquela igreja, oraram, jejuaram e impuseram as mãos sobre aqueles apóstolos designados para uma obra especial. Com isso em mente, temos algumas perguntas: 

(a) Por que usar um texto que fala de ser considerados apóstolos devido a uma única missão, que durou dois anos apenas, e que teve a voz do Espírito Santo mais a aprovação dos líderes da Igreja em Antioquia, e que teve um dos apóstolos, Paulo, encabeçando a missão, como pretexto para haver apóstolos hoje? 

(b) Que apóstolo entre os Doze e Paulo que esteve com o primeiro que se intitulou apóstolo no século passado, quebrando um jejum de quase 1900 anos da Igreja sem apóstolos? 

(c) Por que é que a grande maioria dos apóstolos de hoje fundam suas próprias igrejas, porque não deram certo nas outras e, portanto, se consideram apóstolos antes mesmo de terem uma igreja que os comissionam como apóstolos, com lideres jejuando, orando e, impondo as mãos sobre eles, os enviando?

Sobre esta última pergunta, já vimos cristãos equivocados afirmarem as maiores besteiras que poderiam ser imaginadas. Justificando seu apostolado, alguns disseram: 

(a) Fui ordenado pastor na rodoviária, quando um casal de apóstolos (um apóstolo e uma apóstola) me ungiu apóstolo. 

(b) Eu estava orando a Deus, pedindo direção, e quando abri a Bíblia, caiu em Atos 13:1-3. Então, naquele momento, Deus me ordenou apóstolo.

(c) Eu orei a Deus para saber se eu deveria ser apóstolo, e um bicho caiu na Bíblia mexendo a cabeça de cima para baixo, como que dizendo: Sim. 

Prezado leitor, as bobagens que nós já colecionamos são tantas que preferimos parar por aqui para evitar dores de barriga, de tanto riso que esta matéria poderia causar.

Portanto, terminamos afirmando nossa nota de repúdio a todos aqueles que se intitulam apóstolos. Não concordamos, pois jamais viram a Cristo ressuscitado, nem foram comissionados para uma obra especial ao lado de um apóstolo comissionado por Cristo, nem estiveram entre os apóstolos de Cristo. Tais aventureiros, mal intencionados ou não, buscam ter uma autoridade que não possuem. Sem contar que a maioria desses apóstolos dizem que o são porque apenas foram comissionados pela Igreja para abrirem igrejas, mas essa a função de missionários, e ainda por cima usam o exemplo de Paulo, um apóstolo testemunha da ressurreição de Cristo, que abriu várias igrejas, para justificar o ato de ser um apóstolo fora da categoria da qual Paulo pertence. Ou seja, é uma incoerência. 

Outro problema é que estes apóstolos que não são apóstolos no fundo agem como pastores e líderes da Igreja, quando na verdade Barnabé, por exemplo, foi enviado por líderes da Igreja (Atos 13:1, 3). Então, como podem reivindicar a função de apóstolo na acepção de serem enviados para abrir igrejas, se na maioria dos casos são líderes de suas denominações? Isto parece uma grande piada de mau gosto. É o triste retrato da realidade da igreja hoje. E quando os questionamos, ainda mostram a língua para a gente. - Pr. Fernando Galli.

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