O APOCALIPSE E VOCÊ - O CONCEITO CRISTÃO SOBRE A IGREJA E SEU CABEÇA, JESUS CRISTO. - 1:9-20.

Depois de apresentar o título e assunto do livro de Apocalipse (1:1-3), indicar sua audiência e saudá-la com a graça e a paz do Deus Triúno, João relata com riqueza de detalhes como Jesus apareceu a ele. Qual era a finalidade desta visão simbólica e como ela nos ajuda a ser cristãos fiéis a Deus Pai, Filho e Espirito Santo?
(1:9) Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.(1:10) No dia do Senhor, eu me encontrei em espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta,(1:11) que dizia: Escreve em um livro o que vês e envia-o às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.(1:12) Virei-me para ver quem falava comigo. Ao me voltar, vi sete candelabros de ouro(1:13) e, no meio dos candelabros, havia alguém semelhante a um ser humano, vestindo uma túnica longa e uma faixa de ouro na altura do peito. (1:14) Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos como a neve, e seus olhos eram como uma chama de fogo.(1:15) Seus pés eram parecidos com metal brilhante, refinado em uma fornalha, e sua voz era como a voz de muitas águas.(1:16) Na mão direita ele segurava sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. Seu rosto brilhava como o sol no seu fulgor.(1:17) Quando o vi, caí a seus pés como se estivesse morto. Então, ele pôs a mão direita sobre mim e disse: Não temas, eu sou o primeiro e o último.(1:18) Eu sou o que vive; fui morto, mas agora estou aqui, vivo para todo sempre e tenho as chaves da morte e do inferno.(1:19) Portanto, escreve as coisas que tens visto, tanto as do presente como as que acontecerão depois destas.(1:20) Este é o mistério das sete estrelas, que viste na minha mão direita, e dos sete candelabros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas.

Comentário - Para quem Jesus se revela de uma forma tão especial nesta visão simbólica? Para João, seu discípulo amado. Ou para o Apóstolo João. Visões deste tipo demonstram um propósito especial. Por exemplo, foi para um propósito especial que Jesus apareceu para o perseguidor da Igreja, Saulo, que diante de tal acontecimento, foi convertido a Cristo, tornando-se Paulo, o apóstolo das nações, e escritor de treze cartas inspiradas no Novo Testamento. (Atos 9) Então, você poderá se perguntar: 'Mas então, como nunca vi Jesus numa visão, será que ele não tem nada de especial para mim?' Se você é realmente convertido a Jesus, ele fez uma obra em você muito maior e mais especial do que lhe aparecer numa visão. Ele lhe salvou do pecado e da morte. E enquanto salvo, temos muito de especial para fazer na obra do Senhor. (1 Coríntios 15:58) João teve muito o que fazer em sua caminhada cristã. Não foi por nada que se encontrava, no momento da revelação apocalíptica, na ilha de Patmos, preso, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. 

João diz a seus destinatários que era companheiro deles na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus. É assim que devemos tratar nossos irmãos em Cristo. Quando eles sofrem, nós sofremos juntos com eles. Estamos como que reinando aqui na terra para representá-lo e proclamá-lo. Em meio a todas as dificuldades, o que distingue o cristão dos não-salvos é a perseverança. É uma marca indelével do verdadeiro crente. (Mateus 24:13) Ela torna perceptível toda vida transformada pelo Espírito Santo quando enfrenta provações.

A seguir, João escreve que veio a estar em espírito no dia do Senhor, podendo se referir a um domingo, num futuro indeterminado. Se em espírito for uma alusão ao Espírito Santo, exalta-se aqui a perfeita união entre Jesus e o Espírito Santo em revelar tudo Deus pretendeu a João. Se em espírito não for uma alusão ao Espírito Santo, trata-se de um meio de se indicar sua condição de êxtase espiritual nas mãos de Deus. Muitos buscam desenfreadamente essas experiências para ter momentos parecidos com os de João. Cuidado! Nossa mente é fértil. Você jamais lerá nas Escrituras que todos os apóstolos tiveram visões assim. Deixe Deus decidir, quando intervém na história humana, quem terá estas visões. Você não precisa chamar a atenção do Todo-poderoso. Mas esteja certo de algo: Jesus se revela a nós através da Palavra de Deus, a Bíblia, e na sua Igreja, através dos membros dela. Vemos Jesus nas Bíblia e no coração de cada crente verdadeiro. Isto nos é suficiente para saciar nossa fome do místico e do sobrenatural. 

Ao ver Jesus, João recebe a ordem para escrever tudo o que lhe seria revelado e que enviasse para as sete igrejas da Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. O cristão não precisa ver Cristo no dia do Senhor para receber ordens dele e lhe obedecer. Todas as ordens de Jesus que Deus achou necessárias para nós foram postas por escrito na Bíblia. Não entendo porque muitos buscam a experiência sobrenatural para ouvir de Jesus palavras inefáveis quando mal conhecem a Lei do Cristo e muito menos a praticam. Nada mais do que uma forma de dar mais valor à novidade do que o essencial e suficiente já nos revelado.

Sobre a descrição que João faz de Jesus, temos muito que aprender e praticar. Jesus se revela com roupas régias, que indicam sua autoridade. Sua aparência exaltava nossa adoração que a ele devemos prestar, pois João vê Jesus da mesma forma como Daniel descreve a Deus em sua visão: vestes brancas como a neve e seu cabelo branco como a lã. (Daniel 7:9) Linda descrição! Jesus é visto por João como na semelhança de um homem, mas com vestes de Deus. (Apocalipse 1:13) Você crê que Jesus é perfeitamente Deus e perfeitamente homem? Conhece a doutrina da Trindade e sabe defendê-la diante dos hereges que a questionam? 

Os olhos de Jesus são descritos como chama de fogo. Jesus é a presença de Deus, que se manifesta muitas vezes em fogo, como quando Ele apareceu a Moisés através de uma sarça que ardia em fogo. (Êxodo 3:2) Por isso, João também descreve o rosto de Jesus como brilhando como o sol em seu fulgor. (Apocalipse 1:16) E como Deus, nada escapa dos olhos de Jesus. Tudo está diante dele, e nenhuma treva pode ocultar algo dele. O problema é que, às vezes, agimos como que se pudéssemos pecar enquanto Jesus pisca, como se suas pálpebras nos separasse de seu olhar. Pura tolice. Perdoa-nos, ó Deus, em nome de Jesus. 

E os pés de Jesus são vistos como um metal brilhante. Tudo indica uma forma de simbolizar o fato de Jesus ser o reflexo da glória de Deus, da cabeça aos pés. (Hebreus 1:3) Podemos refletir o brilho da glória de Deus? Não de modo perfeito como Jesus o faz, mas quando nossos pés são felizes ao anunciar Cristo, Ele é glorificado! - Romanos 10:15.

De sua boca, sai uma voz como que de muitas águas e uma espada afiada de dois gumes. Esta espada é a Palavra essencialmente verdadeira de Jesus. Jesus é a verdade (João 14:6) e só Deus é a verdade (Romanos 3:4); Jesus é a Palavra ou o Verbo de Deus (João 1:1) e Ele próprio diz: "A tua Palavra é a verdade". (João 17:17) Que tolos somos quando deixamos de lado os ensinamentos e as revelações de Jesus, como Palavra de Deus, poderosa e afiada como uma espada de dois gumes, para penetrar em nosso íntimo e nos ensinar, corrigir, repreender, disciplinar e nos capacitar para toda boa obra.(Hebreus 4:12; 2 Timóteo 3:16, 17)! Sua palavra é poderosa como o mar, o qual insistentemente cumpre o seu papel. Infelizmente, a maioria dos crentes encara a palavra de Jesus como um riacho, raso e quase secando. Só se lembram dele quando a sede aperta. A voz de Jesus é descrita como forte, como de trombeta (Apocalipse 1:10), poderosa. Mas, quantas vezes, em meio a nossos pecados, ela se torna uma cornetinha, que de longe chega a nosso coração em meio da orquestra do nosso ego. Somos assim. Perdão Jesus!

Na visão, João vê Jesus em meio a sete candelabros de ouro (Apocalipse 1:12, 13) e na sua mão direita sete estrelas. Isto tem a ver com a Igreja, e deve aumentar nossa gratidão a Cristo por sermos parte dela. O próprio Jesus revela a João o mistério desses símbolos. Segundo Ele, as estrelas são os anjos das sete igrejas e os sete candelabros são as sete igrejas. (Apocalipse 1:20) Estes anjos não podem ser anjos celestiais, pois João escreve a cada anjo de cada uma das sete igrejas. (Apocalipse 2:1, 8, 12, 18; 3:1, 7, 14) Seria um absurdo escrever cartas para anjos. Assim, os anjos das sete igrejas representam os pastores responsáveis por elas. E como aprenderemos, as sete igrejas tinham seus problemas sérios e, com certeza, seu pastores também. Já falou mal dos anjos, ou mensageiros de Deus, que pastoreiam o rebanho de Deus e zelam por sua vida? (Atos 20:28-32; 13:17) Tem você sido um fardo para eles? Quem os agride com palavras e ações, agride a Deus.

Interessante, também, é a reação de João, diante de Jesus. Então, ele cai aos pés dele como se estivesse morto. E aquele que convida pessoas para irem até ele e encontrarem revigoramento para suas almas (Mateus 11:28-30) toca em João e lhe diz não temas, eu sou o primeiro e o último. Em outras palavras, eu sou o Deus Verdadeiro. Diante de Deus, não tememos nada! Ele tem controle sobre tudo, porque Ele preexiste a tudo. Então, Jesus, enquanto Deus, é o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.(Apocalipse 22:13) Mas como homem, morreu por sua Igreja (Efésios 5:25), e ressuscitou, e vive para todo o sempre. Ele é a ressurreição e a vida. (João 11:25) É o corpo ressuscitado e glorioso de Jesus que João vê. É o único mediador entre Deus, o Pai, e os homens, Jesus Cristo, homem. (1 Timóteo 2:5) Ele tem as chaves da morte e do inferno (hades, em grego). Ter a chave sobre estas forças poderosas, morte e inferno, simboliza o poder de Jesus sobre elas. (Veja o comentário de Apocalipse 20:14) Ele faz com a morte e o inferno o que bem entende. E o destino da morte e do inferno é o lago de fogo, ou seja, a morte (como estado de quem está apartado de Deus), e inferno (o local reservado para eles) - ambos personificados aqui, serão lançados no lago de fogo, a segunda morte. (Apocalipse 20:14) Um símbolo do destino final e eterno dos que não foram salvos pelo sangue de Cristo e julgados para sempre. Este é o Jesus da Igreja! O Todo-poderoso Deus, na Pessoa do Filho! Não tenhamos medo dele, mas temor reverente!

Depois disso, João é instado por Jesus a escrever tudo o que tem visto (passado), tanto as coisas do presente (presente), como as que aconteceriam depois (futuro). De fato, o Apocalipse sempre se cumpre, em escala maior ou menor. Por exemplo, as mensagens enviadas às sete igrejas da Ásia não servem apenas para elas, pois sempre ensinaram o povo de Deus a imitarem os bons exemplos delas e a evitarem os erros delas. Embora em todas as épocas da história da Igreja Cristã o Apocalipse tem cumprimentos maiores e menores, o clímax de tudo é o retorno glorioso de Jesus, ímpar, ainda por vir. Como estamos aguardando a volta de Jesus? Muitos se contentam com a interpretação de que Cristo volta para quem morre. É um interpretação bem poética para a escatologia em Apocalipse. Serve, talvez, para lidarmos melhor as dificuldades de interpretar este livro. Embora seja verdade que Cristo volte para quem morre como salvo, pois passa-se a estar com Ele no paraíso (Lucas 23:43), não é deste retorno glorioso de que fala o Apocalipse de João. Trata-se da volta para julgar os vivos e os mortos e dar vida eterna, em corpos incorruptíveis, aos salvos, e morte espiritual eterna aos condenados. 

Como conclusão, convido você a orar pela Igreja de Cristo. Toda ela está nas mãos dEle, e Cristo está entre e com todos os candelabros, ou seja, todos os que a pastoreiam, ensinando-os, através do Espírito Santo a cuidar do rebanho de Deus, o Corpo de Cristo. Conforme veremos nas lições seguintes, os problemas de cada uma das sete igrejas da Ásia são um release dos problemas vividos por nossas igrejas cristãs. Entenda que a Igreja de Jesus, como corpo de salvos, é indestrutível, intocável, mas as igrejas, como comunidades, têm sofrido ataques de todos os lados, tanto das forças espirituais malignas como de seus representantes terrenos - toda forma de anticristo presente e atuante em nossos dias. Façamos nossa parte em participar da edificação espiritual uns dos outros, para a glória de Deus. - Fernando Galli.

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