TESTEMUNHAS DE JEOVÁ - É PECADO PARTICIPAR DA POLÍTICA?

Você sabia que as TJs anulam o voto onde ele é obrigatório? Sim, anulam sob pena de serem expulsas da organização a que pertencem em caso de desobediência. Por que elas adotam este proceder? Possuem, de fato, base bíblica? Será que as justificativas e argumentações delas se sustentam mediante uma refutação bíblica?

A TJ, cujo nome é Rubens Dantas de Oliveira (RDO), proprietário do Site Tradução do Novo Mundo Defendida, no afã de defender que não devemos ser políticos, comenta:
RDO -  "O Apóstolo Pedro falando de Cristo  escreveu:“Cristo sofreu por vós, deixando-vos um modelo para seguirdes de perto os seus passos.” (1 Pedro 2:21)"
FERNANDO GALLI - Não há dúvida que Jesus Cristo deixou um modelo para o imitarmos, mas em que texto da Bíblia Jesus disse que até a volta dele os cristãos não deveriam fazer parte da política? Em lugar nenhum! E diga-se de passagem, Jesus havia dito que a cerca do dia e da hora da volta de Jesus, nem os anjos do céu, nem Jesus como homem sabia, mas apenas o Pai. (Mateus 24:36) Mas a seita do Sr. Rubens Dantas de Oliveira previu a volta de Jesus para 1914, 1925 e 1975. Que belo exemplo em seguir de perto os passos de Jesus.
RDO - "Em 1 João 5:19 lemos : “O mundo inteiro jaz no poder do maligno.” Em Lucas 4:4 Satanás é citado como oferecendo por político a Jesus e dizendo: “Por que me foi entregue e eu dou a quem eu quiser”. O maligno oferece a Jesus todo sistema político humano em troca de um ato de adoração. Jesus recusou. Sua postura não mudou com o passar do tempo, pois lemos em João 6:15 a respeito de um incidente relacionado com política. Jesus estava se tornando poderoso aos olhos das pessoas que presenciavam seus milagres e havia uma grande  quantidade de pessoas, sim,  massas de gente seguindo-o. O que aconteceu então? Lemos:
““Sabendo que estavam para vir e apoderar-se dele para o fazerem rei, [Jesus] retirou-se novamente para o monte, sozinho”, diz João 6:15. Jesus não deixou dúvidas quanto a sua posição. Recusou-se firmemente a se envolver na política de sua nação. Ele nunca mudou sua atitude, e disse que seus seguidores deveriam imitá-lo.".
FERNANDO GALLI - O fato de o mundo inteiro estar no poder do maligno não significa que não devemos participar da política. Se Deus condenasse participar da política, como entender José foi Primeiro-Ministro no Egito? E que Sadraque, Mesaque e Abdenego ocuparam junto com Daniel postos políticos em Babilônia?

Mas o Sr. RDO afirma que isto não vale para os Cristãos porque Jesus, ao perceber que a multidão queria fazê-lo Rei, correu. Mas por que Jesus correu? Porque, conforme ele mesmo disse, o Reino dele não era deste mundo. (João 18:36) Só faltava Jesus querer ter sido rei aqui na terra se o Reino dele era celestial! Quanta ignorância de quem usa este texto para condenar quem participa da política!

As TJs de plantão dir-me-ão: "Mas como se pode participar da política se Satanás ofereceu a Jesus todos os reinos do mundo em troca de um ato de adoração? Se estes reinos não pertencessem ao Diabo, Jesus teria dito que eles não lhe pertenciam, mas Jesus não o fez, portanto, é pecado ser político."

Se é pecado, expliquem-nos por que José, Sadraque, Mesaque e Abdenego, e Daniel participaram de cargos políticos com a aprovação de Deus? Não conseguem, não é mesmo? Vamos, TJs de plantão! Coragem! Refutem-me!

Quanto a Satanás ter oferecido a Jesus todos os reinos da terra, é óbvio que ele estava mentindo. Ele é o Pai da mentira! Ele tinha oferecido a Eva ser igual a Deus em troca de ela comer da fruta. Quanto a Jesus, ele nem negou e nem confirmou que os reinos fossem do diabo. O foco era a resposta: Expulsar o diabo dali e adorar somente a Deus. (Mateus 4:10) Portanto, quando alguém bater na porta da sua casa para ensinar a mesma mentira do diabo, de que todos os reinos são dele, faça o mesmo que Jesus fez: Mande o falso profeta embora e adore a Jeová.

Outras ainda dizem: "'O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado e porá fim a todos estes reinos." (Daniel 2:44) Portanto, é pecado ser político!" Sim, quando Deus destruir todos os reinos na terra, será pecado ser político. Mas enquanto isto não acontecer, não é pecado, pois o próprio autor das palavras de Daniel 2:44 era um político em Babilônia.

Vamos, TJs, coragem! Refutem-me! Clamem ao "deus" de vocês por ajuda! Se ele não responder, deve estar ocupado junto com baal fazendo alguma coisa no banheiro. Vamos!

Mas e quanto aos discípulos de Jesus? Imitar a Jesus envolvia crer ser errado participar da política? Imitar a Cristo é ter o caráter dele em todas as áreas da vida: No comércio, na religião e na política, por exemplo. Não é porque o mundo jaz no maligno que não podemos ser comerciantes, não é mesmo? Então, podemos ser bons políticos. E por haver bons políticos que as TJs apelam para eles, muitas vezes, para conseguir certos favores. Como podem pedir favores a quem serve num sistema de Satanás, não é? Quanta ignorância!

Agora veja como o Sr. Rubens Dantas de Oliveira, renomado apologista TJ, procura explicar os motivos de Deus ter permitido que servos dEle, antes de Cristo, participassem da vida política:

RDO - "Deus designou ou ungiu vários Reis no antigo Israel. Não foram “ungidos” ou escolhidos por humanos. Foram diretamente escolhidos por Deus. O que não ocorre mais hoje. Por exemplo,  José do Egito, tornou-se primeiro-ministro do Egito, inferior apenas ao Faraó reinante. (Gênesis 41:39-43) Acontecimentos tornaram evidente que Jeová manobrara isso, a fim de que José pudesse servir de instrumento para a preservação da ‘semente de Abraão’, ou seja,  o Cristo. Tudo isso  para a realização dos Seus propósitos. Jeová Deus por meio de profetas, como Samuel e outros designava Reis. Hoje em dia Deus não designa mais nenhum Rei humano, visto que Cristo é o Rei designado.

Naturalmente, isso aconteceu nos tempos pré-cristãos. Depois do estabelecimento da congregação cristã, os servos de Deus passaram a estar sob a “lei para com Cristo”. Muito daquilo que se permitia sob o sistema judaico devia ser encarado de modo diferente, baseado no modo em que Jeová lidou dali em diante com o seu povo. — 1 Coríntios 9:21; Mateus 5:31, 32; 19:3-9.  Quando Jesus Cristo esteve na Terra, ele estabeleceu normas mais elevadas para seus seguidores e se negou a ter qualquer envolvimento em assuntos políticos ou militares."
FERNANDO GALLI - Veja quantos erros em 17 linhas.
  1. Em Israel, havia realmente uma teocracia. Deus escolhia reis. Mas estamos falando de cargos políticos em outras nações, onde não havia uma teocracia.
  2. O Sr. Rubens diz que Deus fez com que José servisse como primeiro ministro no Egito para preservar a semente de Abraão, para que o descendente, Jesus, pudesse nascer. Mas Deus faz manobras usando algo que ele condena para preservar o que não condena? Se assim fosse, por que as TJs não passam a crer que Deus poe também servos e filhos dEle na política de hoje para que as leis boas sejam feitas e cumpridas?
  3. O Sr. Rubens ainda diz que Deus não designa mais nenhum Rei humano porque Cristo é o Rei designado. Mas quanta bobagem! Não é o fato de haver um Rei nos céus que deve nos proibir de participar do sistema de governo humano, pois nos dias de José, Sadraque, Mesaque, Abdenego e Daniel também havia o Senhor YHWH como Rei nos céus, não é mesmo? Estes homens, mesmo crendo que YHWH era o Rei deles, serviram em cargos políticos.
  4. Onde a Bíblia ensina que, depois do estabelecimento da Igreja Cristã, Deus cessou de usar pessoas dentre o seu povo para ocupar cargos políticos? Em lugar nenhum!
Continuando a refutar o Sr. Rubens Dantas de Oliveira, ele tenta agora usar textos de obras históricas que comentam que a igreja cristã primitiva era conhecida por ser apolítica, não se misturar com a política da época. Nem vou perder meu tempo em refutar citação por citação porque todas elas podem ser refutadas da seguinte forma: A Igreja Cristã primitiva vivia no contexto de domínio romano e só me faltava imaginar um cristão participar de uma política perseguidora dos cristãos. Seria o mesmo que um cristão hoje ser candidato a um cargo político na Eritreia, um dos países que mais perseguem os cristãos. Mas aqui no Brasil? Nos Estados Unidos? Nenhum impedimento.

Devemos dar graças a Deus podermos ter, em meio a corruptos, homens sérios e comprometidos com o dever de representar o povo. Diga-se de passagem, como sei do bom caráter das testemunhas de Jeová, se elas se candidatassem a cargos políticos e ganhassem, seriam excelentes representantes do povo. 

Outro ponto importante é: As TJs são enganadas por sua liderança mundial com palavras tirada do contexto. Veja apenas um caso publicado numa revista A Sentinela, de como precisamos estar atentos à manipulação de palavras do Corpo Governante quanto tentar convencer os desinformados:

A Sentinela 1 de maio de 2012, página 22.
Paulo realmente não tentava influenciar os assuntos políticos de sua época. Certíssimo! Ele era missionário e recebeu o chamado de Jesus Cristo para pregar às nações. Então, como Paulo iria se meter em assuntos políticos? O mesmo ocorre com muitos missionários e pastores leais ao seu chamado. Não se candidatam em cargos políticos devido ao seu chamado.

Da mesma forma, a Igreja nos dias de Paulo. Perseguida pelo Império Romano, e interessada em expandir o evangelho, não participava da política como um todo, mas nem na Bíblia, nem na história secular, há provas de que nenhum cristão, em outras regiões onde o evangelho não era proscrito, participasse da vida política.

Também, Paulo disse que devemos estar sujeitos às autoridade superiores pois não existe autoridade senão por Deus, e as existentes são por Deus ordenadas. (Romanos 13:1) A palavra grega para ordenadas é forma flexionada do verbo tásso. Veja alguns dos usos de tásso no grego bíblico:
  1. Mateus 28:16 - Os discípulos vão para o monte para o qual Jesus havia ordenado. Portanto, (tásso) expressa uma ordem. 
  2. Lucas 7:8 - O centurião de Cafarnaum diz que foi colocado (tásso) sob autoridade, portanto a ideia é de nomeação. 
  3. Atos 13:48 fala-se dos que creram como destinados (tásso) para a vida eterna. Portanto, a ideia é propósito certo.
  4. Atos 15:2 menciona-se que Paulo e Barnabé sendo ordenados (tásso) para irem a Jerusalém. 
  5. Atos 18:2 diz-se sobre o imperador Cláudio ter ordenado (tásso) que todos os judeus se retirassem de Roma. Portanto, refere-se a um decreto.
  6. Atos 22:10 usa-se (tásso) para se referir ao que seria ordenado para Paulo fazer. Portanto, refere-se a uma ordem.
  7. Atos 28:23 usa-se (tasso) para referir-se a um dia marcado, portanto, determinado ou escolhido. 
  8. 1 Coríntios 16:15 fala-se da família de Estefânias ter se dedicado tásso ao ministério dos santos, portanto a ideia é serviço, empenho.
Em Romanos 13:1, o uso de tásso é o de sempre. Deus ordena, põe, coloca, destina, "marca" ou "escolhe" as autoridades. Assim, é da vontade permissiva de Deus que as autoridades existam, umas más outras boas, e a elas precisamos ser submissas. O fato de ter havido governos maus como os de Hitler e Sadan Hussein não anula este fato. Deus criou o "arranjo" das autoridades, concede a elas o poder para reinarem e cobra delas no juízo final os seus atos. Como, então, as TJs condenam a participação um sistema decretado por Deus? Coisas de TJ! E pior, quando precisam dos governos, vão pedir ajuda a eles.

Ainda dirão as TJs, já em desespero e sem resposta para meus argumentos acima: "Como vocês têm coragem de participar de um sistema tão marcado pela corrupção, incluindo até evangélicos condenados?" Minha resposta é: O fato de haver um judas não deve me impedir de fazer a minha parte.

Outras ainda gritarão: "Mas os governos humanos afirmam poder por paz na terra, coisa que apenas o Reino de Deus pode fazer, portanto, não é correto participarmos da política e de seus governos humanos." Minha resposta é: O fato de os governos desejarem por paz na terra não significa que eles estão desejando assumir o lugar do reino de Deus. Minhas queridas TJs, tentar por paz é bom, não sabiam? Jesus disse: "Felizes os pacificadores". (Mateus 5:9) É óbvio que só o Reino de Deus pode estabelecer a paz perfeita! Mas Deus constitui autoridades para que haja uma certa medida de paz. Entenderam?

Como palavra final, não pretendi aqui afirmar que as TJs não sejam boas cidadãs. São muito submissas, de fato, às autoridades que elas mesmas condenam. Pagam corretamente os impostos, são pacíficas ao reivindicarem seus direitos, e quanto a isso eu as elogio sobremaneira. Mas usar a Bíblia para condenar quem participa da vida política é uma burrice espiritual*. - Fernando Galli.
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* Às TJs que se sentirem ofendidas com a expressão burrice espiritual, saibam que os seus líderes mundiais me chamaram, por ser ex-TJ e discordante de seus ensinos, de mentalmente doente. Portanto, não me incomodem. Vocês não têm moral para isso. As TJs não são burras literalmente falando, mas cometem a burrice de anular o voto por convicção religiosa, achando que há base bíblica para isso, e obrigando todas as TJs a pensarem como elas, sob pena de excomunhão em caso de desobediência. Isso é burrice espiritual. 

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