ESPIRITISMO KARDECISTA E SUA INTERPRETAÇÃO MALUCA SOBRE A PARÁBOLA DOS PANOS E DOS ODRES E VINHOS

Certa vez Jesus disse: 
"Ninguém costura remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo novo se desprenderá da roupa velha, e o rasgo será ainda maior. E ninguém põe vinho novo em recipiente de couro velho; porque o vinho novo romperá o recipiente de couro, e se perderão tanto o vinho quanto o recipiente de couro; mas põe-se vinho novo em recipiente de couro novo." - Marcos 2:21, 22.
Como o Espiritismo Kardecista interpreta este texto? Leia e veja um perfeito exemplo de como NÃO se deve interpretar uma parábola.

No livro Parábolas e Ensinos de Jesus, páginas 237 a 239, o autor Cairbar Schutel explica que o remendo de pano, os odres (recipientes) e o vinho velhos referem-se às religiões sacerdotais, como as nossas igrejas cristãs, e o remendo, os odres e o vinho novos referem-se ao Espiritismo Kardecista. Veja:

Página 237.
Página 238.
Página 239.

A interpretação espírita kardecista é horrorosa. Qualquer seita poderia encaixar seus ensinos nela, desta forma:
Na parábola de Jesus, o que é velho é tudo o que não tem a ver conosco, e o que é novo são as verdades que ensinamos.
Mas Jesus tinha algo específico em mente quando disse estas palavras.

Para quem ele as disse? Para os discípulos de João Batista e os dos fariseus, os quais jejuavam, e desejavam saber por que os discípulos de Jesus não jejuavam. (Marcos 2:18) Jesus, comparando sua presença abençoadora na terra com a relação entre um noivo e seus convidados, responde que não teria o menor cabimento os amigos do noivo jejuarem durante a festa de casamento! Conforme o costume da época, os amigos do noivo eram convidados à festa, e eles participavam desde ajudar nos preparativos até à realização dela. E Jesus estava ali com eles! Ele era o noivo! A festa era a primeira vinda de Jesus com todas as bênçãos para os convidados. Para que jejuar, então?

Corroborando o acima, o teólogo HENDRIKSEN bem observa, durante a vinda de Jesus, ele trouxe curas, milagres e salvação. Então, estar Jesus entre nós não se encaixava com os moldes de jejuns estabelecidos por homens. E então, tal teólogo explica a parábola:
"O que Jesus estava dizendo é que a salvação trazida por ele não tinha nada a ver com jejuns desprovidos de alegria. Os odres velhos não podem competir com o vinho novo, ainda fermentando. Esse vinho romperá os odres, o que resultara na perda de ambos. Do mesmo modo, o vinho novo, cheio de riqueza para todos que desejem aceitar as bênçãos - até mesmo os publicanos e pecadores -, deve ser posto em odres novos e fortes cheios de gratidão, liberdade e serviço espontâneo para a glória de Deus".¹ 
Com isso em mente, Jesus, em vez de apregoar uma interpretação como a do Sr. Cairbar Schutel, simplesmente estava querendo dizer que assim como não se costura remendo de pano novo em roupa velha ou não se põe vinho novo em recipiente de couro velho, assim também não se fica triste (jejua) quando Jesus está com eles. Mas, conforme Jesus disse um versículo antes desta parábola, virá dias em que jejuarão, porque Jesus, o noivo, seria tirado. (Marcos 2:20) Nada a ver com Espiritismo!

É uma pena que interpretações como estas cheguem às prateleiras de livrarias para apregoar heresia e prestar um desserviço aos leitores mal informados. Mesmo que se queira ver novas verdades reveladas para a humanidade em Marcos 2:21, 22, no máximo poderíamos admitir que Jesus falasse do fim daquele sistema judaico com suas leis orais e tradições religiosas que o próprio Jesus condenou, como verdadeiro judeu praticante, afinal, ele mesmo cumpriu toda a Lei de forma correta, portanto, não era uma pessoa independente de religião. (João 5:17) A nova verdade seria então a salvação em Cristo Jesus, aquele que disse: "Eu sou a verdade". (João 14:6) Portanto, alertemos os espíritas sobre o real significado desta parábola. - Fernando Galli.
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¹ HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento : Marcos, página 136. Editora Cultura Cristã, São Paulo-SP, 2003. 

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