IMPACTO EVANGELISMO OU DISCIPULADO?


Que os cristãos têm um chamado vocacional pessoal e coletivo (como um só Corpo) na pregação do Evangelho, é fato, é bíblico; e isso parece ser de entendimento dos crentes em geral. A ordem de Jesus expressa no texto áureo das missões evangélicas (Mateus 28.19) deixa claro que temos um mandato o qual chamamos de Grande Comissão. Portanto, um ponto que merece especial análise não é se temos ou não o dever (eu chamaria de “privilégio”!) de nos empenharmos na pregação das Boas Notícias, mas sim se estamos, como Igreja, cumprindo nossa missão do modo correto (entenda-se: bíblico).

Em primeiro lugar, devemos atentar para alguns dos termos utilizados no texto de Mateus 28.19-20: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei”. Destacamos para análise os termos “discípulos” e “ensinando-os a obedecer”.

"Fazer discípulos” não é algo que se consegue repentinamente, “do dia para a noite”, numa pregação apenas ou em um dia de Impacto Evangelístico. Leva-se tempo para se formar um discípulo. Isso exige trabalho, dedicação, suor, lágrimas, oração, um caminhar junto, ensinando-se com o exemplo e não apenas com as palavras. A Psicologia e a Pedagogia afirmam que o ensino é muito mais eficiente quando realizado com base no exemplo do que apenas na transmissão de idéias. Dizem as Escrituras que somos as “cartas vivas” de Cristo (II Coríntios 3.2-3). Dessa maneira podemos perceber que a ordem de Jesus (“façam discípulos”) não pode ser cumprida apenas com Impactos Evangelísticos. A obra missionária (seja local ou transcultural) não pode “viver” de evangelismo-relâmpago, de eventos esporádicos, temporadas ou campanhas evangelísticas.

A sociedade contemporânea está habituada à rapidez. E parece que a agilidade trazida pelo avanço tecnológico tem influenciado sutilmente nosso modo de ver/compreender até mesmo as missões eclesiásticas. Queremos resultados rápidos, números, ver mãos levantadas quando fazemos o apelo. Não há nada de errado em ter esperança, fé e expectativa de que vidas se rendam a Jesus enquanto ministramos a Palavra. Mas é preciso saber que, se quisermos cumprir a ordem de fazer discípulos, precisamos investir mais em discipulado de vidas do que em “impactos”. 

Além disso, precisamos deixar claro quem “dá o crescimento”, gerando conversão nos corações: É Deus! “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). Portanto, nossa parte é, em obediência, pregar o Evangelho. O resultado da pregação, as conversões, já não é conosco, mas com o Espírito!

A expressão “ensinando-os a obedecer” também reforça a idéia da necessidade de um envolvimento com o outro, com o discípulo (ou com o discípulo em potencial). Não se ensina alguém a obedecer a Palavra de Deus sem proximidade, sem estar em contato.

É claro que os Impactos Evangelísticos não devem ser desprezados. Eles são muito úteis à pregação do evangelho em muitas situações e contextos. Além disso, toda oportunidade deve ser bem aproveitada quando se trata de pregar as Boas Novas. 

Portanto, desejamos expor aqui a melhor forma de se cumprir a ordem de Mateus 28.19, ou seja, sempre que possível, realizar o discipulado de pessoas, acompanhando-as, andando com elas no Caminho, ensinando-as de perto, amando-as, chorando e rindo com elas. Discipular é envolver-se, e não podemos fugir disso. - Lílian Mendonça.


Lílian Mendonça pertence à Igreja Batista Nova Canaã, em Montes Claros, MG. É seminarista no Seminário Teológico Batista do Norte de Minas.

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