CATOLICISMO ROMANO - É BÍBLICO O CELIBATO?


A Igreja Católica Apostólica Romana, conforme sabemos, apregoa que seus sacerdotes não se casem. Será que tal imposição baseia-se em algo na Bíblia que é prescritivo, em algo na Bíblia mal interpretado ou na Tradição da Igreja bem depois da época dos Apóstolos?

Antes de responder a estas perguntas, convém corrigir uma "fofoca" protestante que a Igreja Católica Apostólica Romana inventou o celibato clerical ou sacerdotal no Concílio de Trento (1545 a 1564) ou no Concílio de Latrão, em 1123. Isso não é verdade. Então, desde quando o celibato, também chamado por alguns de ascetismo, surgiu na Igreja Cristã?

As evidências indicam que surgiu aos poucos. É interessante notar que Paulo identificou uma tendência em seus dias de homens mentirosos ressaltarem a abstinência como meio para a salvação. Ele escreve a Timóteo:
"1 O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns se desviarão da fé e darão ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios,2 sob a influência da hipocrisia de homens mentirosos, que têm a consciência insensível.3 Eles proíbem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e conhecem bem a verdade." - 1 Timóteo 4:1-3.
Momentos antes destas palavras, Paulo havia elencado entre as evidências do chamado ao episcopado (pastoral) ser "marido de uma só esposa". (1 Timóteo 3:2) Com estas palavras, Paulo endossava, de forma inspirada por Deus, que o pastor poderia ser casado.

No entanto, a Igreja Católica Apostólica Romana ensina que o celibato praticado desde os dias dos apóstolos podia significar o seguinte: O homem cristão poderia estar casado, mas deixava o matrimônio para ser padre. E para legitimar este ensino errôneo, o Catolicismo Romano usa Marcos 10:28-30, onde lemos o seguinte:
"28 Então Pedro começou a dizer-lhe: Nós deixamos tudo e te seguimos.29 Jesus respondeu: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho,30 que não receba cem vezes mais, agora no presente, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo vindouro, a vida eterna." 
Com estas palavras, o Catolicismo Romano pretende ensinar que o sacerdote deve deixar tudo, incluindo suas esposas, como Pedro fez, para seguir a Cristo e o evangelho. Então, justifica a atitude errônea de alguns padres nos primeiros séculos da Igreja que deixaram suas esposas para viverem como sacerdotes. Mas a Bíblia não ensina que se deva deixar o matrimônio para ser um padre ou um pastor. No caso de Marcos 10:28-30, deixar tudo destina-se a todos os seguidores de Jesus e implica dar a Ele e ao seu evangelho a importância primária. É o amar mais a Cristo do que seu pai e sua mãe. (Mateus 10:35-38) É carregar a cruz de Cristo. É fazer como Pedro, que embora trouxesse sua esposa com ele nas atividades ministeriais, como era também o direito de outros apóstolos, ainda assim punha Cristo e seu evangelho em primeiro lugar. - 1 Coríntios 9:5.

Isto significa que o Sínodo de Elvira, no ano 304, incorreu em heresia, ao criticar, evidentemente de forma regional, pois não encontrou muito apoio, aqueles padres que se casaram ou que tiveram filhos com suas esposas. Observe:
"Cânon 33: Ficou plenamente decidido impor aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, como a todos os clérigos no exercício do ministério, a seguinte proibição: que se abstenham das suas esposas e não gerem filhos; quem, porém, o fizer deve ser afastado do estado clerical."
Infelizmente, homens de Deus no início da Igreja se deixaram levar por raciocínios ascéticos, como Justino Mártir, Orígenes e Hieracas, este último chegando a ponto de fazer da virgindade condição para o casamento. Jerônimo e Agostinho também endossaram tal heresia. Isto não passou de heresia! Em momento algum as Escrituras apoiam tal ato: abster-se de suas esposas, ou seja, negar-lhes o matrimônio e a beleza do prazer sexual, e até ter filhos. E muito menos impõem que os chamados por Deus ao episcopado (ser pastor), ainda solteiros, jamais se casem.  

Mais à frente na história da Igreja, surgiram outras manifestações contrárias a que o sacerdote tivesse relações sexuais com suas esposas (portanto, eles eram casados). Vemos uma carta de Sirício ao bispo Himério de Tarragona, escrita aos 10 de fevereiro de 385: 
"...Chegou ao nosso conhecimento que muitos sacerdotes de Cristo e levitas, onho tempo depois de sua consagração, geraram prole, quer do próprio matrimônio como também do coito torpe, e se defendem das incriminações com a desculpa de que no Antigo Testamento se lê que aos sacerdotes e aos ministros é concedida a faculdade de gerar."
Novamente, temos aqui, em meio à uma correção louvável aos padres que se prostituíam, uma herética correção a padres que tinham filhos com suas esposas legítimas. E embora no ano em que os sacerdotes trabalhavam no templo eles evitassem suas esposas, isto se dava porque eles permaneciam no templo e não podiam levar suas esposas consigo. Mas depois de cumprido seus dias ali, retornavam para elas, pois esta é a vontade de Deus para o casamento. Ademais, no Novo Testamento, não se obriga aos pastores o celibato. Isto é invenção de quem queria impor sacrifícios para se conseguir a salvação, de uma igreja que se valia de costume pagãos, como o ascetismo praticado por eles durante os primeiros anos da igreja.

Assim, vale a pena refletir no que o teólogo Charles Hodge argumenta sobre o celibato obrigado aos padres católicos¹:

A doutrina que degrada o casamento como menos santo do que o estado de solteiro tem seu fundamento no gnosticismo e no maniqueísmo, onde o mal está ligado à matéria, ou ao corpo, e então precisa-se negligenciar o casamento;

No Antigo Testamento, ser solteiro era sinal de calamidade. - Juízes 11:37; Salmo 78:63; Isaías 4:1; 13:12.

A maior prova da santidade da relação matrimonial, aos olhos de Deus, encontra-se no fato de que tanto no Velho como no Novo Testamento ela se tornou símbolo da relação entre Deus e seu povo. - Isaías 62:5; Apocalipse 21:9; 19:7, 9; Efésios 5:22, 23.

Portanto, lamentamos que a Igreja Católica Romana fuja das Escrituras para endossar suas proibições legalistas, resultantes de uma tradição casada com o paganismo e celibatária à Palavra de Deus. - Fernando Galli.
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¹ HODGE, Charles. Teologia Sistemática, páginas 1295-1299. São Paulo-SP : Hagnos, 2001.

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