ESBOÇOS E MENSAGENS DA FÉ - FUJAMOS DAS RIQUEZAS MAL ADQUIRIDAS E MAL EMPREGADAS


Nesta mensagem baseada em Tiago 5:1-6, pretendi alertar meus queridos irmãos para que tomem cuidado em fugir de toda forma de enriquecer e usar tal riqueza de um modo que nada tem a ver com a vontade de Deus. Espero que você seja edificado para a glória de Deus.


Saudações Iniciais. Meus queridos irmãos: Foi-me um motivo de alegria ter sido convidado para estar com vocês hoje à noite. Trago as saudações dos irmãos de minha igreja a todos, e desejo que o sermão de hoje possa nos ensinar a praticar o que o Espírito Santo desejar nos ensinar através da Palavra de Deus.

Apresentação do Texto – E falando em Palavra de Deus, gostaria de convidá-los a abrirem suas Bíblias em Tiago 5:1.

“Agora, prestai atenção, vós ricos. Chorai e lamentai,
por causa das desgraças que virão sobre vós.” – Tiago 5:1.

Introdução 1 – O que teria levado Tiago a se expressar assim? A carta Tiago foi escrita num contexto onde seus leitores necessitavam admoestações para perseverarem e não buscarem segurança em elementos da vida ausentes da sabedoria de Deus. Muitos estavam sendo explorados por ricos com suas riquezas mal adquiridas e mal empregadas. Poderiam ser tentados a imitá-los, se alguns já não estavam. Os leitores de Tiago poderiam estar desejando de forma egoísta “subir na vida”.

Introdução 2 – Da mesma forma, os cristãos de hoje têm sido tentados com falsos raciocínios sobre riquezas e com meios de adquiri-las e usá-las que nada tem a ver de uma forma que nada tem a ver com a vontade de Deus. O sermão de hoje, baseado em Tiago 5:1-6, servirá a nós para o seguinte alerta: 
Proposição – Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal empregadas. 
Frase de transição: De que forma o texto de Tiago nos alerta que Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal empregadas, a fim de que fujamos delas? 

PONTO 1 – Deus considera as riquezas mal adquiridas e mal empregadas como passageiras. (Tiago 5:1-3)

EXPLICAÇÃO DO PONTO 1 – Abra sua Bíblia em Tiago 5:1-3b. Leiamos todos juntos:

“1 Agora, prestai atenção, vós ricos. Chorai e lamentai, por causa das desgraças que virão sobre vós.
2 Vossas riquezas estão podres, e vossas roupas, roídas pela traça.
3 Vosso ouro e vossa prata estão enferrujados, e a ferrugem testemunhará contra vós e devorará vossa carne como fogo. Tendes juntado tesouros nos últimos dias.”

De acordo com estas palavras, os ricos são o alvo da advertência. Geralmente se chora e se lamenta depois de uma desgraça, mas a recompensa deles é tão certa que eles já podem chorar e prantear. No Antigo Testamento, é muito comum o Senhor Deus inspirar seus profetas e pronunciar às nações ímpias ou até mesmo ao povo de Israel a chorarem e lamentarem pelo vindouro julgamento de Deus. (Isaías 13:6) Mas quem eram esses ricos?

O Comentário Bíblico Vida Nova, página 2047, explica que estes ricos estão fora da Igreja. Essas pessoas estavam tirando vantagem dos cristãos pobres (por serem pobres, por serem cristãos, ou ambos).

A riqueza destes ricos, conforme o versículo 2, estão podres, e as roupas que eles adquiriram com suas riquezas comidas pelas traças. No versículo 3 observamos o ouro e a prata deles já enferrujados. Tiago trata da desgraça que cairia sobre eles como se já tivesse acontecido.

É interessante lembrar que Tiago, considerado meio-irmão de Jesus, havia andado com o Mestre. Ele sabia muito bem das palavras de Jesus sobre os ricos: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino do céu.” (Mateus 19:23) Evidentemente a riqueza dos ricos fora da vida eterna são-lhes ídolos do coração, por isso, não são convertidos a Cristo, estão apartados da vida.

As traças e a ferrugem sobre suas riquezas indicam o desfavor de Deus sobre elas. Não tinham a bênção de Deus. As traças e a ferrugem , conforme Jesus, corroem as riquezas. (Mateus 6:19) Isto indica que elas não oferecem a segurança eterna que apenas a Salvação em Cristo Jesus pode oferecer, sendo esta a verdadeira riqueza.

Além disso, Tiago diz que a ferrugem nas riquezas daqueles ricos vão testemunhar contra eles. Se suas riquezas já eram consideradas como estando enferrujadas era sinal de que não a adquiriram com o coração reto. Na linguagem bíblica, ferrugem é sinal de desfavor de Deus. Por isso, lemos em Deuteronômio 28:22 sobre o Senhor ferir Israel com ferrugem até que eles morressem. Em Amós 4:9 Deus promete castigar malfeitores com pragas e ferrugem caso não se convertessem. Então, Tiago associa o termo ferrugem às riquezas para indicar o desfavor de Deus sobre elas e seus possuidores. Iguais ao Rico da narrativa do Rico e do Lázaro (Lucas 16:19-31), eles terão suas carnes devoradas pelo fogo.

ILUSTRAÇÃO DO PONTO 1 – É impressionante como esta linguagem sobre os males que sobrevêm às riquezas – traças e ferrugem, nos faz lembrar um momento histórico em 1929. Quando ocorreu a quebra da bolsa de valores em Nova York, muitos americanos ricos deixaram de comprar o café brasileiro, de proprietários ricos também. Tudo estava bem, mas de repente a crise sobreveio, muitos ficaram pobres da noite para o dia, e há relatos de homens e mulheres se suicidando. O interessante é que eles haviam provavelmente ficado ricos honestamente, e sofreram duramente. O que dizer, então, no julgamento de Deus, daqueles que enriqueceram injustamente, daqueles cujas riquezas Deus odeia e causa-lhes traça e ferrugem!

APLICAÇÃO DO PONTO 1 – Como podemos nos beneficiar destes versículos até aqui considerados? Devemos aprender a ter o conceito de Deus sobre as riquezas, visto que ser rico, em si, não é o problema. Se ficamos ricos honestamente e de um modo que não nos atrapalha em buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar, conforme Mateus 6:33, nossas riquezas ou qualquer bem, objeto, quantia que já tenhamos ou ainda sonhemos em ter não são condenadas. Mas a questão é: O que temos e o que sonhamos (riquezas) possuir e como usar estes bens – como Deus já os encara? Será que Deus diria que sobre eles há podridão, traça e ferrugem? Será que estamos confiando em riquezas passageiras as quais Deus condena? Certamente, Deus condena riquezas mal adquiridas e, como veremos, mal usadas porque elas não nos dão a vida eterna.

FRASE DE TRANSIÇÃO PARA O PONTO 2 – Mas retomando o texto, veremos agora porque Deus, de fato, através do autor inspirado, Tiago, condenava aqueles ricos com suas riquezas. Tenham a bondade de ler comigo Tiago 5:3c,4:

“3c Tendes juntado tesouros nos últimos dias.
4 O salário, que desonestamente deixastes de pagar aos trabalhadores que colheram nos vossos campos, clama; os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos.”

PONTO 2 – As riquezas mal adquiridas e mal empregas não passam despercebidas diante de Deus.

EXPLICAÇÃO DO PONTO 2 – Aprendemos pela Bíblia que desde a ascensão de Cristo aos céus, os apóstolos e discípulos viveram sempre com a ideia da iminência da volta de Cristo. Para eles, já viviam nos últimos dias. Tiago mostra aqui em 5:3c que aqueles ricos viviam centrados em ficar ricos numa época em que Cristo poderia voltar. E Deus, que certamente conhece os corações de todos, não concorda com este tipo de vida autocentralizada nas riquezas. Então a motivação deles em ficar ricos era absurda!

Mas pior do que viver para enriquecer era o modo como conseguiam ficar ricos. O versículo 4 diz que eles deixavam de pagar aos trabalhadores que colhiam em seus campos! Quanta desonestidade! Entre os judeus isso era um pecado grave, pois o Antigo Testamento, na Lei de Moisés, já se dizia: Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; o pagamento do diarista não ficará contigo até a manhã seguinte.” (Levítico 19:13) Se não se devia pagar no dia seguinte ao trabalhador, o que dizer de não pagá-los?

Assim, para ilustrar o modo como Deus percebia esta injustiça, Tiago usa uma fraseologia bem parecida com a que Deus usou quando Caim matou Abel: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão está clamando a mim desde a terra.” (Gênesis 4:10) Neste caso, Tiago diz: Os clamores do salário que não pagastes e dos ceifeiros chegaram até o Senhor dos Exércitos. Esta expressão “Senhor dos Exércitos” era uma forma judaica comum no Antigo Testamento para indicar o Senhorio de Deus sobre todos os que lutavam contra ele. Tiago usa esta expressão para indicar que Deus guerreará na causa daqueles cristãos pobres que estavam sendo defraudados. Certemente, Deus condenava aquelas riquezas adquiridas e o modo como elas eram usadas para enriquecer mais ainda seus possuidores.

ILUSTRAÇÃO DO PONTO 2 – Com certeza, todos concordarão que injustiças sociais da parte de ricos para com os pobres sempre estiveram presentes na história da humanidade. R. N. Champlin, ao comentar este versículo (Tiago 5:4), em O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, página 74, Volume 6, narra o caso de uma criança de onze anos de idade que trabalhava com os pais como lavradores. Ela havia quebrado o úmero e o omoplata. O rico dono das terras se negou a pagar as despesas médicas, chegando a instruir a mãe que naquela época dissesse às autoridades que trabalhavam a poucos meses para o rico, para que não tivesse que gastar com as despesas médicas. A mulher, desesperada, saiu de clínica em clínica atrás de um médico que pudesse endireitar o braço de sua filha, mas nenhum deles quis fazê-lo pois os pais da menina ainda não haviam recebido o dinheiro. Como acha que Deus encara isso?

APLICAÇÃO DO PONTO 2 – Outra pergunta é: O que este versículo, em Tiago 5:4, tem a ver conosco? Os cristãos que são patrões devem ser honestos em reconhecer os direitos trabalhistas de seus funcionários. Devem pagar horas extras, férias, tudo o que a Lei determina. Quando fazemos um contrato de trabalho, devemos cumprir os termos do contrato. Mas muito mais do que isso, não devemos explorar o trabalho dos pobres, oferecendo pouco a eles simplesmente porque eles não possuem nada. Mas numa aplicação bem mais direta com o versículo analisado, jamais devemos explorar nosso próximo visando enriquecer. Deus condena as riquezas mal adquiridas e o modo como as usamos.

FRASE DE TRANSIÇÃO PARA O PONTO 3 – Até aqui vimos que o juízo está reservado para aqueles que defraudam os pobres, negando-lhes a devida compensação pelo seu trabalho. Mas as riquezas mal adquiridas e mal empregadas, de acordo com Tiago 5:5, 6 resultava em outro tipo de comportamento da parte dos ricos para com os pobres. Leiamos juntos:

“5 Vivestes em delícias sobre a terra, satisfazendo vossos prazeres. Engordastes o coração no dia da matança.
6 Condenais e matais o justo, e ele não vos oferece resistência alguma.”

PONTO 3 – As riquezas mal adquiridas e mal empregadas resultam em falta de compaixão.

EXPLICAÇÃO DO PONTO 3 - Conforme estes versículos, é evidente a falta de compaixão da parte dos ricos para com aqueles pobres. Por que eles agiam assim?

Tiago afirma que aqueles ricos viviam em delícias sobre a terra. No grego original, este termo, indicava uma vida de opulência, orgulho, e uma vida de vícios, para satisfazerem seus próprios prazeres. A riqueza que haviam acumulado os tornava tão ocupados com este modo de viva que demonstravam evidências de falta de compaixão para com aqueles cristãos pobres. Por exemplo, enquanto eles engordavam o coração, ou seja, alimentavam a sede de suas motivações para enriquecer mais, eles condenavam e matavam o justo. Eles não se contentavam em reduzir aqueles pobres a nada por não lhes pagar o que mereciam, mas conforme o texto chegavam a ponto de matar aqueles cristãos.

A falta de compaixão por aqueles cristãos pobres fica mais evidente quando Tiago diz que o justo não oferecia resistência alguma. Muito provavelmente, um modo de aplicar as palavras de Jesus de oferecer a outra face. (Mateus 5:39) Aqueles ricos provavelmente aproveitavam-se de um povo sofrido que não lhes resistia porque não desejavam pagar mal com o mal. Pode ser também que não havia como lhes resistir também, devido ao abuso de poder ser ali tão grande.

ILUSTRAÇÃO DO PONTO 3 – Não é verdade que o relato de Tiago 5:5, 6 parece ter grandes ecos em nossos dias? Por exemplo, observamos em meios noticiosos casos de pessoas pobres exploradas por ricos e não terem como se defender. Outras vezes, observamos os próprios governos mês após mês defasando o salário da classe humilde, dos aposentados e pensionistas. Chegam até mesmo a negar os Auxílios Doença aos que realmente não podem trabalhar, e não raro são pobres. Se não os matam literalmente, matam-nos por destruírem suas vidas aos poucos no que se refere à vida financeira.

APLICAÇÃO DO PONTO 3 – E no nosso caso – como podemos aplicar os princípios por trás destes versículos de Tiago 5:5, 6? Jamais devemos tirar vantagem daqueles que precisam de nossa ajuda. Seria muita falta de compaixão se oferecêssemos a eles um salário baixo, ou comprarmos algo que eles precisam vender por um valor baixo (e podendo pagar o justo), aproveitando-nos de seu desespero em pagar suas contas. Também, não deveríamos nutrir sentimentos de ódio por nossos irmãos que sem oferecer nenhuma resistência, reivindicam seus direitos em acordos comerciais. Em outras palavras, em nossos relacionamentos com o próximo, não se deve achar em nós atitudes sequer parecidas com aqueles ricos que exploravam, defraudavam e até matavam cristãos pobres, POIS Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal usadas.

CONCLUSÃO 1 – Depois de considerarmos Tiago 5:5, 6, que lição fundamental devemos levar conosco para aplicar no nosso dia-a-dia? Embora não seja errado enriquecer, não devemos idolatrar nosso afã de possuir mais ou nossos bens já adquiridos. Tudo isso é passageiro! Não devemos nos deixar ser seduzidos pelo desejo de enriquecer à custa dos outros, principalmente quando eles são de condição humilde.

Também aprendemos que não se pode esconder de Deus tais injustiças para com os pobres porque Deus ouve os clamores dos injustiçados e no tempo dEle dará recompensa aos que lhes abusam.

Vimos que devemos ser justos para com aqueles que trabalham para nós, e que não devemos de modo algum demonstrar qualquer evidência de que somos parecidos àqueles ricos dos dias de Tiago, que chegavam até o ponto de matar e demonstrar fortes evidências de falta de compaixão.

Por que devemos por em prática esses pontos? Porque Deus condena as riquezas mal adquiridas e mal empregadas.

CONCLUSÃO 2 – Mas além de tudo, quero deixar um desafio a você: Levemos o nome de Jesus aos corações dos pobres injustiçados. Certamente conhecemos casos assim bem próximos de nós. Levemos-lhes a única certeza de que no Reino de Deus, através da graça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, poderemos viver eternamente livres de todas as injustiças cometidas contra eles. Amém! - Fernando Galli.