TESTEMUNHAS DE JEOVÁ - A MORTE DA PESSOA PAGA OS PECADOS DELA?


Poucos sabem que a organização TJ ensina que assim que morremos, nossa morte paga os nossos pecados. Por outro lado, o Cristianismo, mediante a Bíblia, ensina que é a morte de Jesus que paga os nossos pecados, antes mesmo de morrermos. (1 João 1:7) Para tentar provar a crença TJ o Corpo Governante TJ e seus apologistas virtuais manipulam Romanos 6:7, 23 de uma forma desastrosa. Vejamos o que dizem estes versículos:

"Pois quem está morto foi justificado do pecado." - Romanos 6:7.
"Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." - Romanos 6:23.
A interpretação destes textos é simples, se colocada dentro do contexto. Em Romanos 6:1-6, Paulo fala sobre os cristãos morrem para o pecado (6:2), são batizados na morte de Cristo (6:3), são batizados com ele na morte (6:4), são unidos na semelhança de sua morte (6:5), a natureza pecaminosa deles foi crucificada com Jesus (6:6). Assim, aquele que morreu, não a morte física, mas conforme estes versículos, foi absolvido do seu pecado, pois morreu com Cristo na Cruz visto que Jesus morreu no lugar dele.

Como as TJs não creem num inferno de fogo, então elas precisam provar que a pessoa, ao morrer, paga seus pecados com a própria morte. Então, usam Romanos 6:7 para ensinar isso: "Pois quem está morto foi justificado do pecado." Certo apologista TJ partiu do pressuposto de que todas as linguagens figuradas baseiam-se em algo real. Então, concluiu:

"Assim, o que Paulo quis dizer é que, uma vez que aquele que morre literalmente é absolvido do seu pecado, o mesmo ocorre em sentido figurado: quem morre para com um comportamento pecaminoso (no sentido de deixar para trás tal comportamento) é absolvido (perdoado) dessa vida pregressa. Igualmente, Romanos 6:23  afirma que “o salário pago pelo pecado é a morte”, um fato tanto em sentido figurado quanto literal.
Qual o erro na argumentação acima? É o modo sutil com que ele manipulou o argumento. Ele está certo em afirmar que uma palavra ou expressão em linguagem figurada ou espiritual baseia-se em uma palavra ou expressão literal e real, física. Mas ele mistura literalismo com simbolismo para chegar a uma conclusão simbólica. O certo seria argumentar assim: A morte literal é a de Cristo e a figurada é a nossa quando aceitamos a Cristo, morremos com Cristo porque ele morre em nosso lugar, e morremos para com o nosso proceder anterior. Mas ele argumenta que o fato literal é a morte que paga os pecados, e é aqui que está o erro. A morte pagar os pecados não tem nada de literal, mas é uma expressão que já tem um simbolismo: morte não paga nada! O significado é simbólico, espiritual.

Assim, a morte de Cristo literal serve de base para a ilustração de Paulo. Jesus morrer (literal) em nosso lugar (literal), essa verdade possibilita a criação de uma linguagem figurada: A nossa morte com Cristo na cruz nos faz morrer para com o pecado, portanto, somos absolvidos ou justificados dele.

E quanto a Romanos 6:23? Não diz ali que o salário do pecado é a morte? Não significa isso que a nossa morte é o salário para nossos pecados? Longe disso! Isto é o que Satanás deseja que você entenda! A interpretação correta é: O pecado aqui é tratado como uma pessoa, que paga o salário para quem é pecador. Qual é o salário que o pecado (patrão) dá a quem peca (trabalhador)? A morte! Mas qual é a dádiva de Deus (patrão) para os cristãos (trabalhador)? A vida eterna em Cristo Jesus. Sobre isto e a palavra grega opsônia (salário), John Stott, escreveu:
"O que vemos de novo aqui é um terceiro contraste que tem a ver com os termos de serviço nos quais opera cada um dos senhores de escravos. [...] Assim, o pecado paga um salário (recebe-se o que se merece), mas Deus dá um dom gratuito (recebe-se o que não se merece). Opsônia normalmente refere-se "à parcela [em dinheiro] paga a um soldado" (BAGD); mas neste contexto se refira à "mesada paga aos escravos". Charisma, por sua vez, é uma dádiva da graça de Deus. Portanto, se estamos prontos para recebermos aquilo que merecemos, só pode ser a a morte; já a vida eterna é uma dádiva de Deus, inteiramente gratuita e absolutamente imerecida. Ela se alicerça unica e exclusivamente na morte expiatória de Cristo, e a única condição para recebê-la é que nós estejamos em Cristo Jesus nosso Senhor, isto é, unidos pessoalmente a ele pela fé." [1]
Assim, se eu, pecador, não posso morrer por mim para pagar os meus pecados, o fato de Jesus ter morrido literalmente por mim serve de base para um uso figurado em Romanos 6:1-7: Que eu posso morrer para com o pecado pela minha morte com Cristo na cruz, pois ele morre em meu lugar. Com isso, mesmo que eu receba do pecado (o meu ex-patrão) a morte física, recebo do meu novo patrão, Deus, o dom gratuito da vida eterna pela fé em Jesus Cristo.

Quanto às TJs (Corpo Governante e Apologistas virtuais), lamento que ensinem que Paulo, em Romanos 6:1-7, 23 falava apenas dos 144.000. Você sabia que para as TJs Cristo morreu apenas pelos 144.000? Sabia que atualmente, das 7,8 milhões de TJs, apenas umas 11.800 fazem parte desses 144.000 (os demais dos 144.000, segundo elas, já estão no céu)? E sabia que os 7,790 milhões de TJs, chamados de a Grande Multidão, não creem que Cristo morreu por elas, mas que serão salvas por seguirem os 144.000, e que só serão chamados de filhos de Deus depois do reinado de 1.000 anos de Cristo? Sabia que todos esses 99,86% das TJs não acreditam que morreram na morte de Cristo, que foram batizados em sua morte? Tudo porque os líderes mundiais TJs, o Corpo Governante, entende que só os 144.000 podem participar deste privilégio! Onde a Bíblia ensina isso? EM LUGAR NENHUM!

Então eu pergunto: É este tipo de crença que você traria para o seu lar? Não seria o caso de estudar a Bíblia a fundo para ajudar estes pobres escravos do pecado (o Corpo Governante) a se libertarem dessa organização? - Fernando Galli.
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[1] STOTT, John. A Mensagem de Romanos. Página 222. São Paulo, SP : ABU Editora, 2007.