JUDAÍSMO - POR QUE NÃO CRÊ NA TRINDADE? - PARTE 1


Já tive o grande privilégio de conhecer judeus praticantes do judaísmo. Acrescentou-me muito dialogar com eles. Nestes diálogos, percebi a grande dificuldade deles em crer na doutrina da Trindade. Por que a negam? Que argumentos usam? Como refutá-los com as Escrituras Sagradas?

ARGUMENTO JUDEU - "Deus não é humano. O homem não é Deus. A doutrina cristã da encarnação, que Deus teria assumido forma humana, vai contra a crença judaica fundamental de que Deus é incorpóreo - que Ele não tem nem corpo e não pode ser afetado por nenhuma das fraquezas corporais; logo, dizer que Deus morreu na cruz soa incompreensível. Deus não pode morrer justamente porque ele não "vive" na forma humana." [1] 
RESPOSTA CRISTÃ - A fé cristã entende que o Eterno é Todo-Poderoso, portanto, ter assumido a forma humana, em Cristo Jesus, soa incompreensível para nós, mas não para Deus. Certamente cremos que Deus é Espírito. Jesus corroborou com este fato. (João 4:24) Todavia, este Espírito que É tanto no estado eterno como na realidade criada por Ele assumiu a forma humana sem deixar de ser Deus. Fez-se o Príncipe da Paz, chamado de Deus Forte e Pai Eterno (ou da eternidade). (Isaías 9:6, 7) Deus jamais morreu. Deus é Espírito. Então, quem morreu? O homem Jesus. Deus não morre, mas tem poder para encarnar. Por isso, Jesus, existindo na forma de Deus ... assumiu a forma humana." (Filipenses 2:5-8) Assim, cremos que Jesus possui duas naturezas, a Divina e a Humana.

Com isso em mente, um Judeu poderia contra-argumentar: "Então, o Eterno, na suposta pessoa divina de Cristo, assumiu uma forma que antes não tinha. Não seria um absurdo apregoar que Deus adquiriu algo que antes não tinha? Não ensinam os judeus e os cristãos que Deus é imutável?" Como resposta, devemos lembrar que os judeus chamam a Deus de o Eterno. E se Deus é o Eterno, Ele é atemporal. Isto quer dizer que antes mesmo de criar tudo, toda a história da criação, incluindo a humana, toda ela já lhe era uma realidade. E se os judeus não crerem nisso, cometerão uma heresia por admitir um Deus Todo-Poderoso que apenas sabia de antemão a história, mas que precisou esperar os fatos para "viver" a nossa realidade. Com isso em mente, Deus, no estado eterno, na Pessoa de Jesus Cristo, possui a natureza divina e humana.

Este conceito de Deus em todos os momentos da história é um tanto filosófico, mas é um tanto óbvio e encontra respaldo bíblico. Por isso, lemos em Apocalipse 13:8 sobre "o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo". Para Deus, tudo foi, é e será. Sendo assim, Deus não adquiriu algo que antes não tinha, mas nós é quem o "vimos" adquirir o que sempre teve.

Mas como admitir que Deus, em Cristo Jesus, teria experimentado e sido afetado pelas fraquezas corporais? Em primeiro lugar, Deus tudo pode. Em segundo lugar, fez isso por amor. (João 3:16) Era Sumo Sacerdote e a própria oferta. Assim, cremos que Deus decidiu a encarnação devido: (1) Ao seu decreto de salvar o homem; (2) À natureza hedionda do pecado; (3) Ao modo como Deus decidiu executar sua justiça e (4) Para tornar possível a redenção do homem. Assumindo a forma humana, sem jamais deixar de ser Deus e Eterno, foi o modo todo especial dEle de revelar-se aos homens, de sofrer como homem para nos redimir e agir como único mediador entre Deus e os homens, por ser perfeitamente Deus e perfeitamente homem.[2]

De fato, há um enorme abismo entre as crenças judaica e cristã sobre Deus e sua encarnação. Ao abordarmos nossos queridos amigos judeus devemos nos colocar no lugar deles, com a seguinte pergunta: 
"Se eu vivesse antes de Cristo, e alguém me viesse pregar que Deus encarnaria como homem, seria fácil compreender isso sem o Novo Testamento nas mãos?"
Esta é a realidade dos judeus. Na crença deles, eles vivem antes de Cristo, pois o Messias não veio. E eles também não têm o Novo Testamento, pois não creem no que já está disponível há 1900 anos. Assim, temos que fazer a nossa parte em dialogar com eles, e esperar em Deus, com paciência, pela conversão de muitos deles. - Fernando Galli.
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[1] BLECH, Rabino Benjamin. O Mais Completo Guia sobre Judaísmo. Página 10.  : São Paulo : Editora Sêfer,  2003.
[2] CAMPOS, Heber Carlos de. Humilhação do Redentor : Encarnação e Sofrimento. Página 79-84. São Paulo : Cultura Cristã, 2008.

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