CATOLICISMO ROMANO - OS ESCRITOS NAS CATACUMBAS PROVAM A TRADIÇÃO CATÓLICA DA INTERCESSÃO DOS SANTOS?


Amo pertencer à Santa Igreja Católica, não a Romana porque ela é um desfio da fé Cristã, mas à Igreja pela qual Jesus foi dado, morreu e se entregou por ela. (Efésios 1:22; 5:25) Sem dúvida, a Igreja do Senhor Jesus é Universal.

Todavia, a Igreja Católica Apostólica Romana, no afã desesperado de apelar aos protestantes e evangélicos que se convertam à suposta única igreja verdadeira, usam figuras nas catacumbas de Roma datadas entre os séculos II e IV, locais estes em que os cristãos se reuniam escondidos dos ardis do Imperador Romano e ali expressavam a sua fé.

Afirmam que nessas catacumbas, suas inscrições e afrescos provam que paralelamente às Escrituras aqueles cristãos criam no culto aos mortos, batismo infantil, sucessão apostólica, num papado como o de hoje, no culto à Santíssima Virgem, na intercessão dos santos, etc. Mas será mesmo que as figuras artísticas, que sem dúvida nenhuma são o testemunho vivo da atuação cristã em meio à perseguição, provam mesmo a Tradição da Igreja Católica Romana como é hoje crida? Vejamos.

CONTRA FACTUM NO EST ARGUMENTUM

O site A Fé Explicada publicou um vídeo dirigido ao que eles chamam de "protestantes de plantão" sobre as imagens verdadeiras destas catacumbas. (Clique aqui.) Analisemos, então, se a suposta evidência deles realmente atesta a crença católica romana. 

Em primeiro lugar, não se pretende aqui afirmar que tais imagens são invenções. De modo algum! Seria ignorância pura. Em segundo lugar, expresso aqui o meu maior respeito por tais catacumbas. É a história de meus irmãos em Cristo que morreram fiéis a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e à Igreja Cristã. Em terceiro lugar, acho uma tremenda desonestidade intelectual e até moral enganar ignorantes em Bíblia e em arte, valendo-se de fatos para provar o que os autores dessas relíquias cristãs não quiseram ensinar, na maioria dos casos. Em quarto lugar, tais evidências não são prova concreta de que cada afresco, imagem, símbolos está em harmonia com os ensinos da Palavra de Deus. E isso veremos facilmente.

OS SÍMBOLOS

O Monograma de Cristo

Vemos acima o impressionante símbolo formado de quatro letras gregas. À esquerda, a letra Alfa, à direita a letra Ômega. Certamente uma alusão a Jesus ser o Alfa e o Ômega. (Apocalipse 1:8) E como sabemos que se refere a Jesus? Porque vemos duas letras gregas no centro, maiores, cruzando uma com a outra. A Letra X (Xi - equivalente ao C em português) e a letra P (Rô - equivalente ao R em português). Assim, temos aqui as duas primeiras letras do nome CRisto. E como há uma semelhança com a cruz, querem os católicos romanos que nas catacumbas se venerava a cruz. Parece que assim como os paleontólogos evolucionistas se valeram de um dente para reconstruir um suposto macaco em evolução, o que foi provado como grande mentira, da mesma forma querem partir de um símbolo para chegar numa outra grande mentira. Seja sincero: O que prova essa ilustração a não ser o conceito protestante-evangélico sobre a cruz, ou seja, um mero símbolo?

Além disso, visto que símbolos como estes eram colocados em túmulos para identificar que ali havia sido enterrado um cristão, querem que creiamos no culto aos mortos. Quanta mentira e manipulação de fatos! Esse fato não prova isso, a não ser a intenção de identificar o túmulo com a pessoa de Jesus e com a Igreja Cristã. Estão enxergando o que não foi pretendido pelo costume.

A SURPRESA PARA OS PROTESTANTES DE PLANTÃO


Nessa inscrição, vemos a inscrição: "Paulo e Pedro, orai por Victor." Primeiramente, não lemos aqui que tais pessoas eram consideradas santas como a Igreja Católica considera. Acho pouco provável que não se refira aos Apóstolos Paulo e Pedro, e mesmo que não se referisse, da mesma forma estaria claro que a intenção do autor da frase que Paulo e Pedro orassem por Victor. Mas será que esta inscrição harmoniza-se com as Escrituras? A resposta é não. Apenas Deus é ouvinte de oração, e apenas Jesus Cristo é intercessor. - João 14:13, 14; 11; 1 Timóteo 2:5. 

Até que ponto a pessoa que escreveu isso conhecia os escritos sagrados, ainda sendo identificados pela Igreja para compor o cânon cristão do Novo Testamento, não sabemos. Embora aqueles cristãos, nas catacumbas, fossem sinceros à fé cristã, podiam cometer erros. E aqui, o autor dessa inscrição mostrou-se ignorante quanto ao papel suficiente de Cristo na intercessão de nossas orações. Não só ele como outros que também escreveram frases similares.

Mas o que me chama atenção aqui é: A falta de honestidade da Igreja Católica Romana e do autor da matéria no site A Fé Explicada (ou a ignorância dele) em deixar de explicar que no culto nas catacumbas, principalmente entre os séculos III e IV, haviam-se infiltrado muitas crenças pagãs. Por que ele não postou as imagens e afrescos de semi-deuses gregos, do herói greco-romano Orfeu, que são observadas em muitas dessas partes dessas catacumbas? Vê-se ali até mesmo o mitológico fênix, símbolo da imortalidade, trazido do paganismo. Até referências a Cupido e Psiquê são vistas nessas catacumbas! Isso prova que, com o passar do tempo, o culto praticado ali pelos cristãos foi se tornando apóstata por parte de alguns. 


Na Via Ápia, em Roma, de fato há centenas de inscrições de pessoas se recomendando a Pedro e Paulo, mas erraram em fazer isso, pois desconheciam as Escrituras, ou foram influenciados por crenças de religiões pagãs que costumavam venerar e até adorar seus heróis, crendo ser possível a comunicação com eles. Então, expliquem o católicos romanos de plantão, para não dizer de "PLATÃO", por que não comentam as dezenas, senão centenas, de inscrições, símbolos, imagens e afrescos com clara relação com o paganismo ali? Tem certeza de que é a isso que querem nossa conversão? 

É interessante comentar que em um de meus debates educados com bons católicos, conhecedores da história da Igreja, um deles raciocinou comigo: "Fernando, há uma inscrição pedindo a S. Sisto, o sétimo Papa da Igreja Católica, que viveu entre o ano 42 a 125 d. C., para que ele tenha um tal de Aurélio no pensamento. Então, já no ano 126 d.C. chamavam-se de santo a Sisto e o consideravam intercessor." Diante de tal malabarismo intelectual, tive que responder: E quem lhe disse que essa inscrição foi feita no ano seguinte à morte dele? Que provas você teria disso? Evidentemente, nenhuma! Tais inscrições, como nãos e coadunam com a Palavra de Deus, ou se preferir, são tradições que se chocam com as Escrituras, certamente remontam ao século III ou IV, referindo-se a personagens cristãos mais antigos. 

BATISMO INFANTIL

A próxima tentativa frustrada do site A Fé Explicada é provar o batismo de bebês como um sacramento. 


Seria esta criança menor de dez, doze anos? Conheço casos de crianças nessa idade batizadas em nossas igrejas cristãs. Mas seria a criança da ilustração acima um bebê? Obviamente que não! Mesmo que ainda houvesse outras evidências do pedobatismo (não confunda com pedofilia) nessas evidências, ainda assim não estariam de acordo com as Escrituras, que condiciona o batismo ao arrependimento. Por isso lemos:
Atos 2:38 - "Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo."
EUCARISTIA

Como sabemos, a Igreja Católica Romana crê na Eucaristia como Sacramento que dá vida eterna. Os cristãos protestantes e evangélicos creem que quem toma do vinho e come do corpo de Cristo, ou seja, que aceita o sacrifício de Jesus Cristo, é salvo. Portanto, participar da Ceia é sinal de que a pessoa professa a fé em Jesus e se acha na condição de salva, pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus. (João 6:53-56; Efésios 2:8-10) O site A Fé Explicada exibiu uma prova de que a eucaristia era praticada nas catacumbas, através de um afresco, todavia deram um tiro no pé. Veja:



Consegue ver aqui algum sinal de que esses cristãos aqui representados criam que é necessário participar da Eucaristia para ser salvo? Bem, o site católico supracitado consegue, e nas seguintes palavras:
"Na cena à esquerda, o sacerdote estende as mãos sobre uma pequena mesa onde está o pão eucarístico: referência clara ao ato de consagração reservado aos ministros; do outro lado da mesa, um orante com os braços elevados recorda-nos que, para ir para o céu, é preciso nutrir-se daquele pão consagrado (a Eucaristia).".
Sejamos sinceros: O autor da matéria interpretou o afresco como bem quis. Em nossas igrejas cristãs, comungamos do pão, do vinho, ensinamos que pão e vinho são símbolos, como o peixe aqui representado, simbolizando Jesus. Nossos pastores pedem ajuda dos diáconos e um orante agradece pelo pão e outro pelo vinho. Então, aos católicos romanos de plantão, pergunto: Onde aparecem aqui as inscrições claras de que sem a Eucaristia é salvífica? Em lugar nenhum, não é mesmo?

OS LIVROS (DEUTEROCANÔNICOS)

A Igreja Católica afirma que são tão inspirados quanto os outros livros bíblicos os seguintes: 1a. e 2a. Macabeus, Eclesiástico, Baruc, Sabedoria, Tobias, Judite, os capítulos 13 e 14 de Daniel. Usam para esse fim afrescos supostamente aludindo a tais livros acrescentados posteriormente pela Igreja Romana. Vejamos:


Aqui seria uma alusão à Suzana, entre dois anciãos, conforme narra Daniel 13, nas Bíblias Católicas. Todavia, nessas catacumbas há alusões a muitas fábulas jamais tidas pela Igreja como parte de livros inspirados. Foi só em 1442 d. C. que se passou a ensinar tais livros como parte do cânon bíblico, sendo que os concílios anteriores confirmaram os 39 livros apenas do Antigo Testamento. O fato de os cristãos retratarem Suzana (se é que se trata mesmo dessa passagem) não significa que Deus endossava a canonicidade dos capítulos 13 e 14. Na época da composição dessas pinturas, havia muita briga para se determinar quais livros eram inspirados. Tanto que se tem evidências de que muitos cristãos chegaram a evangelizar outros, nos séculos II e III com os livros apócrifos como o Evangelho de Tomé e o de Filipe. Isso não significa que esses livros eram inspirados, mas apenas que eram tidos como inspirados (sem conhecimento de causa) ou meras alusões a eles.

OUTRAS EVIDÊNCIAS?

Nas catacumbas de Roma encontramos pinturas de Maria, Mãe de Jesus. Numa delas, aparece a palavra theotokos, que significa "mãe de Deus". Todavia, qualquer católico honesto sabe que essa expressão visava, no início, enaltecer a Jesus Cristo. De fato, aqui na terra ela era tida como mãe do homem Deus. Era a mulher deípara, ou seja, que deu à luz a um homem que era Deus encarnado. Depois, no concílio de Éfeso, em 431, formalmente assumiu-se Maria como Mãe de Deus. Embora não vejo heresia ao se dizer que Maria foi mãe do Deus que se fez homem, portanto, mãe do homem-Deus, é impossível crer que atualmente, no céu, ela seja mãe de Deus. Nada na Bíblia ensina tal absurdo. Imagina Deus, o Todo-Poderoso, obedecendo a mamãe!

Sobre figuras e textos referindo-se aos papas, sabemos que estes se tratavam de bispos, carinhosamente chamados de pai até o século IV, mais ou menos. Eram vários papas ao mesmo tempo, pois eram bispos (Episcopos), líderes (ou chefes) da Igreja em cada cidade. Depois, os bispos de Roma passaram a ser detentores deste título, sendo que Leão I, em 476 d.C. é considerado, de fato, como o primeiro Papa a ser apenas ele chamado assim. 

CONCLUSÃO

Não sei como os católicos reagirão diante dessa matéria. Mas faço minhas as palavras do escritor do livro de 2 Macabeus no final de sua composição. Ali ele revela quão inspirado estava por Deus ao escrever um livro repleto de erros históricos e teológicos:
"Também eu aqui porei fim ao meu relato. Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era justamente isso o que eu queria; se vulgarmente e de modo medíocre, é isso o que me foi possível." - 2 Macabeus 15:38, 39.
Ao prezado autor e responsável pelo site A Fé Explicada, lamento mas sua provas não convenceram. Contra seus "fatos" há muitos argumentos. - Fernando Galli.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seus comentários devem contem no máximo 500 caracteres