TESTEMUNHAS DE JEOVÁ - A FARSA DE 1914 - PARTE 1

Foto extraída de A Sentinela
de 15 de maio de 1984, em Inglês.

Quando comecei a frequentar o Salão do Reino das TJs, percebia que alguns ali terminavam suas orações assim: “Tudo o que te pedimos e agradecemos é em nome daquele que reina desde 1914 para cá, Jesus Cristo, amém.” Então, perguntei a meu instrutor sobre tal crença. Sabe o que ele me respondeu?

Ele me respondeu que em breve me ensinaria isso, mas que eu já poderia me adiantar e observar o capítulo 16 do livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, páginas 138 a 141. Este é um dos ensinos TJs de que mais me arrependo de ter crido. Mas qual a base para crerem assim?

A base de tal ensino é o relato de Daniel 4:10-37. Ali lemos sobre uma grande árvore, que ia da terra até os céus. Para as TJs, aquela árvore representa o Reino de Deus na terra. Para os cristãos, simboliza o próprio reino de Nabucodonosor. A árvore é cortada e seu toco preservado coberto por bandas. Para as TJs, isto representa o Reino de Deus ter deixado de ser representado por um rei humano a partir do ano de 607 a.C (data improvável, pois a maioria dos historiadores aponta para 587 a.C.), e o toco foi preservado porque um dia o Reino de Deus seria entregue a Jesus Cristo lá no céu, ou seja, em 1914. Para os cristãos, a árvore cortada representa o próprio Rei, pois Daniel 4:22 explica isso. E a banda que preservava o toco indicava que Nabucodonosor não seria punido pelo que fez a Israel, mas reconheceria um dia o Deus Altíssimo. (Daniel 4:26) Tudo isso se cumpriu nos dias de Nabucodonosor. - Veja Daniel 4:34-37.

Como eu fui ignorante em acreditar que o mau exemplo do Rei Nabucodonosor, de orgulhar-se até o limite máximo, como uma árvore que cresceu até os céus, pudesse simbolizar o Reino de Deus!

Mas como eu fui convencido da data de 1914? No mesmo livro Poderá Viver Para Sempre, ainda no mesmo capítulo 16, o corpo governante ligou o texto de Daniel 4:23 com Ezequiel 21:25-27. Vamos comparar os dois textos na “bíblia” TJ e você observará o “truque” do corpo governante. 
“‘E sendo que o rei viu um vigilante, sim, um santo, descendo dos céus, dizendo também: “Derrubai a árvore e arruinai-a. Todavia, deixai-lhe o toco na terra, mas com banda de ferro e de cobre, entre a relva do campo, e seja molhado pelo orvalho dos céus e seja seu quinhão com os animais do campo, até terem passado sobre ele sete tempos”. – Daniel 4:23.
“E no que se refere a ti, ó mortalmente ferido maioral iníquo de Israel, cujo dia chegou no tempo do erro do fim, assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Remove o turbante e retira a coroa. Esta não será a mesma. Põe no alto o rebaixado e rebaixa o que estiver no alto.Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também, quanto a esta, certamente não virá a ser de [ninguém], até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.’” – Ezequiel 21:25-27.
O corpo governante, para provar que essa árvore de Daniel 4:23 representa, num cumprimento maior, o Reino de Deus nas mãos de Jesus, precisava provar que quando essa banda de ferro e cobre fosse removida dessa árvore, isto representaria muito mais do que simplesmente o Rei Nabucodonosor reconhecer Yahweh como o Deus Altíssimo e voltasse do seu estado humilhante de viver como um animal. (Daniel 4:24) O corpo governante precisava de um texto que os ajudasse a provar que esse retirar da banda de ferro e de cobre simbolizasse que um dia, depois do ano de 607 a.C., Deus faria com que essa árvore (o Reino de Deus) crescesse novamente sob a liderança do entronizado Rei, Jesus Cristo, em 1914. Qual texto seria este?

O texto é Ezequiel 21:25-27. E por que este texto? Porque o corpo governante enxerga que o turbante e a coroa de Ezequiel 21:26 trata-se da mesma banda de ferro e de cobre de Daniel 4:23. Fazendo assim, o corpo governante consegue ensinar o seguinte: Enquanto Daniel profetizou que o Reino de Deus deixou de ter um Rei no ano 607 a.C. com o simbolismo de se por uma banda de ferro e cobre na árvore cortada para ela não mais crescer, Ezequiel profetizou que num futuro distante essa coroa que impedia a árvore de crescer seria tirada e dada àquele que tinha o direito legal, ou seja, Jesus Cristo. Mas isto não faz o menor sentido. Por quê?

Em primeiro lugar, enquanto Daniel 4:23 refere-se a Nabucodonosor, Ezequiel 21:25-27 referia-se a Zedequias, o último Rei de Judá. Em segundo lugar, a banda de Daniel 4:23 é em aramaico “ecuwr”, que significa, segundo a Concordância de Strong de Palavras do Antigo Testamento “faixa, grilhões, aprisionamento”. Mas a coroa de Ezequiel 21:25-27 é em hebraico “atarah”, significando “coroa”, “diadema”, que nada tem a ver com a palavra aramaica “ecuwr”. Com esse malabarismo o corpo governante me levou a crer que a coroa desta árvore seria removida em 1914 e entregue àquele que tinha o direito legal, ou seja, Jesus Cristo. Assim, em 1914, o Reino de Deus teria começado a crescer novamente. 

Em terceiro lugar, Ezequiel 21:25-27 menciona que Zedequias deveria retirar o turbante e a coroa, porque seu domínio havia chegado ao fim, e seria dado àquele que tinha o direito legal. Quando isso ocorreu? Em 1914? Onde a Bíblia ensina isso? Em lugar nenhum! Referiu-se a Jesus, nascido na terra como o Rei dos Judeus. (Mateus 2:2) Para alguns cristãos piedosos, Jesus um dia reinará durante 1.000 anos aqui na terra sobre Israel. Para outros, isto se cumpre desde a morte e ressurreição de Jesus, pois ele disse que estaria conosco (o Israel espiritual) até a consumação dos séculos. (Mateus 28:19, 20) Todavia, de todas as interpretações cristãs que conheço, a inconcebível é a do corpo governante: Jesus começou a reinar em 1914!

Mas como se chega a data de 1914? Através de um malabarismo de textos: Depois de unir Daniel 4:23 a Ezequiel 21:25-27, aquele livro Poderá Viver Para Sempre, no capítulo 16, dizia que no ano de 607 a.C., com a destruição de Jerusalém, iniciou-se o que Jesus chamou de o tempo designado das nações (ou tempo dos gentios), conforme Lucas 21:24. Assim, do ano 607 a.C. até aquele que receberia a coroa retirada daquela árvore iniciar o seu governo passariam sete tempos, conforme a profecia de Daniel contra Nabucodonosor dizia em Daniel 4:16. Ali diz: 
“Mude-se-lhe o coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre eles sete tempos.” 
Assim, o corpo governante entende que esses “sete tempos” que Nabucodonosor sofreu como um animal, ou como uma árvore cortada e selada para não mais crescer, são os sete tempos dos gentios e a deles se calcula da seguinte forma: 
“Em Revelação, capítulo 12, versículos 6 e 14, verificamos que 1.260 dias são iguais a “um tempo, e tempos [isto é, 2 tempos] e metade de um tempo”. Isto dá um total de 3 tempos e meio. Assim, “um tempo” seria igual a 360 dias. Portanto, “sete tempos” seriam 7 vezes 360, ou 2.520 dias. Agora, se fizermos cada dia valer um ano, segundo uma regra bíblica, os “sete tempos” equivalem a 2.520 anos. — Números 14:34; Ezequiel 4:6.” – Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, página 141, parágrafo 20. Cesário Lange : Editora Torre de Vigia, 1981. 
Se somarmos, então, esses 2520 anos a 607 a.C., cairemos no ano de 1913 d.C. Como não existiu o ano Zero, então somamos mais um ano a 1913 e chegamos no ano de 1914. Não pretendo discutir aqui a exatidão desses cálculos, muito menos se eles devem ser iniciados a partir da data pouco defendida para 607 a.C., mas apenas lhe mostrar que meu grande engano em acompanhar todo esse malabarismo textual do corpo governante se deveu a não questioná-lo da seguinte forma: 
  1. Onde a Bíblia ensina que os tempos das nações começam com a queda de Jerusalém em 607 a.C.?
  2. Onde a Bíblia ensina que os tempos dos gentios são os mesmos sete tempos de Daniel 4:16?
  3. Onde a Bíblia ensina que Jesus retornou ao céu e esperou até 1914 para iniciar o reino, se nesse retorno o que ele faz é sentar-se à direita de Deus (posição régia, já está reinando) esperando que seus inimigos sejam postos para a destruição? – Hebreus 1:13, compare com 10:12, 13.
Naqueles estudos bíblicos domiciliares, o que me convencia era a abundância de textos bíblicos que pareciam provar doutrinas. Graças ao Espírito Santo de Deus, sei que em meio às verdades dos textos bíblicos usados pelo corpo governante encontro um meio de interligá-los quando não há motivos para fazê-lo senão o de provar algo meramente humano. Essa crença nada mais é do que um meio muito sutil de reinterpretar a falsa profecia de Charles Taze Russell, o qual predizia que Jesus buscaria sua “igreja” em 1914, e traria o Armagedom. Como isso não havia ocorrido, a jeito foi dar a famigerada desculpa que se dá quando o Armagedom predito não vem: “Acertamos a data, mas erramos o acontecimento”. - Fernando Galli.

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