CONFUCIONISMO - HISTÓRIA E CRENÇAS BÁSICAS


O Confucionismo é tido como uma Filosofia de vida, com elementos fortes de religião. Assim, visto que hoje há templos confucionistas e haja quase 6,5 milhões de seguidores, é considerado uma religião mundial. Que tal aprender um pouco mais sobre as origens e crenças desta doutrina histórica?


História

Confúcio nasceu por volta do ano 551 a.C. numa época em que a China se encontrava dividida em estados feudais. Seu nome vem de Kung Futzu, que significa “mestre Kung”. Foi um mestre tão sábio que chegou a ter cerca de três mil alunos de uma só vez. Seus ensinos exerceram poderosa influência para seus seguidores do século II até o XX, na China, e também em outros países.

Os principais discípulos de Confúcio, que não o conheceram pessoalmente, formam Mêncio Mengtzú (371-289 a.C.) e Hsun-tzu (300-230 a.C.).

O Confucionismo enfraqueceu muito no Século XX diante do Imperador Mao Tse Tung, quando deixou de ser a doutrina oficial da China.

O texto a seguir tem como base um artigo publicado em PDF pelo Site http://www.amcbr.com.br/Confucionismo.pdf e será comentado e ampliado onde houver necessidade, com a intenção de facilitar o diálogo entre Confucionistas e Cristãos quando isso for possível.

Definição 
O CONFUCIONISMO - “Filosofia, ideologia política, social e religiosa do pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.), grafia latina do nome Koung Fou Tseu (ou mestre Kung).” 
COMENTÁRIO CRISTÃO - Confúcio viveu numa época em que a característica principal era a falta de padrões morais.[1] Ele deixou poucos detalhes sobre sua vida, mas sabemos que veio de família nobre e trabalhou como civil em uma província real. Deixou sua função aos cinquenta anos e passou a ensinar discípulos sobre suas idéias, e o que sabemos dele deveu-se a seus eles que divulgaram o pensar de Confúcio.[2] Caso um dia encontremos seguidores ou simpatizantes dessa filosofia, poderíamos estabelecer bases para acordo mútuo (ou pontes) e mencionarmos que assim como foram os discípulos de Confúcio quem tornaram seus pensamentos conhecidos, assim também os apóstolos e discípulos de Jesus divulgaram sua mensagem em toda a terra habitada. - Mateus 28:19, 20. 
O CONFUCIONISMO - “O princípio básico do confucionismo é conhecido pelos chineses como junchaio (ensinamentos dos sábios) e define a busca de um caminho superior (tao) como forma de viver bem e em equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu.” 
COMENTÁRIO CRISTÃO – A Bíblia tem muito a nos ensinar sobre ensinamentos do sábio. Observe: 
  • Provérbios 3:35: “Os sábios receberão honra como herança.”
  • Provérbios 8:33: “Ouvi a correção e sede sábios. Não a rejeiteis.”
  • Provérbios 10:8: “O sábio de coração aceita os mandamentos.”
  • Provérbios 10:14: “Os sábios entesouram o conhecimento.”
  • Provérbios 12:18: “A língua dos sábios traz saúde.”
  • Provérbios 13:14: “O ensino do sábio é uma fonte de vida que o protege dos laços da morte.”
  • Provérbios 13:20: “Quem anda com os sábios será sábio.”
  • Provérbios 15:2: “A língua dos sábios destila conhecimento.”
  • Provérbios 16:21: “O sábio de coração será chamado prudente.”
  • Provérbios 23:24: “E quem gerar um filho sábio, nele se alegrará.”
  • Provérbios 28:7: “Quem observa a lei é filho sábio”.
Todos estes textos do livro de Provérbios podem ser pontes no evangelismo de simpatizantes das idéias de Confúcio. 
O CONFUCIONISMO - “Confúcio é mais um filósofo do que um pregador religioso. Suas idéias sobre como as pessoas devem comportar-se e conduzir sua espiritualidade se fundem aos cultos religiosos mais antigos da China, que incluem centenas de imortais, considerados deuses, criando um sincretismo religioso.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – Se eu encontrasse um discípulo de Confúcio que crê em centenas de imortais chamados deuses, teria a enorme alegria de lhe ensinar que a Bíblia chama os Juízes de Israel de deuses. (Salmo 82:6) Assim, a palavra DEUS (Elohim, no hebraico) poderia ser usada para homens, todavia, não que eles possuíssem divindade, pois no Cristianismo apenas Deus é divino, ou seja, tem a essência divina. Numa bate-papo franco, poderíamos trocar nossas crenças para uma reflexão. No final dessa conversa, seria muito oportuno o cristão compartilhar com o simpatizante de Confúcio sua experiência de relacionamento com Deus.

Outra sugestão para se tornar amigo de nossos queridos seguidores de tal Religião é mencionar frases atribuídas a Confúcio, e mencionar até que ponto a Bíblia ou os ensinos de sábio Jesus podem andar juntos. Veja algumas frases: 
CONFÚCIO - “O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros.”

BÍBLIA - Aqui nos lembramos de Saul, que pecou contra Deus. Após derrotar os amalequitas, Israel não deveria pegar os despojos, mas o fez. O Rei Saul era o responsável, mas pôs a culpa no povo. (1 Samuel 15:20-23) Mas o exemplo mais clássico disso foi Deus confrontar Adão por ter comido a fruta e Adão põe a culpa em Eva, e ela, por sua vez, na serpente. – Gênesis 3:9-13. 
CONFÚCIO - “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.”

BÍBLIA – Ela nos ensina a não nos isolarmos. Isso evidencia falta de sabedoria. – Provérbios 18:1. 
CONFÚCIO - “A preguiça anda tão devagar, que a pobreza facilmente a alcança.”

BÍBLIA - Lemos em Provérbios 19:15 que a preguiça gera sono e fome. 


CONFÚCIO - “O silêncio é um amigo que nunca trai.”

BÍBLIA - Eclesiastes 3:7 diz que também há tempo de ficar calado.


CONFÚCIO - “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem.”

BÍBLIA - Jesus disse: “Se, de fato, sabeis essas coisas, sereis bem-aventurados se as praticardes.” (João 13:17) Tiago nos ensina que 23 Pois, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho; porque ele se contempla, vai embora e logo se esquece de como era. Entretanto, aquele que atenta bem para a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas praticante zeloso, será abençoado no que fizer.” – Tiago 1:23-25. 
Continuando, então, a comparação dos ensinos confucionistas com os do Cristianismo, temos mais a aprender.
O CONFUCIONISMO - “O Confucionismo foi a doutrina oficial na China durante quase 2 mil anos, do século II até o início do século XX. Fora da China, a maioria dos confucionistas está na Ásia, principalmente no Japão, na Coréia do Sul e em Cingapura.” 
COMENTÁRIO CRISTÃO – É bom conhecer a história do Cristianismo e sua influência positiva na vida das pessoas. Sem ares de orgulho, ao evangelizarmos seguidores do Confucionismo, podemos mencionar que o Cristianismo é a Religião oficial em centenas de países e é a maior religião do mundo.[3] Mas seríamos sábios se acrescentássemos que a maioria dos cristãos são apenas nominais.

Doutrina 
O CONFUCIONISMO - “No Confucionismo não existe um deus criador do mundo, nem uma igreja organizada ou sacerdotes. O alicerce místico de sua doutrina é a busca do Tao, conceito herdado de pensadores religiosos anteriores a Confúcio. O tao é a fonte de toda a vida, a harmonia do mundo.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – Quando estudo religiões mundiais, impressiona-me que por mais distantes da Bíblia que estejam, sempre há uma centelha da verdade absoluta de Deus entre elas. Embora não creiam no Deus Criador Triúno como os cristãos, falam de um tao, ou caminho. Para o Cristianismo, o caminho é Jesus. (João 14:6) Mas o caminho do próprio homem, baseado em sua própria compreensão e orgulho, resulta em morte. Então, convide o adepto das crenças de Confúcio a aprender sobre Jesus. 
O CONFUCIONISMO - “No confucionismo, a base da felicidade dos seres humanos é a família e uma sociedade harmônica. A família e a sociedade devem ser regidas pelos mesmos princípios: os governantes precisam ter amor e autoridade como os pais; os súditos devem cultivar a reverência, a humildade e a obediência de filhos.” 
COMENTÁRIO CRISTÃO – Sem dúvida nenhuma, concordamos que famílias fortes e uma sociedade harmônica geram felicidade. Mas de onde provêm os valores que as famílias e a sociedade devem seguir para viverem felizes? Do Deus Verdadeiro, através da Bíblia. Ela nos ensina a sermos felizes na família (Efésios 5:22-6:4) e no relacionamento pessoal com os outros (viver em sociedade). – Colossenses 3:12-15. 
O CONFUCIONISMO - “Confúcio ensina que o ser humano deve cultuar seus antepassados mortos, de forma a perpetuar o mesmo respeito e amor que tem por seus pais vivos.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – Neste aspecto do culto aos mortos não é praticado pelo verdadeiro Cristianismo. Sabemos que o culto aos mortos vem do paganismo, incluindo o acender de velas e depositar alimentos nos túmulos. Todavia, a Bíblia ensina o respeito aos mortos. Aprendemos que José fez um pomposo funeral a seu pai, Jacó, e ordenou um luto de sete dias. (Gênesis 50:10) Os israelitas choraram a morte de Moisés por trinta dias. (Deuteronômio 34:8) E tal respeito foi demonstrado ao próprio corpo de Jesus, quando José de Arimateia pede o corpo de Jesus a Pilatos, envolve-o num lençol limpo, põe-no num túmulo novo (Mateus 27:57-61), quando Nicodemos trouxe mirra, aloés e perfume segundo a maneira de os judeus sepultar (João 19:38-42) e quando as mulheres que acompanhavam Jesus foram visitar o corpo de Jesus. – Marcos 16:1.

Os Confucionistas ou aqueles que mantém consigo algumas crenças do Confucionismo ficarão curiosos em saber mais sobre nossas crenças sobre um dia os mortos serem ressuscitados. – João 5:28, 29. 
O CONFUCIONISMO - “De acordo com a doutrina, o ser humano é composto de quatro dimensões: o eu, a comunidade, a natureza e o céu - fonte da auto-realização definitiva.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – Para alguns cristãos, mediante seus estudos bíblicos, o homem é dicótomo, ou seja, ele é formado de corpo e espírito. Para outros, o homem é tricótomo, ou seja, sua composição é corpo, alma e espírito. De qualquer forma, ensinar que a vida continua após a morte poderá ser uma verdade que despertará o desejo dos seguidores desta religião a se interessarem mais sobre o destino eterno das pessoas, para onde elas vão quando morrem. Mas não seria sábio tentar incutir na mente deles nossa crença. Não tente batizá-los nas primeiras semanas, por favor. Deixe o Espírito de Deus fazer a obra. 
O CONFUCIONISMO - “As cinco virtudes essenciais do ser humano são amar o próximo, ser justo, comportar-se adequadamente, conscientizar-se da vontade do céu, cultivar a sabedoria e a sinceridade desinteressadas.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – A Bíblia ensina que os cristãos devem praticar todas estas virtudes. Veja: 
  • Amar o próximo – “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” – João 13:34, 35.
  • Ser justo – “Pois, diante de Deus, não são justos os que somente ouvem a lei, mas os que a praticam; estes serão justificados.” – Romanos 2:13.                                                       
  • Comportar-se adequadamente“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está no céu.” – Mateus 5:16.
  • Conscientizar-se da vontade do céu “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” – Mateus 6:10. 
  • Cultivar a sabedoria e a sinceridade desinteressadas“Se o buscares como quem busca a prata e o procurares como quem procura tesouros escondidos; então entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus. Pois o SENHOR dá a sabedoria; o conhecimento e o entendimento procedem da sua boca”. (Provérbios 2:4-6.) “E perseverando de comum acordo todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e simplicidade de coração.” – Atos 2:46.
O CONFUCIONISMO – “Somente aquele que respeita o próximo é capaz de desempenhar seus deveres sociais.”
COMENTÁRIO CRISTÃO – Jesus nos ensinou a Lei Áurea: “Portanto, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” – Mateus 7:12. 
O CONFUCIONISMO – “O único sacrilégio é desobedecer à regra da piedade.”  
COMENTÁRIO CRISTÃO – Sobre o tema da piedade no Confucionismo, lemos a seguinte explicação adicional: 
“Uma idéia fundamental era a piedade (xian), que era responsável pela coesão da família. Isto significa que os pais devem ser honrados mesmo que sejam insensatos e que os ancestrais estão incluídos neste preceito mesmo que já estejam mortos. Nada que traga desonras às suas memórias pode ser feito. Há uma certa bênção nesse sistema, pois se por um lado ele mantém um certo nível de rotina e rigidez, por outro lado, quando os princípios são passados a diante, há também harmonia, responsabilidade mútua e um encorajamento do aprendizado.” [4]
Por sua vez, a Bíblia exorta-nos a sermos piedosos. Observe: 
  • Salmos 4:3 – “Sabei que o SENHOR distingue para si o piedoso; o SENHOR me ouve quando clamo a ele.”
  • 1 Timóteo 2:2 - “[...] para que tenhamos uma vida tranquila e serena, em toda piedade e honestidade.”
  • 2 Pedro 1:3 – “Seu divino poder nos tem dado tudo que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude.” 
O CONFUCIONISMO – “Os cinco livros - Os ensinamentos do confucionismo estão reunidos em cinco livros, chamados Wu Ching ou Os Cinco Clássicos, que incluem textos atribuídos a Confúcio e a outros autores de períodos anteriores. As obras são: 
  • O Shu Ching (Clássico de Política);
  • Shih Ching (Clássico de Poesia);
  • Li Ching (Livro dos Ritos, visão social);
  • Chun-Chiu (Anais das Primaveras e Outonos, visão histórica) e o
  • I Ching (Livro das Mutações, que aborda os aspectos metafísicos da vida).

COMENTÁRIO CRISTÃO – O Livro Sagrado cristão é evidentemente a Bíblia. É importe: Quando tivermos a oportunidade de diálogo com os confucionistas, precisamos conhecer um pouco do que eles creem e criarmos bases de acordo mútuo para que uma amizade surja e, com ela, poderemos falar sobre Jesus Cristo.

Conclusão

Não se pretendeu aqui fazer um estudo exaustivo. Todavia, espero que este texto possa ajudá-lo a ampliar nossa habilidade de adaptarmos nossa maneira de falar sobre a verdade de Deus a diferentes crenças. Que Deus abençoe os confucionistas, em nome de Jesus, amém. – Fernando Galli.



[1] MATTER, George A & NICHOLS, Larry A. Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. Página 102. São Paulo : Vida, 2000.
[2] O’DONNELL, Kevin. Conhecendo as Religiões do Mundo. Páginas 180, 181. São Paulo : Edições Rozari LTDA, 2007.
[4] O’DONNELL, Kevin. Conhecendo as Religiões do Mundo. Página 182. São Paulo : Edições Rozari LTDA, 2007.