A IMPORTÂNCIA DE SUPORTARMOS UNS AOS OUTROS


Já aconteceu com você de não conseguir suportar uma pessoa? Com todos nós, claro! Somos imperfeitos, mas aqueles que desfrutam da habitação do Pai, do Filho e do Espírito Santo em suas vidas, pois aceitaram a Jesus e foram transformados, naturalmente têm uma inclinação maior para suportar o próximo. O texto bíblico base para tal tema diz: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.”[1] Com este texto em foco, o que envolve a expressão “suportando-vos” e como ela se relaciona com o contexto? E quais os benefícios, de acordo com a Bíblia, de se praticar o “suportando-vos”? Será que vale a pena mesmo?


SUPORTAR É PERDOAR SEMPRE 

As atitudes do semelhante contrárias às expectativas de outrem podem perdurar. Em outras palavras, o ofensor nem sempre comete um ato isolado de ofensa, mas persiste em sua atitude pecaminosa, quer ciente ou não do seu erro. Nesse caso, pode-se diferenciar que o ato de suportar alguém envolve perdoar muitas vezes até que passe a provocação. No texto em que Jesus refere-se a perdoar setenta vezes sete (ou: “setenta e sete vezes”)[2], não se menciona o perdoar como se referindo ao mesmo pecado ou não, todavia a idéia do texto parece indicar uma contínua prática do perdoar, ao que se pode considerar como suportar. Portanto, não seria errôneo concluir que suportar envolve um conjunto de perdões por um período de tempo indeterminado.

SIGNIFICADO DE “SUPORTAR” NO TEXTO GREGO
Em Efésios 4:1, 2, o apóstolo Paulo usou o vocábulo grego avne,xomai (anéchomai) e, segundo VINE, significa “manter para cima, manter erguido [...] é usado na voz média no Novo Testamento, com o significado de “aguentar com, suportar”.[3] Assim, “suportar” parece indicar o esforço que alguém faz para suportar algo que precisa tolerar, carregar, como se estivesse segurando algo para cima. CHAMPLIN relaciona “suportando-vos” uns aos outros com “tolerância mútua”.[4] Isso implica num suportar mútuo – todo cristão precisa tolerar, suportar o outro.
No Novo Testamento, os usos de avne,xomai dão uma idéia do esforço que se deve fazer para praticar o “suportando-vos”. Por exemplo, Jesus usa este vocábulo em relação à geração sem incrédula e perversa quando pergunta: “Até quando vos sofrerei [ou: suportarei]?”[5] Paulo relaciona o suportar com a perseguição: “Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos.”[6] Paulo também usa avne,xomai ao referir-se aos cristãos sensatos tolerando os insensatos, aqueles que os escravizavam e até esbofeteavam-lhes no rosto.[7] Portanto, com mesma intensidade urge aos cristãos suportarem-se uns aos outros, até que passe a provação.
COMO E POR QUE “SUPORTAR UNS AOS OUTROS”
O mesmo escritor de Efésios 4:1, 2, o apóstolo Paulo, descreve o amor como “paciente e benigno”.[8] Visto ser o amor ao próximo que motiva o cristão a tolerar, torna-se impossível praticar o “suportando-vos” sem o exercício da paciência e da benignidade. Ao mesmo tempo em que o cristão mostra paciência, procura o bem de seu próximo que o ofende em palavras e ações, evitando revidar ou vingar-se, mas procurando usar de longanimidade, sempre esperando que a situação seja superada e resolvida. Sobre isso, CHAMPLIN afirma:
“Mas a ordem para nos suportarmos uns aos outros dá a entender que haverá entre nós abusos reais, pelo que também teremos de perdoar ofensas reais e teremos de exercer grande paciência. Portanto, o sofrer os erros cometidos contra nós é algo equiparado com a paciência, ao mesmo tempo em que devemos manter a atitude apropriada de amor por aqueles que provocaram a situação de conflito.”[9]
No texto de Efésios 4:2, Paulo deixa claro que o “suportando-vos uns aos outros” deve ser “em amor”. Por que “em amor”? ADAMS e STAMPS explicam ser “pelo fato de o amor procurar o bem-estar dos outros e o bem-estar do corpo de Cristo”.[10] Isto apenas reitera a verdade: Quem ama perdoa, quem suporta pratica o perdão – temas estes dos primeiros três capítulos desta obra.
Evidentemente, nunca é fácil suportar. Todavia, conforme se aprende com a Bíblia, a prática da humildade, qualidade esta inserida no contexto imediato de Efésios 4:2, ajuda o cristão a suportar uns aos outros, pois uma mente humilde provém de uma avaliação honesta de si mesmo da parte do cristão: ele reconhece seus erros e limitações, e que também necessita ser suportado. O apóstolo Paulo, inclusive, roga aos cristãos em Corinto para que o suportassem mais em sua loucura, referindo-se ao zelo que tinha por eles.[11] Assim, admitir com humildade a imperfeição possibilita-o a suportar assim como deseja ser suportado.
Mas por que, então, a necessidade de se suportar uns aos outros? O contexto de Efésios 4:1, 2 responde a esta pergunta com a expressão no versículo 1 “andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” e com a do versículo 3 “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. Suportar uns aos outros implica que o cristão anda, ou vive, de modo digno da vocação a que foi chamado. Sua conduta diária corresponde com o estado de redenção através de Cristo Jesus. Implica também no esforço contínuo da parte do cristão para evitar facções, disputas, “arrogância, falsidade, orgulho e atitudes egoístas”.[12] Antes, o cristão se apressará em preservar a unidade do Espírito, no vínculo da paz, o que, segundo CHAMPLIN, “transcende a mera harmonia doutrinária e de filiação eclesiástica”.[13] Significa o cristão deixar o Espírito Santo atuar em sua vida como inestimável ajuda para haver tolerância mútua. Essa paz advinda do Espírito Santo, pela qual o cristão se empenha através da tolerância mútua, contribui para que os novos na fé sintam os benefícios espirituais e até físicos de se conviver numa igreja que vive à altura do nome de Jesus Cristo.
Mas suportar uns aos outros implicaria em se fazer vista ao que é errado? De modo algum, segundo as Escrituras. A tolerância mútua não implica em cegueira para com o pecado, mas envolverá muitas vezes, principalmente àqueles cristãos espirituais, tomar a iniciativa de raciocinar com a pessoa em pecado, sempre com profundo respeito e brandura, conforme a Bíblia insta nas palavras: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”[14]



[1] BÍBLIA. Efésios 4:1, 2.
[2] BÍBLIA. Mateus 18:22.
[3] VINE, W. E. & UNGER, Merril F. & WRITE JR, WILLIAM. Dicionário VINE. Página 1007. Editora CPAD. 3ª. Edição. 2003.
[4] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume 4. Página 594. Editora Hagnos. São Paulo. 2005.
[5] BÍBLIA. Mateus 17:17; Marcos 9:19; Lucas 9:41.
[6] BÍBLIA. 1 Coríntios 4:12.
[7] BÍBLIA. 2 Coríntios 11:19, 20.
[8] BÍBLIA. 1 Coríntios 13:4.
[9] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume 4. Página 594. Editora Hagnos. São Paulo. 2005.
[10] ADAMS, J. Wesley e STAMPS, Donald C. Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. Editado por French L. Arrington e Roger Stronsad. Página 1236. 2ª. Edição. CPAD. 2004.
[11] BÍBLIA. 2 Coríntios 11:1, 2.
[12] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. Página 1858. Editora Vida Nova. 2009.
[13] CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Volume 4. Página 594. Editora Hagnos. São Paulo. 2005.
[14] BÍBLIA. Gálatas 6:1, 2.

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