SONHEI COM O APÓSTOLO PAULO EM NOSSOS DIAS

Certo dia sonhei que o Apóstolo Paulo havia sido transportado do céu para os nossos dias. O sonho era uma heresia pois os mortos não podem retornar para debaixo do sol nem saber do que ocorre aqui antes de serem ressuscitados. (Eclesiastes 9:3-11) Mas sonho é sonho. 

No sonho, a notícia me veio através de um programa de rádio. Rapidamente, telefonei para a rádio e pedi as informações para localizar o apóstolo. Sabe aonde fui encontrá-lo? Num hospital, passando muito mal. Sonho é sonho!

Ao entrar em seu quarto, lá estava ele, na cama, sentado e triste. Assim que me apresentei, disse a ele: Conte-me tudo o que aconteceu. E ele, com uma voz calma, expressou-se da seguinte forma:
"Assim que cheguei, percebi que entendia e falava o português, a língua desse povo. Vesti-me como todos e observei que numa só rua havia muitos templos, também chamados de igrejas. Entrei na primeira e me perguntaram se eu era cristão tradicional ou avivado, liberal ou conservador, calvinista ou arminiano. Logo saí dali, pois achei aquelas perguntas sem o menor sentido.

Fui logo para a segunda igreja, e ouvi o pregador gritando: "Você será rico, pois te porei por cabeça e não por cauda." Que loucura é essa? - perguntei a mim mesmo. Quem disse que essa expressão, na cultura judaica e na língua hebraica deveria ser entendida como promessa de riqueza para pessoas individuais? Isso era uma promessa para a nação de Israel, como um todo. Seria cabeça entre as nações, pois teria hegemonia entre os povos. Que horror! Saí correndo dali. 

Entrei na terceira igreja. Vi muita gente caída no chão chorando e gritando, outras rodopiavam, o pastor pondo as mãos na cabeça das pessoas, dizendo: "Receeeeeeba!", após o que elas caíam para trás e eram deixadas no chão. De repente, muitas delas começaram a rir sem parar. Não pensei duas vezes: Saí correndo dali. 

Fui para a quarta igreja. O que se intitulava apóstolo usou o meu nome, afirmando que eu havia pregado o evangelho da graça e que, por isso, nada impediria de um homossexual ser ali pastor. Não fora isso que eu tinha escrito aos coríntios e aos romanos. Saí correndo de lá. 

Fui para a quinta igreja. Estavam louvando assim: "Coroamos a ti oh Rei Jesus", e depois "Restitui, eu quero de volta o que é meu". Ora, Jesus sempre foi Rei e que conversa era aquela de ordenar a Deus para devolver o que era nosso? O que é nosso? Nada! 

Saí correndo, para uma sexta igreja. Muitos falavam línguas estranhas e não havia intérprete. Lembro-me de ter orientado os cristãos em Corinto para que se alguém falasse em línguas, que fossem poucos, que houvesse intérprete e que tudo ocorresse por ordem e decência. E depois um começou a testemunhar que as galinhas do galinheiro dele começaram a falar em línguas e o galo traduzia! Saí correndo dali.

Fui para a sétima igreja. Nessa eu nem entrei. Devia haver ali pais muito incompetentes em ensinar suas crianças, pois elas ficavam correndo na frente do templo, usando palavreados estranhos aos meus conhecimentos, do tipo: "Kaduf!", "Olha que eu atiro com o meu revólver!". Passei reto, atravessei para o outro lado da rua.

Entrei na oitava igreja. O interessante é que ela tinha o mesmo nome da primeira e da terceira, mas o que as diferenciava era o tal "ministério". Naquela igreja, o pastor dizia: "Isso está amarrado em nome de Jesus!" E dos lábios do pastor, de vez em quando, saía assopros sem o menor significado. De repente um camarada começou a rodopiar sem parar! Saí correndo dalí.

Fui para a nona igreja, a cem passos da outra. O pastor entregou um pão dentro de um pequeno embrulho transparente (uns chamavam aquilo de saquinho) e disse: "Quando esse pão murchar, seus problemas desaparecerão da sua vida." Achei estranho, mas permaneci ali um pouco mais. De repente, várias pessoas endemoniadas diziam que foram salvas, mas algo me chamou atenção: O pastor punha um objeto na boca do endemoniado, que fazia o som sair de mais alto de uma caixa perto da gente, e fazia muitas perguntas para o demônio. E quando ele gritou: "Ordeno que todos os demônios que estão na família dessa pessoa entrem naquele porco que está ali em cima da mesa!", então não tive dúvidas. Saí dali. 

Fui para a décima e penúltima igreja. Ali não se falava pastor, mas apóstolo. Ele tinha o mesmo nome daquele que morreu apedrejado um pouco antes de eu ter me convertido. Eu cheguei no finalzinho, não deu para saber se era bom ou não, mas assim que atravessei a rua, vi um papel no chão onde dizia que aquele apóstolo havia estado preso por ter escondido dinheiro da igreja num local não permitido pela lei do país e que a esposa dele, uma bispa (no meu tempo não havia bispa) também havia sido presa. Fiquei nervoso, e saí correndo dali.
Então fui para a décima primeira igreja. Outro apóstolo. Gordo, de barba. Ele dizia: "Se você me critica, Deus me revela que você está amaldiçoado!" Eu pensei: O meu Jesus ensinava a orar pelos que nos perseguem, e esse tal apóstolo diz que seus perseguidores estão amaldiçoados? 
Fui para a última igreja. Tinha gente demais! E o pastor que pregava usava uma coisa esquisita na cabeça, parecendo uma toca com aba dos lados. Ele tinha um pedaço de pano nas mãos e as pessoas que falavam com ele onde ele pregava faziam questão de tocar no pedaço de pano dele. Daí, eu resolvi subir aonde o pastor estava, e quando ele olhou para mim, ele me disse que se eu quisesse ser salvo pela graça de Deus eu deveria comprar uma tolinha dele. Fiquei nervoso, falei que o pastor estava errado, ele me repreendeu e disse que um grande espinho me acompanharia o resto da minha vida. Meu coração gemeu no espírito, caí no chão desmaiado e acordei aqui nesse lugar esquisito, com essa cama de ferro e com uma moça vestida toda de branco pondo uma faixa cinza no meu braço esquerdo. A faixa apertou meu braço, depois foi soltando aos pouquinhos, e a moça de branco disse: Dezoito por doze! 
Depois de ter dito isso, no sonho, o Apóstolo Paulo e eu iniciamos o seguinte diálogo:

- Irmão, a sua igreja é parecida com uma daquelas doze que eu visitei?
- Bom irmão Paulo, sou de uma cuja convenção de igrejas até hoje não faz nada para tirar os pastores maçons dela, nem impedem que outros pastores se tornem maçons. 
- O que é maçom e qual o problema de um pastor ser maçom?
- Deita na cama Paulo. O irmão vai piorar se não se acalmar.
- Sim, mas o que é ser maçom? É coisa boa?
- Paulo, negócio é o seguinte, só te conto se você me revelar se Pedro foi realmente o primeiro Papa da Igreja Católica.
- O que é Papa?
- Eu sabia! Paulo, deite-se. Vou arrumar um jeito de te mandar de volta.
- Sim, eu estava num lugar aguardando a minha ressurreição!
- Sim, eu sei. A propósito, você viu se lá tinha alguém com o nome de Rudolf Bultmann ou Paul Tillich?
- Não!
- Uffa! O céu é bom!

Foi quando a campainha de casa tocou e eu acordei. Era Deus usando dois falsos profetas de pasta na mão para me acordar. Eu estava atrasado para a Escola Bíblica Dominical.

- Fernando Galli.