CRISTADELDIANISMO E SEUS CONCEITOS ERRÔNEOS SOBRE JESUS


O movimento Cristadelfos, nome que significa “irmãos de Cristo”, foi fundado por John Thomas (1805-1871). Depois de ser conhecida por “Thomasistas”, John Thomas, em 1864, durante a Guerra Civil Americana, adota o nome Cristadelfianos. Dentre as heresias desse movimento, destaca-se a negação à doutrina bíblica da Trindade. Para eles, Jesus não é Deus, assim como as Testemunhas de Jeová acreditam. No entanto, os Cristadelfos rebaixam ainda mais a pessoa de Jesus por ensinarem sua natureza pecaminosa e crerem que Jesus existia apenas como palavra ou promessa João 1:1 antes de nascer na terra. Ou seja, ele foi criado há apenas uns dois mil anos. Observe:
Heresia dos Cristadelfianos - “Nós rejeitamos a doutrina da trindade, que se desenvolveu após a morte e ressurreição de Jesus em consequência de disputas dentro da igreja (Concílio de Niceia 325 d.C). A Bíblia ensina que Jesus era o filho de Deus e não que pré-existiu no céu como “Deus Filho”. A trindade diminui a obra de Cristo negando a sua humanidade e a realidade da sua morte. Pois se fosse Deus não seria tentado, e não poderia morrer. (1 Timóteo 2:5; 1 Coríntios 11:3; Hebreus 5:8)” - Os Cristadelfianos, Introdução de Uma Comunidade Baseada na Bíblia, páginas 4, 5, por Rob Hyndman.
Heresia do Cristadelfianos - “Rejeitamos a doutrina de que a natureza de Cristo era Imaculada”. - Doutrinas Registradas, no. 5.
Refutação Apologética Evangelística - Embora os cristadelfos creiam que Jesus não tivesse uma natureza imaculada, pois para eles seria possível ele pecar, admitem que ele perseverou e não pecou porque Deus agia nele, impedindo-o de pecar, apesar de sua natureza humana como a nossa, caída. Aos cristadelfos, usamos as seguintes palavras bíblicas:
“[...] Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca.” - 1 Pedro 2:22.


“Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” - Colossenses 2:9.
Com base nesses textos, questionamos aos cristadelfos: Como uma pessoa com a natureza humana caída poderia salvar-nos de nossos pecados e nos dar a vida eterna? E se Jesus não pecou apenas porque Deus atuava nele, impedindo-o de pecar, evidentemente os méritos de Jesus de não pecar não recairiam sobre ele, mas sobre Deus-Pai. Assim, como Jesus poderia nos salvar se ele manteve-se sem pecado apenas porque o Pai não permitia?

Outro ponto interessante é: Sabemos que "plenitude" (pleroma) vem do verbo grego "transbordar" (pleroo). Assim, a redundância usada por Paulo ("plenitude da Divindade") qualifica Jesus como plenamente Deus. O interessante é que Paulo usa no grego para "Divindade" a palavra "theotes", derivada de "theos" (Deus). Paulo não quis dizer que Jesus era apenas divino, como se poderia tentar provar que ele fizesse parte do pleroma espiritual (ensino cristão-gnóstico da época), pois se este fosse o caso teria usado "theiotes" (divindade), o qual é derivado de "theios" (divino).

Portanto, os cristadelfos precisam ser ajudados a entender os termos originais gregos e através dessas palavras concluir a perfeição de identidade de Jesus Cristo com Deus. Daí, chegarão à conclusão de que Jesus não poderia ter sido criado e que os méritos por não ter pecado em sua humanidade recaem sobre ele, e não sobre um suposto deus-pai celestial controlador.
Mas o que dizer da alegação de que “a doutrina da trindade teria se desenvolvido após a morte e ressurreição de Jesus, no Concílio de Niceia 325 d.C, em consequência de disputas dentro da igreja? Isso é uma grande inverdade. A doutrina da Trindade foi estabelecida como Doutrina Oficial da Igreja no Concílio de Nicéia, em 325 d.C., mas ela não fora criada nessa data. Primeiro, porque ela é baseada na Bíblia. O Pai é Deus (1 Coríntios 8:5), o Filho é Deus (João 1:1; 20:28) e o Espírito Santo é Deus (Atos 5:3, 4), mas Deus é um só em essência e natureza. (Deuteronômio 6:4) Segundo, os pais da Igreja já ensinavam ser Jesus o próprio Deus, bem antes do ano 325 d.C.. Observe as citações abaixo:
I. Justino Mártir (100 d.C. - 165 d.C) - “O Pai do universo tem um filho, e ele, sendo o primogênito verbo de Deus, é o próprio Deus. E nos tempos antigos ele apareceu na forma de fogo e na semelhança de um anjo a Moisés” - Primeira apologia 63.
II. Clemente de Alexandria (150 d.C. - 215 d.C.): “Realmente a deidade plenamente manifesta, sendo ele feito igual ao Senhor do universo; porque ele era o seu Filho” - Exortação aos pagãos 10.
III. Tertuliano (155 d.C. - 222 d.C.) - “O mistério da dispensação ainda deve ser guardado, que distribui a unidade em uma trindade, colocando na devida ordem as três pessoas: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo; três, porém, não em condição, mas em grau, não na substância, mas na forma”. - Contra Práxeas 1.
IV. Orígenes (?185 d.C. - 253 d.C.) - “Nada na trindade pode ser chamado maior ou menor, posto que a fonte da deidade, por si só, contém todas as coisas pelo seu verbo e razão, e pelo Espírito da sua boca santifica todas as coisas que são dignas de santificação” - Princípios 1.
V. Hipólito (?170 d.C. - 235 d.C.) - “Não havia nada contemporâneo com Deus. Além dele nada havia; mas ele, enquanto existia sozinho, mesmo assim existia na pluralidade” - Contra Noêncio 10.
Apenas essas cinco referências provam a inconsistência da afirmação de que a crença de Jesus ser Deus se desenvolveu no ano 325 d.C..
Outra argumentação dos Cristadelfos se faz necessário refutar: “A Bíblia ensina que Jesus era o filho de Deus e não que pré-existiu no céu como “Deus Filho”.” Vamos às evidências bíblicas de que Jesus não tem princípio:
1. Jesus, o Messias, pre-existiu no céu. Suas orígens são desde os dias da eternidade. (Miquéias 5:2) O próprio Jesus pediu para o Pai glorificá-lo com a glória que Jesus tinha, junto com o Pai, antes de haver mundo. - João 17:5.
2. Jesus é chamado de filho de Deus (Mateus 16:18) e de Deus (João 20:28). Jesus se declarar o filho de Deus o fazia igual a Deus em natureza, tanto que seus opositores queriam matá-lo porque se fazia filho de Deus, ou seja, viam nessa expressão uma blasfêmia. - João 19:7.

3. A quem Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semlhança?” (Gênesis 1:26) Teria Deus dito isso aos anjos? Se assim fosse, o homem seria criado à imagem e semelhança de Deus e dos anjos também. Impossível! Ou será que o verbo no plural “façamos” e o pronome possessivo no plural “nossa” indicam as Pessoas de Deus planejando a criação do homem? De fato, a Bíblia diz que Jesus criou todas as coisas. (João 1:3) Como um ser criado porderia criar sem ser Deus, se só Deus é o Criador? Como Jesus não poderia co-existir como Deus junto ao Pai e ao Espírito Santo se Jesus é chamado de o Primeiro e o Último? - Apocalipse 1:17.
Quando evangelizamos e citamos João 1:1, onde lemos que “no princípio era o Verbo [ou Palavra, grego: lógos], e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, perguntamos aos cristadelfos: Como Jesus pode ter vindo à existência apenas quando foi concebido pelo Espírito Santo se Ele era desde o princípio o Verbo de Deus? A resposta costumeiramente dada é que Jesus seria o Verbo, ou Palavra, significando ser ele apenas uma promessa dentro do plano de Deus, como qualquer um de nós fazemos parte também. Todavia, Apocalipse 19:13, escrito 63 anos depois da ressurreição de Jesus, chama Jesus de “o Verbo de Deus”. Se no princípio Jesus fosse o Verbo no por ser apenas uma promessa e não um ser pré-existente, então ser Jesus chamado de “o Verbo de Deus” em Apocalipse [livro escrito mais de 60 anos após a ressurreição de Jesus] indicaria Jesus não existindo como ser pessoal novamente, mas como uma mera promessa nos planos de Deus, o que seria um absurdo.
Portanto, quando cremos que Jesus é Deus, baseamo-nos na Bíblia. A Palavra de Deus revela que o Verbo de Deus se fez carne (João 1:14), que Jesus, embora existisse na forma de Deus, esvaziou-se e assumiu a forma humana (Filipenses 2:5-8). Essas expressões não coadunam com Jesus ser apenas uma promessa ou palavra de Deus. Indicam um ser que decidiu se fazer carne e homem, e morrer por nós como homem, morto apenas na carne (1 Pedro 3:18).
Oração e ação pela conversão dos cristadelfos
De forma alguma a Doutrina da Trindade rebaixa a Cristo por negar a sua humanidade; pelo contrário, exalta a Jesus como homem que, mesmo tentado, não cedeu, e como Deus que se fez homem para a Salvação de todos os que nEle crêem. Por isso, você poderia perguntar a Deus, em nome de Jesus: “Pai, como eu deveria me dirigir a uma pessoa que considera Jesus um ser nascido com natureza humana pecaminosa e criado por Deus apenas há 2010 anos?"

Embora seja difícil encontrarmos com um cristadelfo, estar preparado para suas heresias nos ajudará a conhecermos mais a Palavra de Deus. Certa vez, um missionário os viu pregando na Praça da Sé, em São Paulo, e o que impressionava era a convicção daquelas pessoas e sua coragem ao falar em público. E o mais lamentável foi cristãos debaterem com eles e lhes faltarem argumentos e conhecimento bíblico para ajudá-los a conhecer o Jesus revelado na Bíblia. Que nossas orações incluam os cristadelfos, e que o nosso conhecimento bíblico cresça para ajudá-los. Certamente, no tempo de Deus, veremos os resultados maravilhosos de nossos empenhos, às mãos do Espírito Santo de Deus. - Fernando Galli