EVANGELISMO DE SECTÁRIOS - UM DESAFIO PARA A GLÓRIA DE DEUS


"Não estou interessado!", "Diga que não estou!", "Eu já sou crente!", "Minha panela está no fogo!", "Não vi a briga!", "Estou ocupado!", entre tantas desculpas e mentiras que se dão para fugir do diálogo com adeptos de seitas. Isto se dá, quando a desculpa é mentirosa, por problemas de caráter cristão. Mas e quando a desculpa é para evitar a troca de idéias? A resposta é simples: É difícil evangelizá-los, para 95% dos cristãos. Por quê?

  1. Os adeptos de seitas são treinados a seguir uma liderança a quem dão total credibilidade. Eles a tem como dona de sua fé, de suas interpretações, de suas atitudes, enfim, de sua mente. Tais pessoas, muito sinceras à sua crença, encaram os livros produzidos por essa liderança como uma extensão da verdade da Bíblia, porque neles estão o "alimento espiritual"," as revelações", "as iluminações" vindas de Deus. Questionar tais livros significaria questionar o próprio deus delas. 
  2. Esses seguidores tão leais à sua fé que trabalham arduamente para conseguir uma chance para a salvação. São candidatos ao prêmio, mas para recebê-lo precisam mostrar lealdade à sua organização, profetas, apóstolos, príncipes, deuses, e até seus supostos cristos encarnados novamente. 
  3. Suas mentes como que idolatram esses mentores da fé, e isso lhes gera uma sensação de estarem trilhando os caminhos da única verdade na face da terra. Tornam-se exclusivistas, donos da verdade, e tudo aquilo que vai de encontro, que se choca, com suas crenças, torna-se um perigo para sua salvação, pois seus mentores ensinam que é o Diabo usando raciocínios humanos para desencaminhá-los. 
  4. Todavia, são esses sectários os maiores proselitistas, brigando entre si arduamente por uma nova alma. Para isso se preparam como verdadeiros estudiosos da Bíblia e de sua literatura, e manejam seus conhecimentos como peritos capazes de fazer com a Palavra de Deus as maiores aberrações, tudo para provarem a razão de sua fé e para "evangelizar" os que para eles se acham perdidos. 

Este é um breve resumo do perfil dos sectários, e ao mesmo o por que da difículdade de evangelizá-los. Costumo dizer que ganhar um sectário para Jesus é tão difícil quanto esperar que um pássaro pouse em suas mãos. Então pense: Se isso acontecesse, por quanto tempo você conseguiria mantê-lo com você?

Os sectários são tão ariscos quanto um pássaro. Assim que percebem argumentos difíceis de serem respondidos, logo fogem, voam, porque lhes foi ensinado que Satanás e seus agentes humanos querem questionar a fé deles.

Quando mostrei certa vez a uma testemunha de Jeová as provas concretas, em sua própria literatura, de que sua liderança, o Corpo Governante, previu a volta de Jesus para 1914, 1925 e 1975, ela simplesmente disse que eu estava sendo vítima de apóstatas que seriam capazes de modificar essas literaturas para desencaminhar uma pessoa da verdade.

O mesmo aconteceu ao raciocinar com um mórmon sobre as falsas profecias de seu profeta Joseph Smith. Diante de tamanha evidência, usando livros antigos deles, ele disse: Na sua Bíblia, profetas, como Jonas, também fizeram profecias que não se cumpriram.

Então, surge a pergunta: O que é melhor: Falar do que Jesus fez na sua vida, sem questionar a fé deles? Ou questionar a fé deles e esperar que isso lhes abra os olhos em relação à sua liderança? Em minha experiência como missionário entre as seitas, afirmo que cada caso é um caso. Há aqueles que são tão convictos e cegos ao mesmo tempo que você poderia provar que o fundador do movimento é ladrão e adúltero, e mesmo assim inventariam uma desculpa para se esquivarem da argumentação.

Por exemplo, quando eu era testemunha de Jeová, a incrível união (hoje eu chamo de uniformidade) desfrutada entre meus antigos irmãos de fé me motivava a pensar que jamais se poderia encontrar algo parecido. Então, eu fechava o coração para argumentações perigosas. Minha estratégia era virar o jogo e apontar os erros das outras religiões, como quem dissesse: Fico onde tem menos erros, pois a verdade está onde há mais proximidade com a perfeição.

Em vista disso, pergunto-me como eu me evangelizaria se eu mesmo pudesse voltar no tempo e me encontrar naquela seita. Para pessoas desse tipo, sugiro que você sempre procure falar sobre o que Jesus fez em sua vida. Os espíritas, os mórmons, os TJs, os adventistas do sétimo dia - os mais polêmicos - precisam saber que fora de suas fileiras há pessoas transformadas pelo Espírito Santo de Deus.

Então, sua única estratégia, além de paciência e oração, será o seu testemunho. Pelo menos, através de seu bom exemplo, você não a perderá de vista; e quem sabe, com o tempo, mesmo com suas dificuldades para responder os argumentos dos bem treinados sectários, você possa, pela confiança alcançada, questionar com respeito e cautela, os mesmos que você teria para deixar que um lindo pássaro ficasse um pouco mais de tempo em suas mãos.

Por outro lado, existem os sectários mais abertos a questionamentos. São pessoas curiosas, e até mais inteligentes, pois raciocinam: a verdade não pode temer a mentira. Variam entre pessoas que conhecem mais ou menos suas doutrinas até as que são bem profundas em suas crenças, capazes de contribuir muito para nosso crescimento em nossas doutrinas, pois quando elas argumentarem, corremos atrás das respostas afim de ajudá-las.

O interessante é que para elas você pode ser um passarinho também. Então, um tratará o outro com respeito, e o Espírito Santo convencerá aquele que não se converteu ainda. Mas preste atenção:

  1. Ouça as argumentações do sectário. 
  2. Anote o que ele diz e prometa pesquisar. 
  3. Não discutir vários assuntos de uma só vez, mas tente conversar com a pessoa sobre o mesmo assunto, em várias conversas.

A vantagem disso é que ela está te ouvindo, e percebe que você conhece as crenças dela. Certa vez, um ancião testemunha de Jeová me telefonou e disse que estava estudando e procurando as respostas para minhas argumentações, sobre as cinco vezes que o Corpo Governante mudou de interpretação sobre se seria certo ou não receber remédios feitos com pequenas frações de sangue. Hoje, ele é um cristão convertido para a glória do Senhor Jesus.

Nessa comparação com o pássaro em suas mãos, quero incutir em sua mente que os sectários são pessoas especiais, e que merecem nossa atenção quando se aproximam de nós. É óbvio que precisamos de um preparo, mas é o tentar sempre, a prática, que nos tornará bem sucedidos em evangelizá-los, e não fugir deles.

Vou citar outro exemplo. Há espíritas que nem falam de Jesus ou de religião conosco, porque lhes foi ensinado que somos menos evoluídos do que eles, e que precisaremos reencarnar outras vezes para chegarmos à mesma evolução espiritual deles. Outros  buscam usar a Bíblia para provar suas crenças, como a reencarnação e o a lei de carma. E outros espíritas mal sabem que o espiritismo não crê no sacrifício de Jesus Cristo. Não pretendo aqui estabelecer regras para cada tipo de espírita, pois é a prática evangelística de cada cristão que estabelecerá os parâmetros para cada situação. Mas não posso deixar de dar minhas sugestões:

  1. Ao espírita que se acha bem evoluído e que não quer raciocinar sobre fé, você poderá dizer que Allan Kardec e Chico Xavier eram considerados bem evoluídos no meio espírita e falavam sobre Jesus, e que você gostaria de em poucas palavras contar-lhe o que Jesus fez na sua vida. Sugira trocarem e-mails, ou endereços, e troquem mensagens. É um bom começo. 
  2. Ao espírita que usa a Bíblia para provar suas crenças, ouça-o, e estude algum material de defesa da fé. Busque argumentos para ajudá-lo como se buscasse tesouros escondidos, e rápido, antes que o passarinho voe. Quem sabe ele voe convertido! 
  3. Aos espíritas mal informados de suas crenças, geralmente católicos-espíritas, que ainda crêem no sacrifício expiatório de Jesus (que Jesus morreu por nós), aproveite que eles não imergiram ainda nas doutrinas espíritas como a reencarnação, a qual é incompatível com a doutrina bíblica da salvação. Use a Bíblia para mostrar como Deus nos salva (João 3:16; Efésios 2:8, 9), se reencarnamos ou não (Hebreus 9:27), e compare com os ensinos de Allan Kardec. 
Se você tiver medo de ler livros espíritas, ore a Deus. Talvez, você se sinta melhor em estudar matérias em sites apologéticos sobre o assunto, como o nosso, ou do CACP (www.cacp.org.br). O importante é agir mais rápido ainda do que o caso anterior, antes que o pássaro voe. 

Como recomendação, não fique com receio de abordar sectários com medo de não saber responder biblicamente a eles. O evangelismo é um processo, assim como o discipulado. Você buscará a resposta, e talvez nem encontrará mais aquela pessoa, mas estará preparado para um outro sectário que vier com a mesma objeção. E aquele primeiro encontrá uma pessoa mais preparada que você. É assim que Deus trabalha, no tempo dele (kairós), não no nosso tempo (khrónos). 

Evangelizando pássaros feridos. 

Em todo movimento sectário, há aqueles que já estão decepcionados com as mentiras ali ensinadas. Claro que se trata de um mover de Deus na vida deles, mas esse processo de descobrir o erro é dolorido. Conhecer e reconhecer dói. Quando eu era testemunha de Jeová, ninguém me evangelizou para que eu saísse de lá. Descobri os erros por conta própria, claro que com a ajuda do Espírito Santo. 

Quando fui desassociado (expulso) das TJs, pus um artigo no jornal explicando os motivos pelos quais saí da seita. O jornal teve que reeditar a matéria, de tão procurada que ela foi. Eu morava numa cidade pequena do interior de São Paulo, e mesmo com o jornal circulando em todas as casas e igrejas, nenhum cristão veio até mim para me evangelizar. Eu era um pássaro ferido. Como que eu procurava pousar nas mãos de alguém, mas não obtive ajuda. 

É assim que estamos reagindo quando evangelizamos os decepcionados com as seitas? Estamos cuidando do mesmo modo que os discípulos de Jesus cuidariam deles? Por exemplo, as testemunhas de Jeová e os mórmons praticam o ostracismo, ou seja, evitam conversar com aqueles que foram excluídos do rol de membros, ou aqueles que por decisão pessoal não quiseram mais permanecer e foram para outra seita ou igreja cristã. Por que você não deseja saber mais sobre como se sentem tais pessoas vítimas desse desrespeito humano? 

Há irmãos em Cristo que dizem: "Se aquela testemunha de Jeová saiu, ela achará a verdade." Mas você sabia que a maioria das TJs que saem se tornam ateias ou espíritas? Sabia que boa parte dos católicos nominais decepcionados se tornam espíritas, mórmons, testemunhas de Jeová e adventistas do sétimo dia? Não estaríamos, então, falhando em cuidar de pessoas decepcionadas com sua religião? 

Jesus disse que Deus nos considera mais valiosos que os pássaros, portanto, Ele tem cuidado das aves e muito mais de nós. (Mateus 6:26) Deus espera que nos interessemos pelo bem-estar de outros, que nos importemos com sua situação, principalmente quando eles ainda não conheceram a Cristo. (Filipenses 2:4; João 13:34, 35) Os pássaros feridos na esfera sectária estão aumentando em número, graças ao forte trabalho apologético cristão usado como uma das ferramentas do Espírito Santo para convencê-los do erro religioso, mas a apologética cristã. Precisamos procurar a tais.

Sugestões adicionais 

Interesse pelos outros, paciência, oração são fatores importantes no evangelismo. Mas recomendo a intimidade com a Palavra de Deus e estudo profundo. Os adeptos de seita, quando se abrem a novas idéias, observam quanto sabemos. Minha grande dificuldade para escolher uma igreja depois de convertido foi encarar o baixo nível de conhecimento bíblico entre cristãos e testemunhas de Jeová. Sem exagerar, um jovem TJ de 15 anos tem muito mais conhecimento bíblico do que muitos cristãos convertidos há anos! Claro que esse conhecimento TJ está repleto de heresias, mas se eles leem a Bíblia com a esperança de arrebanhar pessoas, por que nós não poderíamos fazer o mesmo? 

Outra sugestão é quando falamos com sectários, nossa missão não é ganhar o debate, mas levá-los a raciocinar à base das Escrituras. (Atos 17:2, 3) Quando você perceber que ele não tem argumento, peça para que ele pesquise. Descontraia-o, senão você o perderá. Lembre-se de que os sectários evitam se aprofundar naquilo que eles não gostam de ouvir por acharem que nós estamos sendo usados pelo Diabo para desencaminhá-los. Gostaria muito de que todos os cristãos pudessem aprender de fato a evangelizar mais eficazmente. Eu também estou aprendendo. Não sou nenhum perito nisso, mas procuro fazer o meu melhor. 

Cada nova situação evangelística, um novo aprendizado. Cada pessoa tem sua história de vida para contar, cada sectário seu "jeitão" de ser e agir. Espero ter lhe ajudado a refletir melhor sobre se preparar melhor para evangelizar adeptosde seitas. Que Deus te abençoe nessa tarefa tão especial. Fernando Galli

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