EVANGELISMO - TOCANDO O CORAÇÃO DAS PESSOAS


Quando falamos de amor, no contexto cristão, é impossível desconsiderarmos o amor de Cristo por nós mesmos. Éramos perdidos, sem esperança de salvação, mas pela abundante graça de Deus fomos alcançados com o evangelho, e quando nossos olhos se abriram para Cristo e o recebemos como único e suficiente Salvador sentimo-nos libertos deste mundo, sorrimos e choramos, chegamos a nossa casa e dissemos aos familiares e até mesmo aos vizinhos: “Aceitei Jesus”.
Muitos chamam esse sentimento de “primeiro amor”, talvez porque a Bíblia use uma expressão de Jesus à igreja em Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor [ou o amor que tinhas no princípio]”. (Apocalipse 2:4) Percebemos esse primeiro amor, que não se acabou, quando André evangeliza Simão Pedro, este se encontra com Jesus, Felipe evangeliza Natanael, o qual se encontra também com Jesus. Ao lermos esse relato, observamos André e Felipe lhes anunciarem: “Achamos o Messias.” (João 1:40-51) Então, esse primeiro amor vem sendo sentido por longas datas, há quase dois mil anos.
Todo amor verdadeiro é contagioso, pois não conseguimos guardá-lo para nós. O amor que sentimos por Jesus é assim; ele quer aparecer de qualquer forma. Quando amamos uma pessoa, desejamos expressar esse amor através de palavras e ações. O “eu te amo” fica implícito pelas nossas atitudes. Tudo isso ocorre quando evangelizamos as pessoas, porque o amor de Deus através de Jesus Cristo nos contagia, e então queremos expressar com alegria: “Achamos o Messias”. Todavia, muitos se perguntam: Como eu posso pôr em prática esse amor pelas pessoas, se eu tenho dificuldades para evangelizar?
Pondo em prática a presença de Cristo
Duvidando de que Felipe havia encontrado o Messias, Natanael lhe perguntou se poderia surgir alguma coisa boa de Nazaré. Felipe respondeu-lhe, então: “Vem e vê.” (João 1:46) Ali Jesus estava presente corporalmente. Hoje, para o crente Jesus fez morada com o Pai na vida dele. (João 14:23) Não o vemos, mas o sentimos, como sentimos o amor dele nos tocar e nos tomar. A presença de Jesus é tão real em nossas vidas que, segundo a escritora Rebecca Manley Pippert, em seu livro Evangelismo Natural, páginas 120 a 133, Editora Mundo Cristão, ela elenca quatro formas de mostrarmos a presença de Jesus na vida das pessoas:
(1) Vendo as pessoas como Jesus vê;
(2) Enxergando por debaixo da crosta;
(3) Amando as pessoas onde elas estão;
(4) Amando os outros como nós somos.
O que significa isso?
1. Vendo as pessoas como Jesus vê. Jesus via as necessidades, os desejos, a solidão das pessoas. Também via as dificuldades, interpretava as lágrimas, se importava com elas. Os evangelizadores precisam assumir riscos e penetrar na vida das pessoas, não como intrusos, mas como pessoas que se importam com elas. – Leia Filipenses 2:4.
2. Enxergando por debaixo da crosta. Nunca devemos pressupor que uma pessoa é o que aparenta ser, ou que ela não aceitará a mensagem de salvação.
3. Amando as pessoas onde elas estão. Quando não-crentes nos convidam a participar de uma atitude errônea, não devemos fugir deles, mesmo que tenhamos de dizer um não a sua proposta. Se somos convidados a assistir a um filme pornográfico, diremos não, mas por nos importarmos com tal pessoa, nos ofereceremos para fazer com ela uma outra atividade. Então, não perderemos a pessoa de vista, e o Espírito Santo mostrará o momento certo para falarmos sobre Jesus a ela.
4. Amando os outros como nós somos. Muitos dizem: “Sou tímido”. Saiba que podemos ser tímidos e ainda assim evangelizar, pois muitos se surpreenderão ao verem em nossas palavras sinceras brotarem de um coração cristão.
Neste ponto do artigo, gostaria de expressar aqui a minha oração em seu favor, para que você não veja as pessoas como um obstáculo para o falar de Cristo, mas como uma fonte de inspiração:
“Senhor, meu Deus, querido, em nome de Jesus te peço para que tu nos ajudes a ver nas pessoas uma inspiração, uma motivação, para falarmos do teu amor através de Jesus Cristo. Dê-nos uma visão cristã sobre as pessoas, a capacidade de as observarmos como crentes em potencial, sejam quais forem os obstáculos, a amá-las do modo como são, não importa como tentem nos influenciar, mas que sejamos íntegros para com tua vontade, e possamos, então, influenciá-las, e que também possamos ser naturais ao falarmos com elas. Em nome de Jesus, amém."
Desenvolvendo habilidades conversacionais
A mesma autora, Rebecca Manley Pippert, sugere formas interessantíssimas do que fazer e não fazer numa abordagem evangelística. De fato, precisamos nos colocar no lugar da pessoa, e em oração a Deus, perguntarmos: “Papai, em nome nome de Jesus, como poderia ser bem-sucedido em evangelizar aquela pessoa?” Deus não resiste a um coração sincero. Mas ele fará por nós o que não podemos fazer. Todavia, Deus espera que façamos a nossa parte. Por isso é importante que nossas igrejas invistam no ministério de evangelismo e capacitem líderes, que por sua vez capacitarão irmãos a:
5. Não impor nossa fé aos outros, mas expô-la. Nada de agressividade, insistência, implorar para que a pessoa se converta. Só o Espírito Santo poderá converter a pessoa, pois esta é uma das funções dEle. (João 16:8) Não busque fórmulas mágicas. Cada caso será um caso.
6. Sermos calmos. Não fiquemos ansiosos para ganhar a conversa, ou a pessoa para Jesus. Deixe tudo nas mãos do Espírito Santo.
7. Livre-se de conversa de crente. Usar clichês, frases típicas nossas, podem assustar pessoas. Nunca diga aos interessados: “Converta-se, pois o Satanás quer te levar para o inferno”; “Aceite a Jesus Cristo e demônios sairão de você e de sua família”; “Você precisa ser lavada no sangue de Jesus”; “Deixe o Espírito Santo te ungir”; “Jesus quer te encontrar! Aleluia, ô glória!”; “Deixe Jesus entrar no teu coração”; “Deus quer a tua regeneração!”. Tais expressões poderiam muito bem ser ditas de uma forma que a pessoa entendesse melhor e não se sentisse ameaçada.
8. Fazer uso de perguntas. Jesus fazia perguntas aos seus discípulos. Elas os ajudavam a raciocinar. Eram um modo de conduzir a conversa a um determinado fim. Se alguém se queixa da corrupção nas igrejas, poderíamos perguntar: “Por que será que essas coisas acontecem?” Nosso objetivo será, então, ouvir a opinião da pessoa e explicar os motivos pelos quais a igreja está atravessando tamanha crise – um deles, o cumprimento de profecias. – Atos 20:28-31.
9. Ajudando as pessoas a ver falhas em seus próprios sistemas. Chegará o momento em que precisaremos dizer por que elas estão sofrendo. Por exemplo, se um viciado em drogas ou em bebidas reclamar que Deus não se importa com ele porque sua esposa quer a separação, poderíamos raciocinar com ele sobre como seu modo de vida está influenciando na decisão da esposa. Perguntas como: “Consegue se colocar no lugar dela?” “Como você reagiria se estivesse na situação dela?” “Posso lhe mostrar o que a Bíblia diz sobre o assunto?” – Leia 2 Coríntios 7:1.
O Poder do amor
As palavras de Jesus “amarás o teu próximo como a ti mesmo” jamais foram em vão. Elas têm um profundo significado na vida dos evangelizadores. Se eles desejam apresentar Jesus Cristo às pessoas, no poder do Espírito Santo, com o propósito de levar o plano de salvação a elas para que possam agora serem salvas e agradecer esta salvação através do evangelismo, será imprescindível entendermos o poder do amor. O livro Evangelização Dinâmica, página 20, de Luiza J. Walker, Editora Vida, 3ª. Edição, 1993 diz:
“Nossas atitudes podem atrair pessoas para Deus ou afastá-las dele. Nós é que escolhemos. O amor atrai. Foi o amor de Jesus que atraiu multidões a ele. Também foi a revelação do amor de Deus que nos atraiu. O amor sincero é mais poderoso para ganhar pessoas para Cristo do que nossa melhor capacidade de pregar, ensinar ou testemunhar. O amor tem uma eloquência que lhe é peculiar.”
Isto é incontestável. De nada adiantaria cumprirmos com as nove sugestões citadas anteriormente se não amássemos o nosso próximo. Muito mais vale um coração cheio de amor do que uma mente repleta de métodos e sugestões, bem como versículos bíblicos.
A questão é: Temos que amar o próximo, ou o amaremos naturalmente? A grande diferença entre o “amor” dos sectários e o amor dos cristãos é que os sectários evangelizam dia e noite, pois precisam ser salvos pelas obras também. Esse “amor” não é amor, mas uma paixonite aguda, que logo se acaba quando percebe que a pessoa não quer se converter. Mas o amor do cristão é lindo demais! Ele suporta e persevera em todas as coisas. (1 Coríntios 13:7) Ele não se interessa pelos outros para conseguir a salvação, mas é o resultado natural da obra salvífica de Jesus na vida do crente. É naturalmente uma consequência de quem tem fé em Jesus. O evangelismo, por sua vez, é uma consequência de quem é salvo e ama. E a consequência do evangelismo é óbvia: muitos aceitarão a Cristo. Nessa obra tão importante, até os anjos quiseram participar. E você?
Se sentimos naturalmente esse amor pelas pessoas, nossas palavras serão dóceis, compreensivas, consoladoras. Seremos pacientes, não exigindo dos outros o que eles não podem nos dar. Evitaremos o ar de superioridade, gabando-nos por sabermos mais do que eles. Seremos humildes também em dizer “não sei” quando nos fizerem perguntas bíblicas sobre as quais não temos respostas. Mas por amor a eles, vasculharemos na Bíblia a razão de nossa fé, como se estivéssemos procurando por tesouros escondidos. - Leia Provérbios 2:4; 1 Pedro 3:15.
O amor pelas pessoas também nos tornará abnegados e esforçados para cuidar delas. Há crentes que dizem: “Eu falei de Jesus para a pessoa, ela veio uma vez na igreja, mas não voltou mais.” Será que evangelismo é apenas o ato de anunciar a Cristo e tudo se acaba quando a pessoa o aceita? Longe disso! Jamais diga: “Eu plantei, outro regou, e se Deus faz crescer, não me meto nisso.” Deus faz crescer as igrejas, em quantidade e em qualidade, mas cada cristão cumpre o seu papel. O nosso papel comum numa igreja, não importa o ministério que tenhamos, é evangelizar, acompanhando os passos das pessoas, mesmo após o batismo delas. Chama-se isso de discipulado.
Um pequeno desafio
Tenho uma tarefa para você. Pense num conhecido, num parente, num vizinho. Primeiramente, ore por tal pessoa. Vamos por seu amor em ação. No próximo domingo, anote os pontos principais da mensagem em sua igreja. Ao chegar a sua casa, escreva uma carta, com o resumo dos pontos principais aprendidos no domingo, e conclua afirmando por que a mensagem é útil à pessoa. Não se esqueça de colocar o nome da pessoa, tanto no envelope como no topo da carta. Entregue pessoalmente a ela, e diga que você fez isso pensando nela. Diga-lhe que você ficaria feliz se ela lesse e dissesse o que achou. Dias depois, telefone a ela, e marque uma visita informal. Quando se encontrar com ela, use uma cópia daquela carta e leiam juntos. Poderá terminar mais ou menos assim:
“Então, percebeu quantos ensinos bons aprendi? Eu aprendi também que eu não vivia de acordo com a vontade de Deus, por isso, eu me sentia sem esperanças. Mas desde que aceitei a Jesus como o único Salvador, minha vida mudou e hoje eu sou feliz. Gostaria de falar mais vezes com você sobre Jesus, e o que você precisa fazer para ser salvo. (Leia Atos16:30, 31) Posso voltar numa outra oportunidade?”
Não precisa decorar essa sugestão. Use o seu “jeitão” de ser e de falar. Lembre-se de que você precisa ser você mesmo. Que seus esforços para ganhar pessoas para Cristo sejam ricamente recompensados. Mas faça a sua parte para aprimorar o seu evangelismo. Leia, participe de palestras e seminários sobre o assunto. Invista em você, para que sua forma natural de amar contagie muitos. - Fernando Galli.