TEOLOGIA - O ESTUDO DE DEUS E SUA ELABORAÇÃO

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Estudar teologia tem sido para mim enriquecedor. Embora muitas seitas evitem o uso da palavra teologia, devido ao seu significado "estudo de Deus", nós podemos sim estudar Deus, baseando-nos na Palavra de Deus como principal autoridade, e também no modo como Deus se revela através da criação. Quando os sectários afirmam que "estudar Deus" o rebaixa, nós, cristãos aprendemos com a teologia que Deus é realmente o Todo-Poderoso, e o que aprendemos dEle é inesgotável. Outra crítica das seitas feita contra o estudo de Deus (teologia) diz respeito aos pontos-de-vistas diferentes entre os teólogos com respeito a diversos assuntos. Todavia, qual seita jamais reviu ou modificou suas crenças, até mesmo de doutrinas principais? Assim, com o intuito de ajudar os cristãos no evangelismo de sectários, elaborei um resumo do primeiro capítulo da obra INTRODUÇÃO À TEOLOGIA SISTEMÁTICA, de Millard J. Erickson, Edições Vida Nova, intitulado O ESTUDO DE DEUS. Desafio os adeptos de seitas contrários ao estudo teológico a apontarem biblicamente os motivos para não estudarmos Deus, ou seja, o que podemos aprender da sua Revelação bíblica e até extrabíblica.

Capítulo 1 - O ESTUDO DE DEUS
(páginas 15 a 25)

A natureza da teologia
  • Doutrina Cristã - declaração das crenças mais fundamentais do cristão;
  • São a espécie mais importante de verdades;
  • Declarações sobre as questões fundamentais da vida;
  • Resposta que os cristãos dão às perguntas que os seres humanos fazem;
  • Verdades gerais ou atemporais sobre Deus e sobre o restante da atualidade.
O que é teologia
  • É o estudo, a analise e a declaração cuidadosa e sistemática do doutrina cristã;
Características da teologia
  • É bíblica - baseia-se primeiramente na Palavra de Deus;
  • É sistemática - o que toda a Escritura afirma sobre tópicos específicos;
  • É elaborada no contexto da cultura humana - relaciona os ensinos das Escrituras com o que as outras disciplinas ensinam sobre cada assunto em questão;
  • É contemporânea - reconceitua verdades bíblicas atemporais para a compreensão atual;
  • É prática - pretende que a doutrina exposta seja posta em prática. - 1 Tessalonicenses 4:16-18.
A necessidade do estudo da doutrina
  • Crenças doutrinárias são essenciais no relacionamento entre o cristão e Deus. Exemplos:
  1. Fé - Hebreus 11:6;
  2. Crença na humanidade de Cristo - 1 João 4:2;
  3. Crença na ressurreição de Cristo - Romanos 10:9, 10.
  • A ligação entre a verdade e a experiência.
  1. Não se pode divorciar o sentimento agradável de crer em Jesus da necessidade de saber se ele é o Filho de Deus, se ele ressuscitou e se nós vamos ressuscitar também.
  • A compreensão correta da doutrina (em que se deve crer), pois há sistemas de pensamentos religiosos e seculares que disputam nossa devoção, entre eles:
  1. Filosofias e psicologias de auto-ajuda;
  2. Seitas e cultos;
  3. Variedade de denominações Cristãs;
  4. Religiões alternativas
É preferível abordar os pontos positivos do Cristianismo a refutar minuciosamente e sistematicamente as formas alternativas acima.
A teologia como ciência

A teologia, ao estudar o Cristianismo como ciência, deve comportar alguns dos critérios tradicionais do conhecimento científico:
  • Um objeto definido de estudo;
  • Um método para investigar o objeto em questão e para verificar suas declarações;
  • Objetividade - acessível à investigação de outros, por lidar com fenômenos externos à experiência das pessoas;
  • Coerência entre as preposições do objeto - o conteúdo deve formar um corpo definido de conhecimento.
A teologia ocupa áreas em comum com outras ciências:
  • Aceita as mesmas regras de lógica das outras ciências;
  • É comunicável - em forma verbal proposicional;
  • Usa até certo ponto métodos de algumas disciplinas como história e filosofia;
  • Partilha alguns objetos de estudo com outras disciplinas - podendo ter algumas de suas pressuposições confirmadas ou refutadas por elas.
A teologia é uma ciência com função peculiar:
  • Possui tópicos exclusivos como DEUS;
  • Considera as pessoas de acordo com o relacionamento delas com Deus.
O ponto de partida para o estudo da doutrina cristã

Qual a fonte da qual extrairemos nosso conhecimento?
  • Teologia natural - Estudo do universo criado como forma de estudar Deus e sua natureza;
  • Tradição - O que tem sido crido torna-se norma para o que deve ser crido;
  • As Escrituras - A Bíblia é a constituição da fé cristã;
  • Experiência - a experiência religiosa de um cristão provê informações divinas autorizadas.
O ponto de partida será a terceira abordagem.
  • Cada país tem sua Constituição; o Cristianismo tem a Bíblia, originada do próprio Deus, o qual só Ele pode mudar os padrões de fé e prática.
  • Os cristãos são aqueles que permanecem no ensino estabelecido por Jesus em pessoa.
  • É preciso expressar para os dias de hoje o que Jesus ou Paulo ou Isaías diriam se estivessem tratando da situação presente - re-expressão e re-aplicação.
O método da teologia - Passos

1. A coleta dos materiais bíblicos:
  • Identificar as passagens bíblicas importantes que tratam do tópico investigado;
  • Interpretá-las com muito cuidado - Exegese.
  • Fazer uso de comentários, concordâncias, estudo das línguas originais, gramáticas, léxicos e textos bíblicos;
  • Estudo de palavras e seus significados;
  • Pensar cuidadosamente nos materiais que estão sendo usados;
  • Considerar a posição do autor do comentário;
  • Ter noção da perspectiva lógica do autor;
  • Determinar com precisão o que o autor bíblico estava dizendo à sua audiência específica;
  • Estudo do contexto histórico da Bíblia;
  • Compreender o interlocutor do diálogo;
  • Examinar as passagens didáticas na Bíblia onde algum autor discorra de forma direta sobre um tópico em particular, ou as narrações com descrições de ações divinas e humanas, as quais servirão como ilustrações de verdades doutrinárias.
  • Observar se casos em que o autor bíblico dá uma interpretação ou explicação que evidencia uma implicação doutrinária.
2. A unificação dos materiais bíblicos
  • Aprender o que um autor bíblico fala em diferentes contextos;
  • Juntar o testemunho deles, para se formar um todo coerente;
  • Buscar uma unidade e coerência entre os vários materiais e testemunhos bíblicos;
  • Procurar pontos em comum em vez de divergências.
3. A análise do significado dos ensinos bíblicos
  • Buscar o verdadeiro sentido para o todo coerente que formamos;
  • Não incorrer no erro de impor significados contemporâneos a referências bíblicas;
  • Compreender corretamente os conceitos bíblicos para que eles possam ser traduzidos com precisão para uma forma contemporânea;
  • Quando tudo estiver claro para o teólogo-exegeta, ficará claro também para o téologo-pregador, e claro para os seus ouvintes.
4. O exame das interpretações históricas
  • Estudar a história da igreja como instrumento de teologia;
  • Colocar nossas interpretações em contraste com as defendidas em vários pontos do passado (observar os resultados históricos de cada tópico em questão);
  • Tentar formular o menor denominador possível entre elas;
  • Perceber como nossas interpretações são paralelas com outras mais antigas;
  • Aprender fazer teologia observando o modo como outras pessoas fizeram.
5. A Identificação da essência da doutrina
  • Averiguar e descobrir a mensagem que existe por trás de todas as formas de expressão, ou a verdade comum que há entre cada tópico (salvação, por exemplo) no decorrer da Bíblia.
  • Ou seja, identificar a verdade permanente dentro das formas de expressão temporárias.
  • Exemplo: Qual é a verdade permanente sobre o assunto "salvação" em Deuteronômio e Romanos?
6. A iluminação por meio de fontes extrabíblicas
  • Deus se revelou não apenas através da Bíblia (a principal fonte e autoridade principal) mas num sentido mais geral na sua criação e na história humana;
  • Como somos criados à imagem de Deus e as Escrituras não nos dão as implicações exatas
    dessa imagem de Deus, as ciências do comportamento podem nos dar informações sobre essa imagem e identificar o que faz com que o homem seja sem igual em meio a tantos tipos de criaturas;
  • A geologia tem ajudado estudiosos a determinar se os dias criativos são literais de 24 horas ou períodos mais longos ou conceitos não-temporais;
  • Devemos tomar cuidado para não que a Bíblia seja sempre a autoridade principal, para não tirarmos conclusões precipitadas quando comparamos os materiais bíblicos e não bíblicos.
7. A expressão contemporânea da doutrina (de uma forma acessível às pessoas)
  • Ponto de partida: Averiguar as questões que estão sendo levantadas por nossa época (o todo pelo qual a cultura em geral vê a realidade) e fazer a ligação entre elas e o conteúdo da teologia bíblica;
  • Associar os problemas do mundo (os seres humanos são os maiores problemas para si mesmos) com a doutrina de Deus, de modo que o poder e a providência de Deus ganhem uma nova pertinência;
  • A mensagem precisa ser contextualizada, em três dimensões: Comprimento (buscar a mensagem nos tempos bíblicos e trazer para o presente), Largura (o cristianismo pode assumir diferentes formas de expressão em diferentes culturas, por exemplo, expressar conceitos como pecado e expiação de maneiras culturalmente pertinentes) e Altura (uso de diferentes níveis de complexidade, por exemplo, levar em conta idade, nível de dificuldade do material de teologia estudado compatível com a realidade daqueles que estão sendo evangelizados.
8. O desenvolvimento de um tema central interpretativo
  • Formular um esboço central de teologia, levando em consideração nossa denominação, personalidade e formação (toque personalizado). Por exemplo, como encaramos a soberania de Deus (ponto de vista reformado) e a graça de Deus (ponto de vista luterano.
9. A estratificação dos tópicos
  • Decidir quais são os temas mais importantes da teologia e seus subpontos ou subtemas;
  • Quanto maior a importância do ponto, melhor explanado deve ser;
  • Determinar a gradação de temas de mesma importância à base do que a cultura ou época exigem.
Conclusão
Graças a Deus, estudar teologia tem sido uma bênção para mim e para outros apologistas, pois nos fortalecemos na fé e no conhecimento de Deus. Estudamos várias correntes de interpretação, e nos capacitamos para criticar a má teologia, quando ela é instrumento de Satanás para desencaminhar pessoas. Sou bem conservador, creio que a Bíblia seja inerrante, e que tudo na Bíblia chegou até nós substancialmente como foi escrito. Desejo que você um dia estude teologia também, como forma de aprendizado e preparo para compreender melhor a Palavra de Deus.
Fernando Galli.

Baseado em:
ERICKSON, Millard J., Introdução à Teologia Sistemática, páginas 15-25, Edições Vida Nova.

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